Henrique Meirelles, ministro da Fazenda no governo interino de Temer, na coletiva de 13/05, perguntado sobre o projeto que o governo Dilma encaminou e está paralisado no Congresso, propondo a taxação sobre doações e grandes fortunas, num estilo bastante evasivo, afirmou que "serão analisados com muito cuidado os seus efeitos, vamos com calma";
a repórter da TV Brasil, mais adiante, retomou o tema das medidas propostas pelo governo Dilma e que ficaram paralisadas no Congresso. A resposta foi: "serão analisadas individualmente".
Na questão das mudanças na aposentadoria, fez questão de destacar a diferença entre direitos já adquiridos e as expectativas de direito. Mas como fez também de forma pouco clara, talvez passe despercebida. Ele usou a expressão "direitos plenamente adquiridos", frisando que é um conceito bastante preciso. Isto é fato. Só omitiu o que realmente interessa saber: - como serão as regras de transição, aqueles que se encontram na situação de "em vias de adquirir". No governo Dilma ela havia afirmado que as regras de transição seriam bem ponderadas, para não se prejudicar quem já está no mercado de trabalho há muito tempo. Há insclusive um Fórum democrático, com discussões já avançadas, ao qual nem jornalistas nem governo INTERINO fez qualquer referência.
Se é verdade que já está mesmo decidida A EXTINÇÃO de programas sociais como
* farmácia popular (que subsidia medicamentos de uso continuado para doentes crônicos, como hipertensão, diabetes, osteoporose etc.); * SAMU (Ambulancias que fazem o socorro médico de urgência e que beneficia principalmente a população pobre); * UPA (as Unidades de Pronto Atendimento médico distribuídas pelos municípios); * de novas inscrições para as bolsas de auxílio permanência para os alunos pobres das universidades, a pergunta que se impõe é:
- Como sustentar que para a adoção de tributação para GRANDES FORTUNAS e aumento na alíquota do imposto sobre doações (ou seja, adotar um regime tributário mais escalonado, fazendo os mais ricos pagarem um pouco mais em relação ao seu volume de recursos, em comparação com os mais pobres, tradicionalmente os que pagam mais tributos no pais), o governo INTERINO afirme que "vamos com calma", "é preciso analisar COM MUITO CUIDADO OS SEUS EFEITOS", mas em relação a todos esses cortes nos programas sociais, a decisão se dê assim, de forma abrupta e radical?
Indagado pelo correspondente da France Press se não se preocupavam com os protestos, diante de medidas tão duras como as já sinalizadas, respondeu que é da democracia os que se sentirem prejudicados protestarem, mas que "deve prevalecer o interesse da sociedade".
- Pelo que se vê, para esse regime golpista que acaba de se instalar no Brasil, a partir do afastamento provisórioda presidenta eleita
o interesse que conta é aquele da única parcela historicamente considerada, à exceção dos governos Vargas, Lula e Dilma, ou seja, a dos empresários e rentistas.
Ou seja, como disse a FIESP, não serão eles, os mais ricos, que "pagarão o pato", mas as camadas mais pobres e vulneráveis da população que mais uma vez serão penalizadas.
Enquanto isso, Legislativo e Judiciário permanecem com a sua gastança, os seus auxílios moradia, educação para filhos, verbas faraonicas de gabinete parlamentar etc.
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domingo, 15 de maio de 2016
quinta-feira, 12 de maio de 2016
A profunda dor da injustiça pessoal não comove num país de injustiças
Me pareceu "fraco" o discurso de Dilma ao anunciar o seu afastamento. Bater na tecla da injustiça em um país cuja maior marca é precisamente a injustiça não me parece producente, tampouco capaz de produzir grande empatia, para além daquelas pessoa que já estão a compreender o processo.
