sábado, 14 de março de 2009

Sobre o Judiciário enquanto campo estratégico de luta por cidadania republicana

No blog da Associação de Mulheres Brasileiras no Fórum Social Mundial de 2009 há interessante explanação do sociólogo Boaventura de Sousa Santos a respeito da importância estratégica de conduzir a luta pelo reconhecimento de direitos para o campo judiciário.

Embora os glbts brasileiros individualmente e os movimentos sociais que formulam e encaminham a agenda de luta já tenham clareza dessa importância estratégica (aqueles mais do que esses, segundo me parece), ao meu ver carece ainda a construção de diálogos mais estreitos entre ambos, de modo a construir-se ações articuladas e tanto quando possível, mais consistentes do ponto de vista técnico e político. É justamente isso que ele destaca na última frase.

Eis o trecho.

Do:
http://ambfsm2009.blogspot.com/

"Boaventura Sousa Santos defende que é preciso associar a luta política dos movimentos sociais com iniciativas junto ao Judiciário, de forma que os movimentos saiam da posição de 'réu' para uma ação que contribua para alterar o senso comum dos operadores do Direito. Durante o painel, o sociólogo lançou algumas questões, tais como: porque os movimentos sociais têm tanta dificuldade de ir ao Judiciário, de compreender o Judiciário como um dos poderes com capacidade para efetivar direitos, assim como para inviabilizar sua efetivação? Para ele, o que tem prevalecido nos movimentos sociais é a tendência de 'desconhecer' a possibilidade de iniciativas junto ao Judiciário como parte da estratégia de ação política. Mas, segundo ele, é necessário atuar com uma estratégia jurídico-política, reinventando a leitura sobre o que está nas leis, por meio da formulação de novos conceitos, criando outros universos jurídico-políticos.
Reinventar o Direito a partir da luta política seria uma das estratégias voltadas para a efetivação de direitos não institucionalizados, aproveitando o que ele chamou de 'janelas de oportunidade'. Para Boaventura Sousa Santos, qualquer que seja a luta social é possível justicializar em prol de aquisição de direitos, mas sempre numa ação articulada com os movimentos políticos populares. Se de um lado ele afirma que o Direito deve ser um instrumento de justiça social; de outro, reconhece tratar-se de um instrumento que disfarça seu caráter político pela própria autonomia em relação aos demais poderes, pela elitização das ciências jurídicas e por um discurso de manutenção de privilégios das elites.
Para Sousa Santos, dentro das lutas populares é preciso ver que conflitos aparentemente individuais podem se tornar causas coletivas, para que assim seja possível criar estratégias jurídicas que tenham relação e se adequem à estratégia do movimento social no enfrentamento das desigualdades. 'Não há porque fazer uma divisão entre as discussões sobre Direito e a luta política. De fato, o que não se pode fazer é acionar a Justiça sem a mobilização social', destacou."

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