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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

É apenas isso: Que todas as pessoas tenham garantida a sua dignidade

Esclarecedor, esse texto de Ban Ki-Moon, Secretário-Geral das Nações Unidas, publicado na Folha de São Paulo, seção "Tendências/Debates", sobre direitos humanos, cultura, governo e civilidade.

Destaco alguns pontos, mas a leitura integral é sempre a melhor.

"Respeito plenamente os direitos dos povos em acreditar nos ensinamentos religiosos que escolheram. Isso também é um direito humano. Mas não pode haver desculpa para violência ou discriminação, nunca. [...]

Mas só porque a maioria desaprova determinados indivíduos, não dá direito ao Estado de reter seus direitos básicos.

A democracia é mais do que a regra da maioria. Ela exige defesa das minorias vulneráveis diante de maiorias hostis. Os governos têm o dever de desafiar o preconceito, não ceder a ele." (Destaquei)

É isso, simplesmente, o que se busca: O direito que todos nós seres viventes temos a uma vida livre de sofrimento deliberado.

Ainda nos encontramos no patamar civilizatório de lutar para que todas as pessoas possam alcançar a compreensão de que é indigno e cruel pretender, pelas suas crenças pessoais, que outrem não possa desfrutar dos mesmos direitos a uma vida livre de humilhação, escárnio e violência.

Não há fundamento religioso capaz de sustentar, ao mesmo tempo, uma noção de divindade como algo bom, justo e amoroso, e, ao mesmo tempo, sob o mesmo fundamento, pretender que outros, que não professam essa crença, sejam mantidos na posição de párias, de seres abjetos, indignos dos mesmos direitos fundamentais assegurados a todo e qualquer ser humano.

Como bem destacou Ban Ki-Moon, democracia pressupõe o governo onde as minorias, os segmentos vulnerabilizados, sejam protegidos da arrogância e da violência (religiosa, psicológica, moral e física) de segmentos majoritários.

E, dentro desse fundamento democrático, não se pode conceber governos covardes, omissos, que se curvam, servis, diante da intolerância e arrogância desses setores da sociedade.

A função do governante, principalmente do governante democrático, é agir a um tempo como professor e juiz - esclarecendo, conscientizando, informando, mas, também criando mecanismos eficazes para coibir as renintentes práticas de violência e discriminação - porque são comportamentos indignos de um padrão civilizacional desenvolvido.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Assassinato de mulheres trans: CIDH-OEA Condena violações no Brasil mais uma vez

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos emite mais uma condenação das violações de direitos humanos contra LGBTs praticadas no Brasil:

5 de setembro de 2012. – Comunicado 113/12
Washington D.C. – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condena o assassinato de mulheres trans ocorridos nos últimos dias em vários Estados de Brasil. 
De acordo com a  informação recebida pela Comissão, em 25 de agosto de 2012, na cidade de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, encontrou-se o corpo de uma mulher trans de 31 anos de idade, registrada ao nascer como Marcos Roberto de Souza Vieira.

Em 24 de agosto de 2012, na cidade Campinas, Estado de São Paulo, foi encontrado o corpo de uma mulher trans, registrada ao nascer como Robson Franco Pereira, de 26 anos de idade, com sete disparos no rosto e no corpo.

Em 19 de agosto de 2012, uma mulher trans de 25 anos, registrada ao nascer como Tiago da Silva Oliveira, foi assassinada por três tiros no Estado de Pernambuco.

Em 17 de agosto de 2012, encontrou-se o Corpo sem vida e com três impactos de bala de Laryssa Silveira, também identificada com as siglas R.F.S.G, na estrada que conecta Piracicaba com Tietê, Estado de São Paulo.

Em 15 de agosto de 2012, Rafaela, registrada ao nascer como Carlos Eduardo Vasconcelos, de 30 anos de idade, e Isabeli, registrada ao nascer como Abelardo dos Santos Frie, de 24 anos de idade, foram assassinadas com vários impactos de bala em São José do Rio Preto, estado de São Paulo, em situação, na qual outras três mulheres trans acabaram resultando gravemente feridas.

Em 12 de agosto de 2012, uma mulher trans, ainda sem haver sido identificada, foi assassinada por vários impactos de bala, na cidade de Feira de Santana no estado da Bahia. 

A CIDH lembra que é obrigação do Estado investigar de ofício fatos dessa natureza e sancionar àqueles que resultarem responsáveis. A Comissão insta ao Estado a abrir linhas de investigação que tenham em consideração se estes assassinatos foram cometidos em razão da identidade de gênero ou da orientação sexual das vítimas. 

 A Comissão continua recebendo informações sobre assassinatos, torturas, detenções arbitrárias e outras formas de violência e preconceito contra lésbicas, gays e pessoas trans, bissexuais e intersex. Além disso, a Comissão observa que existem problemas nas investigações destes crimes, o que conduz, em parte, a que não se abram linhas de investigações que considerem se o delito foi cometido em razão da identidade de gênero ou orientação sexual das vítimas. A inefetividade da resposta estatal fomenta altos índices de impunidade, os quais, por sua vez, propiciam uma repetição crônica, submetendo vítimas e seus familiares a uma situação de desamparo. 

A CIDH urge ao Estado a adotar ações para evitar e reagir a esses abusos aos direitos humanos e garantir que as pessoas LGTBI possam exercer efetivamente seu direito a una vida livre de discriminação e violência, incluindo a adoção de políticas e campanhas públicas, assim como as reformas necessárias para adequar as leis aos instrumentos interamericanos em matéria de direitos humanos. 

A CIDH é um órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato provém da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A Comissão Interamericana tem o mandato de promover a observância dos direitos humanos na região e atua como órgão consultivo da OEA na matéria. A CIDH é integrada por sete membros independentes, eleitos pela Assembléia Geral da OEA a título pessoal.

domingo, 5 de agosto de 2012

Dia 8 Câmara dos Deputados avaliará Recomendações feitas ao Brasil na RPU-CDH-ONU


O governo do Brasil tem até setembro para se posicionar sobre as Recomendações que lhe foram feitas por ocasião da Revisão Periódica Universal, cujo Relatório final foi divulgado em 25 de maio.

A RPU, como é conhecida, é um mecanismo do Conselho de Direitos Humanos da ONU, criado para avaliação continuada dos países-membros, no que toca à efetividade dos Direitos Humanos em seu território. Anualmente, 48 países-membros são monitorados pelos demais integrantes da ONU. Isso faz com que a cada quatro anos todos os 192 países que formam a ONU sejam avaliados pelos seus pares.

Ela se compõe de fases diversas: elaboração e apresentação de relatórios (por parte do governo e das associações da sociedade civil); diálogo com os outros estados-membros; emissão do Relatório contendo as Recomendações dos países-membros aos países objeto da Revisão; pronunciamento do país avaliado quanto às Recomendações que lhe foram apresentadas (acatamento e rejeição); implementação das Recomendações que se comprometeu a acatar e acompanhamento, pelos países-membros, desse processo de implementação das Recomendações acatadas pelos países alvo da avaliação.  

Mal na fita
O Brasil participou dessa que foi a 13ª RPU e a segunda do país (a primeira em 2008). Segundo a Conectas, "a delegação brasileira foi composta de vários ministérios, além de representantes do legislativo e judiciário”. A delegação governamental, bem entendido. Pela sociedade civil organizada, participaram, entre outras, a Conectas Direitos Humanos, a Justiça Global, a SPW (Observatório de Sexualidade e Política) e a ABIA.

Essas últimas buscaram por meio da elaboração e apresentação do chamado de “relatório-sombra”, apresentar a imagem da situação dos direitos humanos no país do ponto de vista de sua população, principalmente de seus setores mais vulnerabilizados.   