Pessoalmente preferiria que ela tivesse aproveitado a ocasião para rememorar brevemente todos os passos do golpe, para além daqueles imediatamente após a promulgação do resultado das urnas, pelo candidato derrotado Aécio Neves. Que ela mencionasse os travamentos na Câmara aos projetos que encaminhou, desde as jornadas de protestos de 2013; que ela, didatica e sucintamente, explicitasse para a população o crescente processo de imviabilizacao de seu governo, na descarada aposta no "quanto pior, melhor", nas chamadas "pautas bombas e no "deixá-la sangrar até o fim". Em minha percepção pessoal, ela desperdiçou uma excelente oportunidade de rememorar e mesmo informar os atos sequencias dessa farsa humilhante, instrumentalizada por meio do impeachment, coisa que não está clara à grande maioria da população (pela óbvia manipulação realizada diariamente pela mídia oligopolizada). Como disse no início, parece-me de baixissimo impacto empático falar da sua dor pessoal diante da injustiça em uma nação que se caracteriza precisamente pela injustiça.
Pessoalmente preferiria que ela tivesse aproveitado a ocasião para rememorar brevemente todos os passos do golpe, para além daqueles imediatamente após a promulgação do resultado das urnas, pelo candidato derrotado Aécio Neves. Que ela mencionasse os travamentos na Câmara aos projetos que encaminhou, desde as jornadas de protestos de 2013; que ela, didatica e sucintamente, explicitasse para a população o crescente processo de imviabilizacao de seu governo, na descarada aposta no "quanto pior, melhor", nas chamadas "pautas bombas e no "deixá-la sangrar até o fim". Em minha percepção pessoal, ela desperdiçou uma excelente oportunidade de rememorar e mesmo informar os atos sequencias dessa farsa humilhante, instrumentalizada por meio do impeachment, coisa que não está clara à grande maioria da população (pela óbvia manipulação realizada diariamente pela mídia oligopolizada). Como disse no início, parece-me de baixissimo impacto empático falar da sua dor pessoal diante da injustiça em uma nação que se caracteriza precisamente pela injustiça.
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A tragédia anunciada e ignorada
O Senador Cristovam e o Senador Collor declararam haver buscado alertar a Presidenta quanto a necessidade de falar com a população, com franqueza, sobre os motivos que a levavam a mudar o programa apresentado durante as eleições e com o qual as ganhara. Também o responsável pela área de comunicação do seu governo fez o mesmo - terminou o seu relatório sendo vazado para a imprensa, onde falava que "a comunicação do governo é errática".
- Claro que isso não é motivação para a destituição da Presidenta eleita. Mas reitera o quanto cabeça dura pode ser uma pessoa. Pessoa que se recusa a dar ao interlocutor o benéfico da dúvida na razão ("e se ele tem razão? ...") Posso bem imaginar o quão abissal deve ter sido o sentimento de solidão da Presidenta - uma presidenta não exercitada em nenhum cargo eletivo, inexperiente total e pessoalmente pouco afeita às conversações e adulacoes que chamam "fazer política".
Mas sinceramente lamento que a primeira mulher eleita para o cargo de Chefe do Executivo Federal tenha incorrido em tantos erros, ciente que era de que seus adversários postavam-se como lobos esfaimados, vigilantes para um seu qualquer descuido. Como ouvi hoje de um dos muitos comentadores na Tv Brasil (que aliás vem realizando um excelente trabalho jornalístico e de informação, através dos vários programas de debates e das participações de especialistas nos plantões do Repórter Brasil), formou-se a vontade de uma maioria contra a Presidenta eleita.
E essa maioria foi sendo fermentada - fermentada, sim, como fungo, bolor -, na medida em que a constelação de elementos ia se ajuntando: à crise internacional juntava-se o tenaz e sórdido bloqueio a todas as propostas que ela enviava à Câmara dos deputados. Seus adversários não se furtaram a declarar, por várias vezes, em convescostes entre pares de talvez mesmo quilate ético, que ela não terminaria o mandato, ou que poriam o seu governo para sangrar até o fim!
Mas ela sabia, disso tudo estava ciente. Mas não foi capaz da inteligência intuitiva que a vida aquinhoou ao Lula e seguiu apostando em manter-se dentro de seu gabinete, como num bunker, cuidando de trabalhar intensamente pelo país. Honesta, honrada, sem tergiversar com "os malfeitos" (vejam-se todos os atos por ela praticados no sentido de desmantelar processos de corrupção - quem se lembra da alta dignidade do Controlador Geral da União por ela nomeado? quem se lembra do fato de ela ter determinado a troca de toda a direção de Furnas? de ter escolhido uma profissional de carreira da Petrobras para dirigir a nossa maior estatal e esta haver trocado todos os cargos de direção da empresa?), mas vitimada pelo partido da mídia oligopolizada, em conluio com todas as forças políticas que apenas querem maximizar os seus lucros pessoais e corporativos, em aliança com os interesses de empresas estrangeiras, contra os interesses nacionais, que souberam habilmente se aproveitar da crise econômica Internacional e das inabilidades políticas (no trato político, das relações pessoais) da Presidenta.
