Dados sobre os índices de violência no ambiente da família e da escola contra gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transexuais, os níveis e velocidade do envelhecimento da população brasileira em geral, a precariedade da formação escolar e humana, os "gargalos" no nível de empregabilidade e as demandas por mecanismos de geração de renda, são tópicos a exigir o aprofundamento da pauta sobre mecanismos de proteção social nesse segmento da sociedade brasileira.
Dadas as pesquisas que apontam para um poder aquisitivo relativamente "alto" em parte do segmento glbtt, como fazer com que esse aspecto positivo reverta em ações e práticas compromissadas e solidárias? Como desenvolver ações capazes de produzir o resgate da cultura de cooperação e responsabilidade social, geradores de autoestima, pertença, confiança, suporte, enfim, de fortalecimento social e político dessa parcela da sociedade?
Esse relativamente "alto" padrão de renda verificado em parte do segmento pode (e a meu ver deve, em proveito de tod@s, do fortalecimento geral) ser capitalizado em iniciativas de cunho protetivo geral, seja por meio de parcerias com o Estado e com organismos de financiamento nacionais e internacionais, seja entre indivíduos e instituições de empresários.
Casas-abrigo para jovens em situação de violência familiar, espaços de convivência intergeracional, clubes (urbanos e campestres), casas/hotéis para idos@s, condomínios verticais e horizontais planejados para atender às necessidades desse modelo de conjugalidade ou morador@ individual, programas de intercâmbio internacional específicos e cooperativas (econômicas e profissionais), são exemplos de demandas a merecer reflexão.
A meu ver, três são os pontos centrais a desafiarem tod@s aquel@s que se dedicam a refletir sobre as demandas protetivas desse segmento social:
a) suporte nos casos de práticas violentas (física e psíquica) por parte da família de origem;
b) capacitação profissional e cidadã (humanística, cívica e crítica), de modo a garantir não apenas a renda, mas, também, um modo de estar em sociedade mais informado, consciente, crítico;
c) a proteção na velhice e em enfermidades incapacitantes, notadamente àquel@s que vivenciam o desligamento da família de origem ou que não a tenha.
Algumas experiências internacionais nesse sentido poderiam servir como dinamizadores dessa discussão, assim como iniciativas já existentes entre nós.