O Relatório Final foi divulgado em 25 de maio. O Brasil recebeu cerca de 170 Recomendações, num espectro que engloba violações de direitos no interior do sistema carcerário; desalojamento de populações no rastro dos megaeventos internacionais (Copa, Olimpíadas); questão indígena; questão quilombola; extermínio praticado pelas forças policiais; questão LGBT; exploração sexual; tráfico de pessoas; assassinato de defensores dos direitos humanos; situação análogas à escravidão, violência de gênero, identidade e orientação sexual e mais tantas outras.

O Vaticano e a Namíbia recomendaram ao Brasil a adoção de ações que vão em linha de colisão com a laicidade republicana e a sua Constituição, pelo que as entidades de direitos humanos pediram ao governo brasileiro a sua rejeição. Especificamente sobre a população LGBT a Finlândia apresentou Recomendação instando o país a garantir o reconhecimento jurídico das conjugalidades entre pessoas do mesmo sexo e a criação de medidas para enfrentar a homo e transfobia.

O governo brasileiro tem até setembro para se posicionar. Cabe aos movimentos e ativistas sociais – ainda mais durante esse período - lutar para fazer com que as recomendações positivas sejam acatadas e implementadas pelo Brasil e aquelas em rota de colisão com o secularismo, rejeitadas.

Audiência Pública
Os deputados Domingos Dutra (PT-MA, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara) e Luiz Couto (PT-PB), que integraram a delegação brasileira, convocaram Audiência Pública para avaliação das Recomendações feitas ao Brasil no Relatório Final da RPU e conhecer as providências decorrentes por parte do governo brasileiro.

A Audiência está marcada para o próximo dia oito, quarta-feira, às 14 horas, no Anexo II, Plenário nove da Câmara dos Deputados. Como "Expositores", figuram, de um lado, a própria Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes; e, de outro,  "representantes de entidades da sociedade civil".

Na parte da manhã haverá um Seminário de Direitos Humanos com o título: "1º Seminário Infância Livre de Consumismo: Por uma proteção legislativa da criança frente aos apelos mercadológicos". - Diante da gravidade e amplitude dos temas objeto da imensa maioria das Recomendações feitas ao Brasil, bem que os nobres deputados poderiam ter pensado assunto de maior relevância. Afinal, um tema como o escolhido ficaria bem se o nosso país apresentasse ótimos níveis de observância dos direitos humanos - o que, lamentavelmente não é o nosso caso.  


Mais do que desejar bons trabalhos aos seus participantes, desejo tenacidade e determinação redobrada aos movimentos e ativistas sociais. Para que avancem, ampliem alianças e contabilizem conquistas, nessa luta de séculos para que este se torne enfim um país justo e fraterno, deixando de figurar como “Campeão Mundial”  em violência, violação de direitos e impunidade.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

RPU-ONU: CDH da Câmara fará Audiência Pública dia oito para avaliar as Recomendações ao Brasil

Como tenho informado, o Brasil tem o prazo até setembro para se posicionar sobre as Recomendações que lhe foram feitas por ocasião da Revisão Periódica Universal - mecanismo da Comissão de Direitos Humanos da ONU para avaliação continuada dos países no que toca à efetividade dos Direitos Humanos em seu território -, cujo Relatório final foi divulgado em 25 de maio.

Os deputados Domingos Dutra (PT-MA, Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara) e Luiz Couto (PT-PB), que integraram a delegação brasileira, convocaram Audiência Pública para avaliação das Recomendações feitas ao Brasil no Relatório Final da RPU e conhecer as providências decorrentes por parte do governo brasileiro.

A Audiência está marcada para o próximo dia oito, às 14 horas, no Anexo II, Plenário nove da Câmara dos Deputados, em Brasília. 

Como "Expositores", figuram a própria Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, de um lado; e, de outro,  "representantes de entidades da sociedade civil".

Na parte da manhã está organizado um Seminário de Direitos Humanos com o tema 1º Seminário Infância Livre de Consumismo: "Por uma proteção legislativa da criança frente aos apelos mercadológicos". 

Para saber mais a respeito, clique aqui.

sábado, 21 de julho de 2012

HIGH PRIORITY ALLERT: Human rights violations against LGBT persons in Brazil are on the rise!!!

HIGH PRIORITY ALLERT:

Human rights violations against LGBT persons in Brazil are on the rise!!!


The Inter-American Commission of Human Rights condemns hate-crimes perpetrated against the community of Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgendered persons in Brazil.

And attacks against LGBT people in Brazil are on the rise.

According to data published by the Secretariat of Human Rights of the Presidency of the Republic or A Secretaria dos Direitos Humanos  (SDH), 278 people were killed because of their sexual orientation or gender identity in 2011.

In 2010, according to the numbers computed by the non-profit organization Grupo Gay da Bahia (GGB), the number of LGBT homicides was 260.

The Inter-American Commission of Human Rights (IACHR) of the Organization of American States  (OAS) has condemned the rising level of homophobia in Brazil for the third time this year.

Meanwhile, president Dilma Rousseff who swore to protect human and civil rights and to further the wellbeing of all Brazilian citizens while in office, remains in total silence regarding this matter.

However, not only the executive branch but also the Brazilian Congress has also not commented on the subject; nor have the president of the Brazilian Senate, nor the head of the Brazilian House of Representatives; furthermore, neither any of the presidents of the different Human Rights Commissions.


Here are some additional primary sources of information.

Please note that the latest related document (in Portuguese only) was obtained today on July 19, 2012, and it is as follows (please see the link right below):

Relatório sobre a Violência Homofóbica no Brasil: o ano de 2011
or
Report about Homophobic Violence in Brazil: the year of 2011.



Further supporting documents previously obtained:
Press release
IACHR Condemns Murder of Gay Adolescent in Brazil
July 16, 2012

Washington, D.C. – The Inter-American Commission on Human Rights (IACHR) condemns the murder of Lucas Ribeiro Pimentel, a 15-year-old adolescent who self-identified as gay, in Rio de Janeiro, Brazil.


Press Release

IACHR Condemns Attack and Murder Based on Perceived Sexual Orientation in Brazil
July 11, 2012

Washington, D.C. – The Inter-American Commission on Human Rights (IACHR) condemns the murder in Brazil of José Leonardo Da Silva, in the context of an attack against him and his brother, José Leandro Da Silva, on the part of persons who perceived them as homosexuals.

Full text here (in English):
http://www.oas.org/en/iachr/media_center/PReleases/2012/084.asp



Press Release

IACHR Condemns Murder of Two Trans Women in Brazil
July 6, 2012

Washington, D.C. – The Inter-American Commission on Human Rights (IACHR) condemns the murder of two trans women during the last week of June 2012 ini Brazil: an unidentified person in Pinhais, Curitiba, State of Parana, and Camila de Mink in Baurú, State of São Paulo.

Full text here (in English):
http://www.oas.org/en/iachr/media_center/PReleases/2012/079.asp


Press Release
IACHR Urges States to End Homophobia and Transphobia

May 17, 2012

Washington, D.C. - On the International Day against Homophobia and Transphobia, the Inter-American Commission on Human Rights (IACHR) urges states to adopt and implement the steps necessary to eradicate discrimination on the grounds of sexual orientation, gender identity and gender expression.