Esperemos que o STF, quando do julgamento do mérito, o seu Plenário não se mostre acovardado à tutela da "opinião publicada", trombeteada dia e noite, em todos os espaços, por meio de aparelhos de televisão ligados no canal da voz única. - Será que a instância do Judiciário encarregada da guarda da Constituição e que tem em seu passado as sombras de haver negado habeas corpus a Olga Benário, grávida de um brasileiro, entregando-a às mãos dos nazistas; haver apoiado o regime militar; e haver decretado a constitucionalidade do confisco do Collor, terá a estatura que a história está a lhe exigir?
- Claro que isso não é motivação para a destituição da Presidenta eleita. Mas reitera o quanto cabeça dura pode ser uma pessoa. Pessoa que se recusa a dar ao interlocutor o benéfico da dúvida na razão ("e se ele tem razão? ...") Posso bem imaginar o quão abissal deve ter sido o sentimento de solidão da Presidenta - uma presidenta não exercitada em nenhum cargo eletivo, inexperiente total e pessoalmente pouco afeita às conversações e adulacoes que chamam "fazer política".
Mas sinceramente lamento que a primeira mulher eleita para o cargo de Chefe do Executivo Federal tenha incorrido em tantos erros, ciente que era de que seus adversários postavam-se como lobos esfaimados, vigilantes para um seu qualquer descuido. Como ouvi hoje de um dos muitos comentadores na Tv Brasil (que aliás vem realizando um excelente trabalho jornalístico e de informação, através dos vários programas de debates e das participações de especialistas nos plantões do Repórter Brasil), formou-se a vontade de uma maioria contra a Presidenta eleita.
E essa maioria foi sendo fermentada - fermentada, sim, como fungo, bolor -, na medida em que a constelação de elementos ia se ajuntando: à crise internacional juntava-se o tenaz e sórdido bloqueio a todas as propostas que ela enviava à Câmara dos deputados. Seus adversários não se furtaram a declarar, por várias vezes, em convescostes entre pares de talvez mesmo quilate ético, que ela não terminaria o mandato, ou que poriam o seu governo para sangrar até o fim!
Mas ela sabia, disso tudo estava ciente. Mas não foi capaz da inteligência intuitiva que a vida aquinhoou ao Lula e seguiu apostando em manter-se dentro de seu gabinete, como num bunker, cuidando de trabalhar intensamente pelo país. Honesta, honrada, sem tergiversar com "os malfeitos" (vejam-se todos os atos por ela praticados no sentido de desmantelar processos de corrupção - quem se lembra da alta dignidade do Controlador Geral da União por ela nomeado? quem se lembra do fato de ela ter determinado a troca de toda a direção de Furnas? de ter escolhido uma profissional de carreira da Petrobras para dirigir a nossa maior estatal e esta haver trocado todos os cargos de direção da empresa?), mas vitimada pelo partido da mídia oligopolizada, em conluio com todas as forças políticas que apenas querem maximizar os seus lucros pessoais e corporativos, em aliança com os interesses de empresas estrangeiras, contra os interesses nacionais, que souberam habilmente se aproveitar da crise econômica Internacional e das inabilidades políticas (no trato político, das relações pessoais) da Presidenta.
Esperemos que o STF, quando do julgamento do mérito, o seu Plenário não se mostre acovardado à tutela da "opinião publicada", trombeteada dia e noite, em todos os espaços, por meio de aparelhos de televisão ligados no canal da voz única. - Será que a instância do Judiciário encarregada da guarda da Constituição e que tem em seu passado as sombras de haver negado habeas corpus a Olga Benário, grávida de um brasileiro, entregando-a às mãos dos nazistas; haver apoiado o regime militar; e haver decretado a constitucionalidade do confisco do Collor, terá a estatura que a história está a lhe exigir?
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