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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Por uma Frente Ampla em Defesa dos Princípios Constitucionais

Carta de Brasília

Manifestamos nossa disposição em ajudar a construir uma Frente ampla com movimentos sociais, feministas, jovens, intelectuais, artistas, sindicalistas, militância de diversos partidos e setores religiosos progressistas que se disponham a articular ações de resistência à agenda reacionária e afirmação dos valores democráticos, contra a intolerância, pela laicidade/secularidade do Estado, pelas políticas afirmativas e pela consolidação das políticas sociais

Reunidos e reunidas de 22 a 24 de junho de 2015, nós, ativistas de direitos humanos, gestores e gestoras públicos (as), pesquisadores (as), militantes de diversos partidos políticos, comprometidos (as) com a luta pelos direitos da população de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), discutimos a situação nacional, a ofensiva conservadora e as alternativas para avançar na criminalização das discriminações e violências em razão da orientação sexual e identidade de gênero. A síntese dos nossos debates é a que segue: 

Em 1988, foi promulgada a Constituição Federal democrática brasileira, pondo fim ao período ditatorial e instituindo a garantia dos direitos individuais e coletivos, a proibição de todas as formas de discriminação e a construção de políticas públicas; 

Desde então, vimos a criação e consolidação de leis e políticas e proteção às mulheres, crianças e adolescentes, população negra, pessoas com deficiência, idosos (as), indígenas, juventude. Nesta trajetória de acúmulos e avanços, foi fundamental a garantia dos princípios do Estado Laico/Secular, da pluralidade política, da liberdade religiosa e da democracia participativa; 

O movimento social que luta por direitos iguais para pessoas LGBT obteve algumas vitórias nestas quase três décadas. No âmbito do Poder Executivo, ocorreram duas Conferências Nacionais LGBT e foram instituídas políticas e planos LGBT em diversas instâncias e governos. O Poder Judiciário tem afirmado sistematicamente os direitos civis LGBT, a exemplo do Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a união estável entre pessoas do mesmo sexo, e do Conselho Nacional de Justiça, que assegurou o casamento civil; 

Contudo, nos últimos anos, temos assistido ao crescimento de forças reacionárias que se opõem sistematicamente às políticas afirmativas e de promoção dos direitos das mulheres, LGBT, negros (as), dentre outros; 

O Brasil atravessa uma verdadeira onda reacionária: um momento grave e delicado no que diz respeito ao projeto de nação livre, justa e solidária, que promova o bem de todos e todas, sem preconceitos de qualquer natureza, na qual o valor civilizatório dos direitos humanos se constitui o paradigma norteador. Sem dúvida, o período de maior ascensão das forças obscurantistas, desde as lutas em favor da redemocratização; 

É visível a influência que o fundamentalismo religioso exerce na esfera dos Poderes Legislativo e Executivo. Com um discurso muitas vezes agressivo, parlamentos são transformados em púlpitos religiosos. Programas em concessões públicas de rádio e TV são utilizados como instrumentos de propagação de discursos de intolerância e ódio contra LGBT e aos praticantes de religiões de matriz africana, principalmente; 

Da atual legislatura da Câmara dos Deputados, emergem o protagonismo e iniciativa política de uma agenda globalmente reacionária e regressiva; 

Tais segmentos ignoram que o Estado é Laico/Secular, não devendo este estabelecer quaisquer formas de dependência ou aliança com nenhum culto religioso ou igrejas. A liberdade religiosa só se efetiva, de fato, com o pleno respeito à laicidade/secularidade do Estado; 

Se o objetivo anterior de parlamentares fundamentalistas era barrar iniciativas favoráveis aos direitos sexuais e reprodutivos e às políticas pró-LGBT, agora sua agenda é expressa e ostensivamente regressiva com o objetivo de retirar conquistas, por meio de proposições de projetos, tais como: “Estatuto da Família”, que não reconhece a diversidade das famílias brasileiras; “Dia do Orgulho Hétero”; “Cura Gay”; a supressão da categoria de gênero nos Planos Municipais e Estaduais de Educação, a proibição, nas Leis Orgânicas Municipais, de se discutir a desigualdade de gênero e o tema de orientação sexual, a redução da menoridade penal, além de buscarem o direito para que associações religiosas possam propor ações de inconstitucionalidade; 

Nesse momento, portanto, a prioridade de todos(as) os(as) democratas e ativistas pelos direitos humanos deve ser combater e barrar essa ofensiva que busca retirar direitos e atenta contra os fundamentos do estado brasileiro, conforme fixados em cláusulas pétreas em nossa Constituição; 

Manifestamos nossa disposição em ajudar a construir uma Frente ampla com movimentos sociais, feministas, jovens, intelectuais, artistas, sindicalistas, militância de diversos partidos e setores religiosos progressistas que se disponham a articular ações de resistência à agenda reacionária e afirmação dos valores democráticos, contra a intolerância, pela laicidade/secularidade do Estado, pelas políticas afirmativas e pela consolidação das políticas sociais; 

De acordo com o Relatório da Associação Internacional LGBTI – ILGA (Homofobia Estatal), 34 Estados membros da ONU criminalizam as violências e discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, seja como tipo penal específico, seja como circunstância agravante de outros tipos penais: no continente europeu, são 24 países; na América Latina, 7 países. A mobilização decorrente de crimes com grande repercussão permitiu a aprovação da lei em vários desses países. De igual modo, ONU e OEA possuem resoluções conclamando seus Estados membros a punirem tais discriminações e violências. Cumpre, aliás ressaltar que o Brasil é considerado o país que mais mata LGBT no mundo; 

Nesse sentido, conclamamos o Congresso Nacional a quitar a dívida histórica que tem com a população LGBT e aprovar uma lei que torne crime o ódio, o preconceito, a violência, discriminação e a intolerância contra essa população, equiparando-os ao crime de racismo. Na mesma direção, esperamos que a presidenta Dilma reafirme seu compromisso de campanha e engaje o Governo Federal na aprovação deste marco normativo. 

