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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Violência e exploração de travestis é generalizada

Violência contra travestis é menor em grandes centros, mas corre solta no país  

(Republicação da matéria originalmente publicada no síito Sul21 em 13/07/12 | 11:42)

Da Redação

Há muitos anos o estado do Pará é grande exportador de travestis para fins de prostituição, especialmente para capitais como São Paulo, Goiânia, Curitiba e Brasília e os seus arredores. Os clientes paulistas contam, inclusive, com casas formadas por “garotas” somente de Belém, a capital paraense. No passado, o tráfico das travestis era majoritário no deslocamento para essas localidades. No entanto, hoje já caiu para 50% dos casos.

A secretária do Conselho Estadual de Diversidade Sexual do Pará, Symmy Larrat, também representante do Grupo de Resistência de Travestis e Transexuais da Amazônia (Gretta), explica que o aliciamento é menor em sua região porque as próprias travestis, vítimas de cruel preconceito no seio familiar e em toda a sociedade, enxergam na partida e na consequente entrada para o mundo da prostituição a melhor saída para as suas vidas.

“Por mais que elas saibam as mazelas que enfrentarão, preferem essa vida porque o retorno financeiro é muito bom. Noventa por cento delas progridem”, afirma Symmy. Segundo ela, algumas voltam para Belém, compram casa e carro, deixam evidente o salto de qualidade que deram a suas finanças, e isso estimula a prática na região. Há estimativa de que cerca de 150 travestis deixem a cidade por ano.

Nos grandes centros, onde a prática da prostituição é vastamente visada pela polícia a exploração das travestis já não está associada à violência, como se tem conhecimento. As ‘meninas’ ficam nas casas, recebem um ponto para trabalhar na rua e a segurança local. A questão do pagamento a cafetinas ou cafetões é variável. “Em Recife, por exemplo, é preciso pagar R$ 120 por semana pelo ponto. Já no Pará, o ponto não custa nada”, relata Symmy. Cobrar pelo ponto é ilegal. É crime no Brasil explorar e obter vantagem da prostituição.

O que agrava a situação é a relação da cafetina com seus companheiros, em geral, traficantes de drogas. Muito próximos das travestis, acabam colaborando para que elas se viciem. O que as leva ao vício também é o endividamento, geralmente causado pela compra de prótese de silicone para as mamas e do silicone industrial para demais partes do corpo. “O uso exagerado do silicone é resultado da exigência do mercado”, diz Symmy, destacando que é uma atitude sem limites. E quando há dívida, se não há pagamento, há espancamento. De qualquer forma, o endividamento das travestis é o que dá lucro aos criminosos.

Ainda que nas grandes capitais não haja relatos de tanta exploração por parte da representante da Gretta, nas pequenas localidades ou até em cidades grandes, porém afastadas dos centros, a realidade é a clássica do tráfico humano: aliciamento, traslado e trabalho escravo, com retenção de documentos, o que caracteriza a servidão. “Há muitos e muitos lugares com essa característica, com todos os requintes de crueldade”, revela Symmy.

O que leva as travestis a se submeterem ao tráfico humano é o preconceito. Para Symmy, a ausência de políticas públicas também as leva às ruas. A ativista relata o caso de uma travesti de 17 anos que lhe telefonou esta semana para pedir orientações sobre como agir daqui a um ano porque o pai já avisou que ela será expulsa de casa. “O pai não quer fazer isso antes dos 18 anos de idade, por causa da responsabilidade com a menor, mas depois vai lavar as mãos”, conta. Para ela, esse é um exemplo clássico do preconceito. Sem aceitação na própria família não há o que esperar da sociedade. “E essa garota vai certa para o caminho da prostituição.”

A Gretta entregou um documento para a CPI das Travestis, que investiga na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa) a migração das “garotas” de São Paulo para o Pará, num sentido inverso ao conhecido. A contribuição dada para o debate pela entidade é o alerta de que é preciso criar políticas públicas para minimizar essa “grave questão social”, que é o tráfico das travestis. O documento sugere a autorização do uso do nome social nas escolas, a possibilidade de as travestis aderirem aos programas sociais e a regulamentação da profissão.

Symmy espera que a proposta de lei para regulamentar as casas de prostituição no Brasil, de autoria do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), apresente um recorte que trate dos direitos das travestis.
Symmy deixou a vida dos programas porque encontrou um deputado que lhe criou uma oportunidade de trabalho, ou seja, de vida. Hoje, aos 34 anos de idade, formada em publicidade, está há quatro longe das ruas. Mas voltaria, se preciso fosse, apesar das conquistas pessoais. “Não há trabalho digno para as travestis. Por isso, essa é a nossa luta: garantir direitos”, desabafa.