Full text here (in English):
http://www.oas.org/en/iachr/media_center/PReleases/2012/051.asp


EN ESPAÑOL:
Atención: Rita Colaço / Rio de Janeiro, R.J., Brasil

http://comerdematula.blogspot.com.br/2012/07/brasil-comision-interamericada-de.html

terça-feira, 17 de julho de 2012

Brasil: Comision Interamericana de Derechos Humanos condena una vez más asesinato por odio a los LGBTs

En Brasil sigue la intensificación de los ataques de odio contra la población LGBT.

Según un relevamiento del Secretaria de Derechos Humanos de la Presidencia de la Republica (SDH), 278 personas fueron brutalmente asesinadas por razón de su orientación sexual o identidad de género en 2011. 

En 2010, según el relevamiento del Grupo Gay da Bahia (GGB), fueron 260.

La Comision Interamericana de Derechos Humanos de la Organizacion de los Estados Americanos (CIDH- OEA) ha condenado la homofobia en el país ya por tres vezes en este año.



La Presidenta Dilma Rousseff, la primera mujer en la historia de Brasil a ocupar ese puesto, que al asumir el cargo juró proteger los derechos civiles y humanos y promover el bien de todos, sigue en silencio.

El Congreso  tambien se queda en silencio. Ni los presidentes del Senado y de la Cámara de Representantes,  ni los presidentes de los Comités de Derechos Humanos , nadie habla de eso.

Comunicados de Prensa CIDH:
16/07/2012
CIDH condena asesinato de adolescente gay en Brasil
http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2012/089.asp

11/07/2012
CIDH condena ataque y asesinato por orientación sexual percibida en Brasil
http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2012/084.asp

06/07/2012
CIDH condena asesinato de dos mujeres trans en Brasil
http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2012/079.asp

17 de mayo de 2012
CIDH urge a los Estados a poner fin a la homofobia y la transfobia
http://www.oas.org/es/cidh/prensa/comunicados/2012/051.asp

Homofobia: CIDH-OEA cobra ações do Brasil outra vez

 CIDH condena assassinato de adolescente gay

Em 07/07/2012, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA condenou o assassinato de dois travestis - um em Curitiba e outro em Bauru, SP - e cobrou do Brasil a investigação dos crimes e punição dos culpados, de modo a não incentivar a cultura da impunidade. 

Ontem, 16/07/2012, a CIDH volta a emitir outra nota, de conteúdo semelhante. Agora em razão do assassinato de Lucas Pimentel Ribeiro, de 15 anos, cujo corpo foi encontrado em 28 de junho no Rio Paraiba do Sul, em Volta Redonda.

Enquanto isso, a Presidenta Dilma Rousseff, que em seu ato de posse jurou ser uma intransigente defensora dos Direitos Humanos e governar para todos, segue em seu silêncio desqualificador. Nenhuma nota, nenhuma declaração, nada. Passam-se as datas comemorativas para o Movimento LGBT mundial - 17 de maio, dia mundial de combate à homofobia, 28 de junho, dia mundial do orgulho LGBT -, passa a II Conferência Nacional de Políticas Públicas para LGBT e nada. Silêncio sepulcral de parte da primeira mulher a exercer a presidência do Brasil; da mulher que colocou em risco até mesmo a sua vida e integridade, na luta contra a ditadura militar.

A Ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Maria do Rosário Nunes, tambem tem evitado fazer declarações. Limitou-se a mencionar o atentado contra os gêmeos de forma incidental, ao anunciar, em 28 de junho último, a intenção de criar Comitês Estaduais de enfrentamento à homofobia.

Nesse dia, Maria do Rosário antecipou alguns números do Relatório de Violência Homofóbica, resultante de denúncias formuladas perante o Disque Direitos Humanos (disque 100) e o Disque 180, da Secretaria das Mulheres e do Ministério da Saúde, ainda hoje não inteiramente divulgado.

Estranhamente, porém, a noticia constante do portal da SEDH omite o número de mortos:  278. Este número, pela primeira vez apurado  pelo governo federal e a partir de recomendações dos organismos internacionais de direitos humanos,  é maior do que o contabilizado pelo Grupo Gay da Bahia, GGB, que foi de 266. Isso significa que o governo federal apurou 12 homicídios a mais que o GGB, comprovando a tese de que os dados do GGB eram subnotificados.

Segundo a divulgação prévia, entre janeiro e dezembro de 2011, foram denunciadas 6.809 violações aos direitos humanos contra a população LGBT, envolvendo 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos. 

A média de violações diárias no período foi de 18,6.  A maioria dos agressores (61,9%), são conhecidos da vítima. 

O perfil das vítimas é de 34% do gênero masculino, 34,5% do gênero feminino, 10,6% travestis, 2,1% de transexuais e 18,9% não informado. A maioria das denuncias (41,9%), foram feitas ao Disque 100 pela própria vítima.

Embora esses dados alarmantes, pesquise no portal da SEDH e nenhuma menção será encontrada sobre a população LGBT após o dia desse anúncio, ou seja, 28 de junho. Muito embora tenham ocorrido  esses dois assassinatos bastante noticiados pela mídia virtual  - o do gêmeo heterossexual e o do menor em Volta Redonda. 

Na rubrica Disque Denúncia - O que somos, referente ao serviço de denúncia de violações de direitos humanos, este é referido apenas como sendo serviço nacional de denúncias de abuso e exploração contra crianças e adolescentes.

O relatório de 2011 constante nesse portal, contendo os números e tipologia dos crimes denunciados, refere-se unicamente ao "módulo criança e adolescente" ("Relatório Disque Direitos Humanos").

O relatório sobre as violações referentes à população LGBT até hoje não foi divulgado. 

Também o Legislativo é omisso. Nem ao menos os Presidentes das Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado fazem qualquer pronunciamento, exortando o Parlamento para que cumpra as reiteradas recomendações da ONU (CDH, Alto Comissariado e RPU) e da OEA, CIDH.

Nos anos 60 e 70 nosso Congresso era fictício, mero homologador das decisões dos militares. Nos tempos atuais, vemos esse Poder da República deixar-se manter sob o cabresto da ideologia de setores fundamentalistas e totalitários, embora estejamos, formalmente, sob um regime democrático, republicano e constitucionalista. 

Triste. Nefasto. Humilhante.

Vejam a íntegra do Comunicado da CIDH-OEA:

 CIDH condena assassinato de adolescente gay 

16 de julho de 2012 

Washington, D.C. – A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) condena o homicídio do adolescente de 15 anos, Lucas Ribeiro Pimentel, quem se auto-identificava como gay, no Rio de Janeiro, Brasil. 

De acordo com a informação recebida, o corpo de Lucas Ribeiro Pimentel foi encontrado flutuando no dia 28 de junho de 2012, no rio Paraíba do Sul, em Volta Redonda, Estado do Rio de Janeiro. A informação disponível indica que ele teria sido vítima de um roubo, espancado e empalado, e seus olhos teriam sido perfurados. As autoridades policiais informaram que a investigação inclui a hipótese de motivações homofóbicas, além da motivação de roubar.

 A CIDH lembra que é obrigação do Estado investigar de ofício fatos dessa natureza e sancionar àqueles que resultarem responsáveis. A Comissão insta ao Estado a abrir linhas de investigação que tenham em consideração se este assassinato foi cometido em razão da expressão de gênero, identidade de gênero ou da orientação sexual da vítima. Asimismo, la CIDH reitera que el Estado tiene un deber de protección especial respecto de niños, niñas y adolescentes, quienes por su edad se encuentran en especial situación de vulnerabilidad. 