Brasília, 24 de junho de 2015.

Alessandro Melchior – Coordenação Municipal LGBT da cidade de São Paulo
Alexandre Bogas – Acontece LGBT Florianópolis / ABGLT
Ana Paula do Amaral – Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
André Juquinha - Diversidade Tucana André Lopes – LGBT / PCdoB
André Pomba – PV Diversidade
Andrey Lemos – Departamento de Apoio à Gestão Participativa / SGEP / Ministério da Saúde
Carlos Magno - ABGLT
Carlos Tufvesson – Sociedade Civil
Cecília Froemming - Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Cláudio Nascimento – Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Estado de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos do Governo do Rio; Coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, membro do Fórum Nacional Gestores e Gestoras da Política LGBT e do Comitê Nacional da SDH de Gestores e Gestoras LGBT
Dimitri Sales – Instituto Latino Americano de Direitos Humanos
Douglas Miranda – Secretaria de Direitos Humanos de Minas Gerais 
Eliseu Neto – PPS Diversidade
Frederico Sáter - Instituto Brasileiro de Transmasculinidades
Gabriela Rondon – ANIS – Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
Heliana Hemetério – ABGLT
Irina Bacci – Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Julian Rodrigues – Movimento Nacional Direitos Humanos/SP
Juliana Gomes Miranda – Diretora de Promoção dos Direitos Humanos da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Julio Moreira – Grupo Arco-Íris / ABGLT
Léo Mendes – ARTGAY
Leonardo Bastos - Instituto de Cidadania e Juventude – MS / Fórum Nacional de Gestoras e Gestores Estaduais e Municipais de Políticas Públicas para a População LGBT
Lucas Siqueira Dionisio – Grupo Dignidade
Luciano Freitas – Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Pernambuco
Luciano Palhano – Instituto Brasileiro de Transmasculinidades
Marcelo Colafemina – Eleições Hoje
Marcelo Nascimento – Setorial LGBT do Partido dos Trabalhadores
Marisa Fernandes – Coletivo de Feministas Lésbicas
Montserrat Bevilaqua – mandato senadora Marta Suplicy
Otávio Oliveira – Secretário Nacional do LGBT Socialista - PSB
Paulo Iotti - Grupo de Advogados pela Diversidade Sexual e de Gênero
Rafael Kirchhoff – Ordem dos Advogados do Paraná / Grupo Dignidade
Renan Palmeira – Movimento do Espírito Lilás
Renan Quinalha – Advogado de direitos humanos e doutorando (USP)
Renato Almada – mandato deputado federal Wadih Damous
Rita Colaço – Doutora em História Social e Mestre em Política Social– UFF, Bacharel em Direito, UFRJ / Pesquisadora / Blogueira
Sérgio Carrara – Universidade Estadual do Rio de Janeiro
Sônia Martins – Mães pela Diversidade
Symmy Larrat – Coordenação Nacional LGBT da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
Todd Tomorrow – Pedra no Sapato 
Toni Reis – ABGLT / Instituto Brasileiro de Diversidade Sexual
Victor De Wolf - ABGLT
Wellington Araújo Alves – Grupo Guará
Welton Danner Trindade – jornalista e ativista
Wesley Francisco – ABGLT / Fórum Baiano LGBT

Se você tem entendimento semelhante, assine conosco aqui e replique para a sua rede pessoal, com uma mensagem explicando as suas razões.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Precisamos de todos - Em defesa do Secularismo e dos Direitos Humanos

Nós, dos movimentos LGBTs, reunidos em Brasília semana passada, após analisar a conjuntura de ascensão do fundamentalismo e suas implicações, em termos de retrocesso ao projeto de nação justa, fraterna, solidária e sem discriminação de qualquer natureza e por qualquer motivo, inscrito na Constituição de 1988, conclamamos todas as pessoas comprometidas com os Direitos Humanos como valor civilizatório universal para que se enganjem numa ampla frente em defesa do secularismo e dos Direitos Humanos e solicitamos que o Congresso Nacional cumpra a determinação prevista na Constituição da República, artigo 5º, inciso XLI, e inclua "orientação sexual" e "identidade de gênero" na lei antirracismo, que também pune discriminação religiosa.

Se você entende que a conjuntura é grave para o futuro de nosso país e o pleito justo, pedimos a sua assinatura em nosso manifesto (aqui, Carta de Brasília) e o repasse desse pedido às suas demais redes de relacionamento.

A carta-manifesto está disponibilizada no portal da Avaaz, no link seguinte:
https://secure.avaaz.org/po/petition/Congresso_Nacional_Brasileiro_Aprovar_lei_que_torne_crime_a_discriminacaoe_violencia_contra_LGBT/?Day2Share

Saudações seculares!