A ativista então revela um dado chocante: a maioria das travestis morre por volta dos 35 anos de idade por conta de brigas nas ruas, doenças adquiridas no exercício da prostituição e pelo uso excessivo de silicone.

Symmy diz que a polícia é conivente com o crime. “Para eles, travesti não tem direito. Pode apanhar, ser explorada porque são sempre responsáveis por tudo na opinião dos policiais”. Segundo ela, é a mesma lógica do estupro no passado, quando mulheres eram responsabilizadas pelo crime devido ao fato de estarem vestidas com saia curta ou blusas decotadas.

Symmy conta que a exclusão é tanta que até nos salões de cabeleireiros, onde há alguma brecha para as travestis trabalharem, muitas clientes rejeitam o atendimento feito por elas. Diante dessa realidade, são uma presa fácil para os aliciadores.

Com informações da Rede Brasil Atual

quarta-feira, 26 de maio de 2010

7 travestis assassinadas em 2 meses no RJ

É com muita alegria que tomo conhecimento da mobilização da Associação das Travestis e Transexuais do Rio de Janeiro, no enfrentamento da tradicional prática de extermínio de transexuais e travestis.

Uma cidade que diz de si maravilhosa, em um país que igualmente gosta de se ver espelhado no título de amistoso, fraterno; recentemente eleita, em fórum internacional, como MELHOR DESTINO GAY MUNDIAL; que há 3 anos conta com uma Câmara Técnica para Implantação do Programa Brasil Sem Homofobia; que há 2 anos realizou a I Conferência Estadual para definição e implementação de Políticas Públicas em defesa dos direitos da população LGBT; que possui uma Superintendência Estadual de Direitos Difusos, Individuais e Coletivos presidida por uma liderança do movimento LGBT, subordinada a uma Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos numa gestão politicoadministrativa presidida por um Governador historicamente aliado e defensor dos direitos de travestis, transexuais, gays, lésbicas e bissexuais; que possui um CONSELHO ESTADUAL DE DIREITOS DA POPULAÇÃO LGBT; um COMITÊ MUNICIPAL DE GARANTIA DE DIREITOS DA POPULAÇÃO LGBT; e um FÓRUM FLUMINENSE DO MOVIMENTO LGBT, não pode continuar a conviver com a matança sistemática e impune por motivo de orientação sexual e identidade de gênero.

Já passa, em muito, da hora das instituições de Estado enfrentarem esse verdadeiro genocídio que vem sendo perpetrado sistematica e impunemente ao longo dos anos, sem que as autoridades policiais adotem um plano sério e eficaz de combate.

O descaso estatal termina por se constituir em uma outra forma de violência. E ele é de tal monta que o Grupo Gay da Bahia, instituição que tradicionalmente, por décadas, compila as notícias desses crimes, tem reiteradamente ameaçado promover denúncia desse ostensivo descaso nacional para com a garantia dos direitos humanos da população LGBT nos fóruns internacional (Comissões de Direitos Humanos da OEA e ONU).

Esperamos que, pelo menos no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, entidade da federação dotada de tantas instituições voltadas para a garantia dos direitos desse segmento populacional, embora que em final de governo, alguma diretriz política séria seja ainda implementada, com vistas não apenas a apuração e penalização dos recorrentes delitos, mas, sobretudo, a sua superação, por meio de campanhas educativas e programas de inserção social e capacitação profissional.

Finalizando, é preciso deixar claro que as pessoas comprometidas com a superação da estigmatização imposta ao segmento LGBT não endossam nem concordam com a atitude da travesti exibida no programa Repórter, ontem, 25/05, pela Rede Globo de Televisão, agredindo um pretenso cliente, visivelmente alcoolizado, sem que o mesmo lhe tivesse agredido e sem condições pessoais de reação. Ainda que seja lícito interpretar aquele incidente como reprodução do ambiente violento a que estão cotidianamente submetidas desde a infância e a juventude, precisamos nos posicionar firmemente contra semelhantes atitudes, que apenas alimentam a espiral da violência e do estigma, em nada contribuindo para a construção da sociedade solidária, fraterna e respeitosa dos direitos humanos, que tanto buscamos.

Eis, na íntegra, a nota Oficial da ASTRA-Rio:


Por favor, Não nos MATEM !!!!!!!!!!!!!!!

Sangue das Travestis assassinadas no Estado formam um Rio deTransfobia!

Os constantes casos de TRANSFOBIA no Brasil,vem ganhando significativa contribuição oriunda do nosso Estado,nos últimos 2 meses,foram contabilizados por esta instituição o trágico numero de SETE Travestis assassinadas em diferentes regiões do Rio de Janeiro.O protagonismo absoluto das Travestis e Transexuais nas estatísticas de todas as pesquisas realizadas sobre violência e discriminação sofrida entre a população LGBT no Brasil, vem agravando-se desde o final de 2009.