A Comissão continua recebendo informações sobre assassinatos, torturas, detenções arbitrárias e outras formas de violência e preconceito contra lésbicas, gays e pessoas trans, bissexuais e intersex. Além disso, a Comissão observa que existem problemas nas investigações destes crimes, o que conduz, em parte, a que não se abram linhas de investigações que considerem se o delito foi cometido em razão da identidade de gênero ou orientação sexual das vítimas. A inefetividade da resposta estatal fomenta altos índices de impunidade, os quais, por sua vez, propiciam uma repetição crônica, submetendo vítimas e seus familiares a uma situação de desamparo. 

A CIDH urge ao Estado a adotar ações para evitar e reagir a esses abusos aos direitos humanos e garantir que as pessoas LGTBI possam exercer efetivamente seu direito a una vida livre de discriminação e violência, incluindo a adoção de políticas e campanhas públicas, assim como as reformas necessárias para adequar as leis aos instrumentos interamericanos em matéria de direitos humanos. 

A CIDH é um órgão principal e autônomo da Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo mandato provém da Carta da OEA e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. A Comissão Interamericana tem o mandato de promover a observância dos direitos humanos na região e atua como órgão consultivo da OEA na matéria. A CIDH é integrada por sete membros independentes, eleitos pela Assembléia Geral da OEA a título pessoal.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

ONU recomenda promulgar Lei Anti-homofobia


Foi em 17 de novembro de 2011, durante a 19ª Reunião do Conselho de Direitos Humanos (CDH-ONU). Figurou entre as recomendações que o  Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos apresentou no seu Relatório, referente ao estudo determinado pela Resolução 17/19, de 2011. Está na letra "e":

e) PROMULGAR LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO ABRANGENTE, INCLUINDO A  ORIENTAÇÃO SEXUAL E A IDENTIDADE DE GÊNERO ENTRE AS MOTIVADORAS PROIBIDAS; reconhecer a interseção entre todas as formas de discriminação; assegurem que o combate à discriminação em razão da orientação sexual e da identidade de gênero está incluído nas atribuições das instituições nacionais de direitos humanos. (Destaques de minha autoria)

Cabe agora aos setores interessados - no caso as pessoas LGBTs, assassinadas, agredidas, violentadas e humilhadas diariamente - se mobilizar para cobrar do governo brasileiro (executivo e legislativo) a implementação das recomendações da ONU constantes desse Relatório de 17 de novembro de 2011, e, ainda, as recomendações apresentadas pela Finlândia, durante a segunda RPU, realizada entre maio e junho desse ano.

Se acaso as pessoas LGBTs se decidirem por permanecer utilizando-se as redes sociais exclusivamente para mensagens nos estilos auto-ajuda, humor, religião, bichinhos e críticas niilistas, não terão depois porque se queixar  sobre os baixos níveis de eficácia dos direitos humanos em seu país e os sempre ascendentes níveis dos crimes de ódio por orientação sexual e identidade de gênero.
 
 Veja aqui outras recomendações do mesmo relatório:
a) proceder imediatamente a investigações a respeito de todos os assassinatos noticiados e todos os fatos graves de violência motivada pela orientação sexual real ou percebida ou identidade de gênero; tenha eles ocorrido em ambiente público ou privado, praticados por agentes do estado ou não, com a devida apuração da/s autoria/s; e estabeleçam sistemas de registro e notificação desses atos. (Negritos de minha autoria)

b) adotar medidas para prevenção de tortura e outras formas de tratamento cruel, desumano ou degradante, motivadas pela orientação sexual (real ou presumida) e identidade de gênero; e para garantir a  investigação minuciosa de todos os fatos noticiados de tortura e maus-tratos; e para processar e punir os responsáveis. (Negritos de minha autoria)

f) Garantir que as pessoas possam exercer os seus direitos de liberdade de reunião, associação e expressão pacífica com segurança, sem discriminação em razão da orientação sexual e da identidade de gênero.

g) Implementar programas de formação e sensibilização para policiais, agentes penitenciários, guardas de fronteira, oficiais de imigração e profissionais encarregados de aplicação da lei, e apoiem campanhas informação para toda a sociedade visando combater a homofobia e transfobia na sociedade em geral, e específicas para as escolas. (Negritos de minha autoria)

h) Facilitar o processo de reconhecimento legal do gênero de identidade das pessoas transexuais, expedindo os documentos de identificação devidamente retificados, sem violação de outros direitos humanos.

Recorde-se o tratamento que a Presidenta Dilma Rousseff vem dando à questão das violações aos LGBTs, censurando o material paradidático do programa escola sem homofobia (até hoje suspenso), deixando de comparecer à abertura da II Conferência Nacional de Políticas Públicas para pessoas LGBTs - embora tenha participado das demais; silenciando no dia mundial de combate à homofobia (17 de maio), no dia 28 de junho (dia mundial da dignidade LGBT) e também por ocasião da ascensão nos crimes de ódio contra esse segmento da população.

A Ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Maria do Rosário Nunes, tambem tem evitado fazer qualquer declaração. Limitou-se a mencionar o atentado contra os gêmeos de forma incidental, ao anunciar a intenção de criar Comitês Estaduais de enfrentamento à homofobia, em 28 de junho último. 

Embora alguns dos números tenham sido divulgados em 28 de junho, sobre a violência contra a população LGBT, até o momento o Relatório de Violência Homofóbica, resultante de denúncias formuladas perante o Disque Direitos Humanos (disque 100) e o Disque 180, da Secretaria das Mulheres e do Ministério da Saúde, não foi divulgado. E, estranhamente, a noticia constante do portal da SEDH omite o número de mortos - 278, 12 a mais do que o contabilizado pelo Grupo Gay da Bahia, GGB, 266.
Entre janeiro e dezembro de 2011, foram denunciados 6.809 violações aos direitos humanos contra a população LGBT, envolvendo 1.713 vítimas e 2.275 suspeitos. A média de violações diárias no período foi de 18,6.  A maioria dos agressores (61,9%), são conhecidos da vítima. O perfil das vítimas é de 34% do gênero masculino, 34,5% do gênero feminino, 10,6% travestis, 2,1% de transexuais e 18,9% não informado. A maioria das denuncias (41,9%), foram feitas ao Disque 100 pela própria vítima.
Pesquise no portal da SEDH. Nenhuma menção sobre a população LGBT é feita após o dia desse anúncio, ou seja, 28 de junho, embora esses dois crimes violento. 

Na rubrica Disque Denúncia - O que somos, referente ao serviço de denúncia de violações de direitos humanos, este é referido apenas enquanto serviço nacional de denúncias de abuso e exploração contra crianças e adolescentes.

O relatório de 2011 ali constante, contendo os números e tipologia da violência denunciada, refere-se unicamente ao "módulo criança e adolescente" ("Relatório Disque Direitos Humanos").

O relatório sobre as violações referentes à população LGBT até o momento não foi divulgado.

Por parte do Legislativo também nenhuma declaração se vê. 

Sequer os Presidentes das Comissões de Direitos Humanos da Câmara e do Senado se viu algum pronunciamento, exortando o Parlamento para que cumpra as recomendações da ONU, emitidas em 17  de novembro de 2011.

Atualizado em 19/07/2012, 12h45.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Enquanto Dilma se omite, UE atuará pelos LGBTTs em todo o mundo

Enquanto a Presidenta Dilma prossegue em seu silêncio desqualificador sobre as violências praticadas contra travestis, transexuais, gays e lésbicas; enquanto o nosso Congresso se mantem refém da ínfima bancada Evangélica...

De: Todos contra a homofobia, a lesbofobia e a transfobia


Nesta quarta-feira o Parlamento Europeu aprovou Resolução criando a Representação Especial para os Direitos Humanos, com atribuição de lutar contra todas as formas de discriminação - seja deficiência, origem etnica ou racial, orientação sexual ou identidade de gênero. 
Em outras palavras, da mesma forma que deveria também ser aqui no Brasil, dado que nossa Constituição desde 1988 assim o determina. Mas  até os dias atuais, entretanto, o bloco evangélico e católico vem conseguindo impedir a promulgação de lei criminalizadora dessas práticas, como determina o inciso XLI do artigo 5º de nossa Carta Cidadã.

Essa Representação Especial foi criada pelo Parlamento da UE com uma missão prioritária: Garantir a eficácia dos Direitos Humanos das populações de travestis, transexuais, gays e lésbicas emk todo o mundo, em qualquer que seja o lugar em que se verifiquem violações.

Significa dizer que ao invés do tradicional critério territorial, essa Representação Especial, que ficará a cargo da Alta Representante para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Catherine Ashton, atuará a partir de sua área temática.

Segundo os termos da Resolução, ela deverá atuar de maneira "forte, independente e flexível" - precisamente o que não acontece no Brasil, onde, humilhados, vemos as maiores autoridades do Executivo Nacional se submeterem à visão de mundo do bloco teocrata e, assim, acovardadas, não se empenharem na aprovação da Lei Complementar antidiscriminação (PLC 122/06), além de negarem a divulgação e distribuição dos materiais  produzidos (com recursos públicos) para campanhas de combate às práticas discriminatórias motivadas pela homofobia.

Se pronunciaram sobre a sua criação os dois copresidentes do Intergrupo LGBT do Parlamento Europeu. Ulrike Lunacek, felicitou a União Europeia pela decisão, comentando que a UE jamais havia se manifestado de forma veemente contra as violações de direitos em relação à população LGBT.  Na ocasião, Ulrike manifestou-se confiante de que a pessoa a ser escolhida para ocupar o cargo desempenhará as suas funções de maneira postura decidida e forte. Já Michael Cashman insistiu nessa mesma ideia e se mostrou confiante de que Catherine Ashton acertará em sua escolha para o cargo.

Enquanto isso no Brasil, a Presidenta que jurou ser uma intransigente defensora dos Direitos Humanos preferiu - depois da vergonhosa frase que proferiu em maio do ano passado - adotar a política do completo silêncio.

Se omitiu no dia mundial de combate à homofobia (17 de maio), na abertura da II Conferência Nacional de Políticas Públicas para LGBTs e, pelo andar da carruagem, tambem se manterá no mesmo silêncio aviltante daqui a duas semanas, em 26 de junho, quando se comemorará o Dia Internacional de Luta LGBT.

 E o Brasil ainda pretende ser tratado como uma liderança em termos internacionais...

Parodiando o Boca do Inferno, Gregório de Matos, Tristre Brasil!


Referência:
http://www.enewspaper.mx/archivos/71921?utm_source=feedburner&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed%3A+enewspaper+%28eNEWSPAPER%29


quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cumpra as recomendações da Finlândia, Dilma!

Como venho informando, na Revisão Periódica Universal da ONU (RPU-ONU), a Finlândia apresentou recomendações para que o Brasil garanta a igualdade jurídica do casamento entre pessoas do mesmo sexo e adote mecanismos de enfrentamento à homo, lés e transfobia (usualmente referidas como homofobia). 

Essa vitória foi fruto da ação coordenada entre SPW, ABIA, AGBLT e SPI. Os contatos foram com a Finlândia e outros países sensíveis a esta agenda - Finlândia, Noruega "e outros" -, para que esses países apresentassem recomendações no sentido da garantia aos direitos humanos da população LGBTT.

No entanto, Vaticano, Namíbia e Austrália apresentaram recomendações de caráter teocrático e discriminatório. A Conectas e a Justiça Global já se manifestaram publicamente, solicitando ao Brasil sua rejeição.

Segundo ainda a Conectas, ainda há tempo para ações mais intensas por parte da sociedade civil para que o governo brasileiro ACEITE todas as recomendações sobre Direitos Humanos formuladas, a exceção as desses países acima referidos.

Como disse Camila Asano, agora vem o mais difícil, que é conseguir que o governo Dilma se comprometa a ACATAR todas essas resoluções, a exceção das formuladas pelo Vaticano, Namíbia e Austrália.

Veja o relatório-sombra encaminhado pela ABGLT, elaborado em parceria com a SPW e a SRI (Sexual Rights Initiative) aqui.

Veja a íntegra das recomendações, aqui.

Veja as notícias que foram publicadas no portal da SPW sobre o assunto, aqui.

Agradeço a Jandira Queiroz, da SPW, pela socialização das informações. No ensejo, ela apresentou esclarecimento sobre o processo de elaboração do texto lido por Irina Bacci em 07 de março último:

"Quis dizer que ao fim e ao cabo, houve recomendações (críticas) ao Brasil, e o digo em resposta ao seu artigo com críticas à fala da Irina no painel sobre SOGI no CDH-ONU. Ajudamos na construção da fala dela no painel, que tinha como objetivo avaliar a situação e políticas LGBT ao redor do mundo. Irina foi convidada como representante da sociedade civil LGBT global. Também por ser uma pessoa ponderada e correr menos risco de jogar confetes no Brasil ou ser panfletária e focar somente no aumento de assassinatos, ou no veto, ou só em temas nacionais. Não era mesmo essa a intenção, e ela precisava refletir os problemas de países onde nenhuma das recomendações de defesa dos DDHH são cumpridas no que tange LGBTs, e dar exemplos de boas práticas, onde há (como Brasil, Argentina, México...) com vistas a pressionar os Estados mais" em desvantagem no que respeita aos DD HH.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Agora vem O MAIS DIFÍCIL! ONU-RPU Recomenda ao Brasil ações CONTRA HOMOFOBIA e garantias ao CASAMENTO IGUALITÁRIO

Como anunciei aqui há 2 dias, a Conectas divulgou a íntegra das recomendações feitas ao Brasil pela Revisão Periódica Universal, realizada pela ONU, em sede de Direitos Humanos.

Ali pode-se ver na página cinco que a Finlândia apresentou recomendação ao Brasil para que
Finlândia
Recomenda que o Brasil emende sua legislação para garantir o reconhecimento legal para casais do mesmo sexo Recomenda que o Brasil adote medidas para abordar crimes de homofobia e transfobia, incluindo a criação de um sistema para o registro de tais crimes. (Destaquei)
United Nations Webcast - Finland, UPR Report of Brazil, 13th Universal Periodic Review

Agora é preciso ir à luta. Nada vai mudar automaticamente só porque esta recomendação foi feita! 

- Para termos uma ideia bem clara de nossa correlação de forças, basta lembrar a atuação da ABGLT nesse caso.

ABGLT
Tida pela sociedade em geral, pela mídia e até por muitos LGBTTs, como "a" representante do movimento - e, portanto, porta-voz de suas demandas -, a ABGLT nunca cuidou de repassar as informações sobre sua atuação, os mecanismos de denúncia e calendários.

Sempre que é interpelada por qualquer ativista independente, repete a mesma cantilena suicida, divisionista e arrogante: Só tem dever de informar aos membros de suas afiliadas. 

GOVERNO "NOSSO ALIADO"
Diz a Conectas:
No mesmo documento enviado pelas ONGs, é pedido, entre outros, ao governo que publique em português todas as recomendações recebidas durante a sabatina da RPU realizada na semana passada, em Genebra, quando mais de 70 Estados fizeram questionamentos ou recomendações ao Brasil na área de direitos humanos.
 Como qualquer um pode constatar, até hoje o Governo da Presidenta Dilma (aquele que "governa para todos" e "é um defensor ingransigente dos Direitos Humanos")  não moveu uma palha para tornar público todas as recomendações.