O Rio de Janeiro que durante 2009 teve uma significativa baixa nos assassinatos de Travestis e Transexuais, esta sofrendo um aumento desta prática de crimes de ódio.

Em 2010, no período de 13/04/2010 á 23/05/2010 SETE Travestis tiveram sua vidas ceifadas de forma cruel e covarde, embora temos certeza de o número real de homicídios Transfóbicos supera os computados por esta instituição.

No dia 13/04/2010 faleceu na Zona Portuária do RJ a Travesti “Baiana(Ângelo da Costa)” vítima de tiros, dia 20/04/2010 a Travesti “Dandara”moradora de São Gonçalo foi assassinada com vários tiros em Itaboraí no ponto onde trabalhava,dia 22/04/2010 “Ramona” uma jovem Travesti foi assassinada a pauladas na cabeça no bairro Califórnia em Nova Iguaçu,,dia 30/04/2010 a Travesti “Renata” foi assassinada também por espancamento no bairro Jardim Tropical,dia 05/05/2010 a Travesti “Sheila” assassinada com 20 tiros no bairro Jardim Aurora depois da UNIG em Nova Iguaçu ,dia 17/05/2010 a Travesti “Cesar Henrique Vendrame”espancado violentamente até a morte no bairro Paraíso em Resende ,dia 23/05/2010 a Travesti “Taila(José D B dos Santos Júnior)” natural de Itabuna –BA e residente na Lapa foi assassinada e teve seu corpo carbonizado pelo universitário e lutador Leonardo Loeser no bairro do Jardim Botânico Zona sul da capital do RJ.

O expressivo número dos casos,assim como as cruéis e diversificadas formas dos assassinatos, são o penúltimo estágio do grande fluxo de violência a que estão sujeitas Travestis e Transexuais brasileiras.

Fluxo este que inicia-se na infância com a exclusão escolar , o rompimento ou a fragilização do vinculo familiar devido a sua identidade de gênero culminando na fase adulta com a formação de indivíduos na sua grande maioria despreparados técnica e educacionalmente e com dificuldades no acesso ao mercado formal e informa de trabalho fazendo da Prostituição sua única forma de auto-sustento .

A Associação das Travestis e Transexuais do Estado do Rio de Janeiro (ASTRA RIO), organização da sociedade civil organizada de abrangência estadual com associadas em todo o Estado do Rio de Janeiro, cuja missão objetiva: Organizar, associar, representar política e socialmente a população de Travestis, Transexuais e Transgêneros do RJ,vem por meio desta denunciar publicamente estes assassinatos e repudiar expressamente o “JORNAL MEIA HORA” que em sua manchete de capa da edição impressa do dia 24/05/2010 traz o seginte texto:LUTADOR FURRECO FAZ CHURRASCO DE TRAVECO .

Declaramos que a ASTRA RIO é a favor da liberdade de imprensa, mas caso como este é além de inadmissível ,tão cruel e desumano quanto o ato criminoso do lutador, pois caso a sociedade admita uma manchete desse tipo, o próximo passo é uma manchete tipo “Bandidos fazem carne moída de menor” para descrever um caso como o absurdo cometido contra o menor “João Hélio”. Posturas como estas devem ser banidas de veículos que ao invés de levar informação e cultura ao nosso povo agem como verdadeiro manuais de desrespeitos a dignidade humana, PORTANTO NOSSO REPÚDIO AO JORNAL MEIA HORA / RJ.

Ontem dia 24/05/2010 a Presidência da ASTRA RIO ,se reuniu coma Superintendência de Assuntos Individuais Coletivos e Difusos (SUPERDIR) do Governo do Estado,responsável pela execução do Programa Estadual “Rio Sem Homofobia” onde foi protocolado um pedido de verificação dos casos ,onde tais fatos também foram encaminhados ao Conselho Estadual dos Direitos da População LGBT,órgãos que vem desenvolvendo qualificada e constante em prol da cidadania LGBT,um apelo ao Governo do Estado uma resposta para que a apuração e punição dos responsáveis sejam feitas de forma exemplar e agradece a população do Estado do Rio de Janeiro pelas manifestações de apoio, e em especial aos Grupos Árco Íris,Grupo CaboFree e Grupo Conexão G onde estamos juntos na construção de um Ato público .

Todos Unidos por um Rio de Janeiro sem TRANSFOBIA!

Majorie Marchi

Presidente Astra Rio

Vice presidente ANTRA

Vice presidente Conselho Estadual LGBT/RJ

Membro Comitê Garantia de Direitos /SMAS/RJ

Informações: (21) 4104-0927 / (21) 8278-2633

http://associacaodastravestisetransexuaisrj.blogspot.com/

astra.rio@gmail.com