CORRELAÇÃO DE FORÇAS
Como disse Camila Asano, agora vem O MAIS DIFÍCIL! é a luta tenaz e determinada para tirar esta recomendação do papel e fazê-la acontecer!


Não nos enganemos: Dentro de um universo de recomendações que engloba violações de direitos no interior do sistema carcerário; desalojamento de populações no rastro dos megaeventos internacionais (Copa etc.); questão indígena; questão quilombola; extermínio praticado pelas forças policiais e tantas outras, tendo a entidade nacional (ABGLT) como um braço do governo federal e o Parlamento obscurantista e reacionário que temos, as coisas não serão fáceis.

NÓS SOMOS AUTORES DE NOSSA HISTÓRIA
Somos NÓS, pessoas autônomas, não submetidas a nenhuma lógica partidária, que teremos - de uma vez por todas - arregaçar os braços, nos unir e partir para a AÇÃO!

Nós, cada um de nós! Terá que atuar decididamente se quiser virar esse jogo! Com a mesma "devoção" com que se torce para um time de futebol! com a mesma paixão, a mesma garra!

- Como?

*Escrevendo emeios à Presidência da República, à Ministra Maria do Rosário, aos deputados, senadores, deputados estaduais, governador, prefeito, vereador!

*Solicitando a eles que apoiem e cobrem do governo federal e do Congresso a sua implementação.

*E àqueles que tem o poder/dever de implementá-las (Presidência da república, Presidente das casas legislativas, das Comissões de Direitos Humanos das mesmas), solicitar que IMPLEMENTEM a recomendação da Finlândia.

*Organizando "tuitaços"

*O calendário das "Paradas" vai começar! Podemos muito bem aliar a alegria, a festa, ao protesto, à reivindicação ostensiva e consciente de nossos direitos. 

*Se você tem uma rede social numericamente significativa, você pode tambem propor uma "vaquinha" para publicar uma matéria paga em página de destaque de algum jornal de circulação nacional. 

*Ou um "out door" em local de grande circulação!

*Ou um anúncio em transportes coletivos (elevadores, ônibus, barcas etc.).

*Um texto bem curto, simples, direto, mas diagramado com o destaque necessário para que seja visto. 

Algo como, por exemplo,
BRASIL: ACOLHA A RECOMENDAÇÃO DA FINLÂNDIA!
LEI CONTRA HOMO, LES E TRANSFOBIA!
GARANTIA AO CASAMENTO IGUALITÁRIO!

*Pode, ainda, querer organizar uma PETIÇÃO PÚBLICA.

*Ou, caso seja editor de alguma publicação, pautar a questão, ou, caso tenha contatos, solicitar que apautem!

*Ou qualquer outra ideia que lhe pareça capaz de chamar atenção do Governo e do Congresso. Afinal este é um ano de eleições!

Como você pode ver, é ilimitada a forma de ação, nesse esforço coletivo para que o Brasil assuma suas resposabilidades e dê prioridade a questão dos Direitos Humanos de sua população de cidadãos LGBTTs, até aqui tratados como cidadãos e cidadãs de segunda classe.

- Só depende de nós!


sábado, 2 de junho de 2012

Finlândia recomendou ao BR garantir casamento igualitário e adotar medidas contra a Homofobia na RPU-ONU

Afirmei na postagem de ontem que no RPU-ONU não havia recomendações ao Brasil no tocante aos Direitos Dumanos de LGBTTs, com base no material que encontrei disponível em pesquisa na internet (geral, Ilga, Conectas, SPW, ONU e ONU Brasil). 

Agora acaba de ser divulgado o arquivo da Conectas com a íntegra das recomendações feitas ao Brasil.

Ali pode-se ver na página cinco que a Finlândia apresentou recomendação ao Brasil nesse sentido:
Finlândia
Recomenda que o Brasil emende sua legislação para garantir o reconhecimento legal para casais do mesmo sexo;
Recomenda que o Brasil adote medidas para abordar crimes de homofobia e transfobia, incluindo a criação de um sistema para o registro de tais crimes.
(Destaquei)

United Nations Webcast - Finland, UPR Report of Brazil, 13th Universal Periodic Review
Claro que poderia ser mais explícita. Por exemplo, ao invés de "abordar" (tratar), poderia ter sido combater. Ainda que seja tímida, porém, não deixa de ser valiosa.

A Conectas informa que "a delegação brasileira foi composta de vários ministérios, além de representantes do legislativo e judiciário, o que consideramos importante para que as recomendações sejam posteriormente implementadas". Informa também que "além [da sabatina realizada por] missões diplomáticas do mundo todo [...] mais de 50 organizações da sociedade civil, incluída a Conectas, encaminharam informação para contribuir na avaliação. (Destaquei)

Seria de se esperar que o portal da ABGLT trouxesse informações a respeito, não? Pois, ademais de sua finalidade imaginada, segundo Irina Bacci, "a ABGLT denunciou o governo brasileiro no RPU".

Não localizei no portal da ABGLT, qualquer postagem referente ao assunto da 19ª Reunião do CDH e seu Painel, tampouco sobre o EPU. Menos ainda se manifestando sobre a recomendação apresentada pela Finlândia, bem como nenhuma censura à formulada pelo Vaticano (ver texto integral ao final desta postagem).

Cumpre, uma vez mais, chamar atenção para o modo como as informações não são socializadas por parte dos integrantes da ABGLT - o conhecimento acumulado (ou popularmente caminho das pedras) é tratado como capital na visão capitalista: - algo para ser acumulado privativamente e utilizado como elemento de distinção em relação aos "outros" (leia-se ativistas autônomos, independentes, ou qualquer que exiba posicionamento crítico).

Nesse compasso, nenhuma informação é socializada no que diz respeito ao funcionamento dos mecanismos internacionais de direitos humanos e sua participação nos mesmos. - Não há contas a prestar ao cidadão comum LGBT, visto que a ABGLT se vê como uma mera associação de Ongs.  O seu "público-alvo" diz respeito meramente à utilização de serviços decorrentes dos projetos que eventualmente as ongs realizem.

Não há a preocupação em informar e conscientizar o conjunto da população LGBT!

Quando foi criticada em razão de sua fala no Painel da 19ª Reunião do Conselho de direitos Humanos da ONU, em 07/03/2012, Irina Bacci respondeu:
todas [as pessoas que fazem parte de minha rede sabem] que esse espaço não era de denúncia e sim de proposições.  O de denúncia é em maio e qualquer ativista pode ir à ONU; há diversas organizações internacionais que tem fundos para isso. Tem que solicitar, comprovar trabalho e esperar ser contemplado. (Destaquei)
O tom é de escárnio e desafio. O desafio de quem dispõe de informações sobre os mecanismos mas não os repassa porque não quer "concorrência" - como não socializou a informação da presença, em 29 de junho de 2010, do Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Disse, ainda: "o painel não era um espaço de denúncia e sim de debate. Minha fala expõe muito o Brasil. [...] [D]denunciar[s] foram feitas nos espaços legitimos, a ABGLT denunciou o governo brasileiro no RPU e para o relatório de violações de ativistas de direitos humanos no Brasil para OEA conforme colocado em minha página hoje." (Destaquei)

Como dito acima, não localizei nenhum texto no portal da ABGLT referente a essa informação de Irina.


 Sem comentários.

Sugiro a todos/as ativistas e organizações independentes formular ao Governo Federal endosso às recomendações apresentadas pela Finlândia, bem como, à exemplo do já efetuado pela Conectas em conjunto com a Justiça Global, solicitação de rejeição às "recomendações feitas pelo Vaticano, Namíbia e Austrália durante a Revisão Periódica Universal (RPU), realizada no dia 25 de maio, no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU em Genebra, na Suíça".

Pois, como disse Camila Asano, coordenadora do Programa de Política Externa e Direitos Humanos da Conectas que acompanhou o debate em Genebra,

"Agora, vem o mais difícil, que é implementar o que se disse ali. O trabalho começa agora. E parte do esforço deve estar focado em fazer com que isso passe também para os estados e municípios em todo o Brasil. Agora, vem a parte mais complicada e importante."


Eis a íntegra do texto das recomendações do Vaticano:
Vaticano
Recomenda manter o compromisso para reduzir a pobreza;
Tomar as medidas adequadas para combater o analfabetismo e garantir a todos os cidadãos o direito à educação, especialmente para as pessoas pobres e aqueles vivendo em áreas rurais e as minorias indígenas;
Proteger a família natural e o matrimonio, formado por um marido e uma mulher, como a unidade básica da sociedade que prove as melhores condições para educar as crianças;
Reduzir a mobilidade e mortalidade materna, infantil e de crianças promovendo medidas de assistência efetivas durante a gravidez e no momento do parto;
Acelerar a o melhoramento dos sistemas judicial, policial e prisional em consonância com os padrões internacionais de direitos humanos;
Combater o tráfico de seres humanos, os “esquadrões da morte”, a violência e a exploração sexual;
Continuar melhorando a condições de vida dos migrantes e refugiados no Brasil;
Melhorar a proteção das crianças, através da luta contra o trabalho infantil, provendo cuidado às crianças que vivem na rua, garantindo a sua educação.
United Nations Webcast - Holy See, UPR Report of Brazil, 13th Universal Periodic Review

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Parabens, Irina! Brasil não é advertido no EPU-ONU sobre ascensão da Homofobia

Até as pedras surradas do Cais da Imperatriz sabem que a violência contra Lésbicas, Gays, Travestis tem aumentado intensamente nos últimos meses. 

Principalmente após a infeliz, destemperada e leviana  fala da Presidenta Dilma Vana Rousseff, em 26 de maio de 2011 (porque sem se dignar a assistir ela própria os filmes sobre os quais falava e decidira unilateralmente vetar, sem ouvir Ministro da Educação ou qualquer especialista que houvesse participado da elaboração do material). 

Destempero e leviandade
Sem que nenhum dos jornalistas pudesse formular qualquer pergunta, a Presidenta simplesmente desatou o verbo. Depois de falar sobre Palocci e o Código Florestal, visivelmente enfurecida e transtornada Dilma decretou que 

o governo não vai, não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais [...] ...isso... Eu não concordo com o kit. Porque eu não acho que faça a defesa de práticas não homofóbicas. Eu não assisti aos vídeos todos. A um pedaço que eu vi na televisão, passado por vocês, eu não concordo com ele. [...] Não haverá autorização para este tipo de política; de defesa de a, b, c ou d. Agora nós lutamos contra hoofobia...

Após tão ignóbil incidente, intensamente comemorado por integrantes da "Bancada Parlamentar Evangélica", viu-se suceder no país uma espiral de crimes de ódio contra esse segmento populacional. 

Tal foi a exacerbação nas práticas violentas contra gays, travestis e transexuais, que a própria Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, divulgou nota afirmando que “a situação é urgente e merece toda a nossa atenção para a promoção de um ambiente de paz e respeito à diversidade” (GAY1, 21/07/2011). 

A Senadora  Marta Suplicy (PT-SP) declarou nesse mês findo: "- As pessoas estão sendo vitimizadas não só em seus empregos, mas quando passeiam, quando se divertem, em todas as situações."

Sem se dar conta, a Presidenta da República terminou por fortalecer a ideia de reacionários, religiosos ou não, que propagandeiam que o Programa Escola Sem Homofobia visa a fazer proselitismo da homossexualidade (!).

Precisão Suiça
Passado quase um ano da funesta decisão presidencial, em março de 2012, dia sete, se realizou, perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, na Suiça,  na sua 19ª sessão, o Painel violência por orientação sexual e identidade de gênero. A pauta geral da Sessão era bastante ampla; englobando todos os aspectos referentes aos Direitos Humanos. A questão da homofobia era uma no meio de tantas.

Mas para o segmento, era de enorme importância, haja vista a diuturna contabilização de mortes e espancamentos. Entretanto, de forma semelhante a ocorrida em 29 de junho de 2010, quando se encontrava no Brasil o Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OEA, a posição do bloco hegemônico dos movimentos LGBTTs foi no sentido de resguardar a imagem do governo.

Se durante a visita do Presidente da Comissão de DD HH da OEA os/as militantes hegemônicos se recusaram a informar ao segmento em nome do qual dizem atuar, durante o Painel na ONU, em março de 2012, o ativismo LGBT-PT (que é o hegemônico) deliberou manter sua fidelidade com o partido e o governo, em detrimento da realidade vivida pelos cidadãos LGBTT.

A fala da ativista designada cuidou de, embora mencionasse a situação de violência, não aprofundar-lhe o processo de agudização em curso, suas causas e táticas de ação. 

Nenhuma palavra sobre o veto aos filmes paradidáticos do Programa Escola Sem Homofobia. Nenhuma palavra sobre a causa eficiente para a inviabilização da aprovação de lei complementar à Constituição da República, sancionando as práticas discriminatórias em face da orientação sexual e da identidade de gênero. Nenhuma palavra sobre o absurdo crescimento dos crimes de ódio contra essa parcela da população brasileira e o peso simbólico que a destemperada fala da Presidenta da República em 26 de maio de 2011 teve nesse processo. Nenhuma palavra sobre o governo haver se deixado manietar pelas forças obscurantistas religiosas.

Limpinha, sua fala optou pela generalização, enfocando "todos os estados". E dado que quem mostra as árvores da floresta, não exibe suas raízes,  Irina após sua tomada geral, enquadrou todas as conquistas do Estado brasileiro, segundo o seu (exclusivo) entendimento (e, parece, de sua "rede"):
Quero lembrar aqui que na minha região, países como a Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia o casamento civil entre pessoas adultas do mesmo sexo é permitido e na cidade do México, capital do México também é permitido (Destaquei). Outras leis de promoção da cidadania de LGBTI são discutidas na região.
No Brasil muitos ganhos foram conquistados desde 2006, primeiramente com a criação do Programa Brasil Sem Homofobia, depois com a convocação inédita no mundo da I Conferência Nacional de Políticas Públicas e Promoção da Cidadania LGBT, cujo os resultados criaram o Plano Nacional de Promoção da Cidadania de LGBT. (Destaquei) Também no âmbito brasileiro, como resultado da primeira conferência criou-se a política nacional de saúde da população LGBT, o decreto do então Presidente Lula que institui o Dia Nacional de Combate a Homofobia em 17 de Maio, a criação da coordenadoria nacional LGBT na estrutura da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, a instituição e posse do Conselho Nacional LGBT no qual sou presidente e recentemente, a realização da II Conferência Nacional LGBT. (Destaquei)
Esqueceu-se de avaliar quais dessas iniciativas tornaram-se ações efetivas e o peso que (acaso) tiveram no combate (?) e redução (?) das práticas de violência e discriminação.

Diversos ativistas independentes criticaram a fala de Irina Bacci. A ativista que trocou a denúncia firme, independente e autônoma (realizada por Navy Pillay e Ban Ki-moon), por uma postura servil ao seu governo, rebateu. 

Irina disse que sua fala no Painel não era enquanto integrante do Conselho Nacional LGBT ou do Governo (!). 

Embora na introdução de seu pronunciamento afirme que se dirige ao Conselho de DD HH da ONU "como ativista de direitos humanos, representante da sociedade civil", respondeu às críticas declarando que falava apenas enquanto portadora de um curriculum vita (!). - Como se fosse possível ignorar o seu papel de especialista a serviço do governo, e não dos reais interesses da comunidade LGBT.

Ainda que cause espanto semelhantes afirmativas, posto que enquanto especialista, se autônoma fora, deveria ter apresentado um PAINEL da situação REAL E CONCRETA vivida no Brasil pelos LGBTTs, Irina disse mais.  

Disse ainda que aquele PAINEL não era em absoluto um espaço para denúncias - ou por outras palavras, para a apresentação de um retrato das ações empreendidas ou deixadas de empreender pelo Estado brasileiro e a realidade sociojurídica vivenciada pelo segmento. 

Para ela, como "todas [as pessoas que fazem parte de minha rede sabem] esse espaço não era de denúncia e sim de proposições."

Quem sabe talvez Irina se olvidara, em decorrência da altitude dos Alpes, do significado do termo Painel

É bem verdade, porém que, se quisesse, poderia, antes de semelhante assertiva, comparar a atuação de outros painelistas na mesma ONU, como, por exemplo, aqui (primeiro parágrado da página dois).

Ainda respondendo as críticas, Irina afirmou que "qualquer ação tem que ter o objetivo principal de produzir bons resultados e isso foi alcançado." 

Bons resultados
Hoje, passados dois meses e poucos dias, podemos conferir os BONS RESULTADOS ALCANÇADOS PELA PARTICIPAÇÃO DE IRINA BACCI NA 19ª REUNIÃO DO CONSELHO DE DIREITOS HUMANOS DA ONU, PARA OS LGBTTs BRASILEIROS: 

Dado que a principal painelista brasileira - porque "ativista", "especialista" e "representante da sociedade civil" - preferiu dar a egípcia sobre a espiral ascendente de crimes homo, lés e transfóbicos em curso no Brasil  após a posse do governo a que serve, não seria a Ministra Maria do Rosário que o faria. Assim, apresentado o resultado do Exame Periódico Universal realizado pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, realizado dia 25 de maio na mesma Genebra, nenhuma recomendação é feita ao Brasil no tocante às (in)ações do Estado brasileiro referentes ao enfrentamento da Homofobia!  

Aliás, nenhuma palavra é mencionada no relatório do EPU-ONU no que se refere ao aumento da violência homofóbica, que chegou ao descalabro de atingir a marca de um ataque a cada dois dias, segundo o GGB. 

Dizendo melhor, nenhuma palavra é mencionada em relação a esta população específica. Veja aquiaqui e aqui.

Mas, como em política não existe espaço vazio, já que o nosso valoroso movimento hegemônico LGBT (PT) não cumpriu o seu papel nem no Painel nem tampouco durante o EPU, o Vaticano e a Namíbia não deixaram por menos

O Vaticano recomendou ao Brasil proteger a "família natural e o matrimônio, formado por um marido e uma mulher, como a unidade básica da sociedade que provê as melhores condições para educar as crianças". Já a Namíbia, recomendou que o Brasil "continue o programa de educação religiosa nas escolas públicas". 

E, dado que as cidadãs e os cidadãos travestis, transexuais, lésbicas e gays não possuem nenhuma entidade capaz de defender os seus direitos humanos perante os organismos internacionais com autonomia e independência, restou à Conectas e à Justiça Global requerer AO ESTADO BRASILEIRO a REJEIÇÃO de tais recomendações:

A ONGs Conectas e a Justiça Global pediram hoje (29/05), em carta enviada à Missão do Brasil em Genebra e à Secretaria de Direitos Humanos, que o Estado brasileiro rejeite as recomendações feitas pelo Vaticano, Namíbia e Austrália durante a Revisão Periódica Universal (RPU), realizada no dia 25 de maio, no Conselho de Direitos Humanos (CDH) da ONU em Genebra, na Suíça.

Agora, só nos resta dizer:

Parabens, Irina Bacci, você cumpriu o seu papel muito bem!!! Você e todos os demais de sua rede de militância.

Qui nem, qui nem...
Na contramão de nossos líderes e representantes brasileiros, por exemplo,
Anna Kirey, militante que vem denunciando as condições de vida em países da antiga União Soviética, desde 2010:
Bjorn van Roozendaal, da COC-Netherlands,organização dos Países Baixos, colocou minha organização, a Labrys, em contato com IWRAW Asia Pacific, e este contato facilitou muito nosso acesso ao processo de elaboração do relatório. A Sexual Rights Initiative (SRI) foi essencial e facilitou muito nossa aproximação ao processo da RPU. A SRI nos ajudou a redigir relatórios, a desenvolver atividades de lobby e a participar das sessões da RPU. Juntos, Labrys e Sexual Rights Initiative elaboraram os relatórios sobre os direitos sexuais no Turcomenistão, Uzbequistão, Cazaquistão, Azerbaijão e Quirguistão.
É ela quem explica um pouco como é o processo:

Para reunir informações sobre esses dois países (em 2010), tivemos que analisar uma grande quantidade de dados secundários, além de confiar nos poucos testemunhos coletados “in loco”. A Sexual Rights Initiative e a COC–Netherlands nos auxiliaram a participar das sessões em que fizemos intervenções. A IWRAW –Asia Pacific apoiou nossos esforços de “lobby” em favor do Quirguistão. Creio que nosso maior desafio foi conseguir com que missões de diferentes países incluíssem nossas recomendações, porque elas possuem suas próprias agendas políticas. Podemos passar horas falando com o representante de uma missão e, mesmo assim, nossas recomendações não serem incluídas. Este processo de convencimento tem de começar, no mínimo, um mês e meio antes da revisão do seu país.  (Destaquei)
Saiba mais sobre o EPU - ONU:

ILGA - A Revisão Periódica Universal (RPU) é uma nova ferramenta utilizada pela ONU desde 2006 para monitorar o respeito aos direitos humanos nos países-membros. A cada ano, 48 países são analisados por seus pares. Em um período de quatro anos, todos os 192 estados-membros terão sido analisados. Esta revisão consiste em quatro etapas principais: elaboração de relatórios; diálogo interativo com outros estados-membros; adoção das recomendações;implementação e acompanhamento. Os diferentes procedimentos envolvem os Estados, organizações não-governamentais locais e internacionais, órgãos que atuam no campo dos direitos humanos e outros interessados no assunto. Em 2010, a 8a sessão da RPU analisou o Quirguistão e 15 outros países. Os relatórios das organizações não-governamentais devem ser enviados sete meses antes da sessão da RPU. Revisão Periódica Universal
A RPU é um mecanismo do Conselho de Direitos Humanos da ONU para monitorar regularmente o cumprimento, por parte de cada um dos 193 Estados-Membros da ONU, das suas obrigações e compromissos sobre os direitos humanos. Trata-se de um processo de revisão entre Estados, a que todos os Estados-Membros das Nações Unidas são submetidos a cada quatro anos e meio, com o objetivo de melhorar a situação dos direitos humanos nos países.
Uma parte importante desta revisão é o encontro de três horas e meia no Grupo de Trabalho sobre a RPU entre o Estado, observadores e os Estados-Membros participantes. Durante este debate, os Estados-Membros podem fazer perguntas e recomendações ao Estado em revisão. O resultado da revisão será um relatório que contém um resumo do processo de revisão, as conclusões e/ou recomendações, além dos compromissos voluntários assumidos pelo Estado em questão. (Destaquei)