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domingo, 29 de setembro de 2013

Cinecicle.Ciclecine - Pela democratização do acesso à informação, à história e à cultura



Reinventar a Ágora
A idéia de projetar filmes nas ruas é antiga de anos. A proposta sempre foi produzir reflexão sobre temas da atualidade e da cidadania, rompendo com a pasteurização, o elitismo e a atomização privada. Em outras palavras, reocupar os espaços públicos, reinventar a Ágora. Tentei materializá-la algumas vezes, por ocasião de eventos dos movimentos LGBTs - Maio, quando se tem o Dia Mundial de Combate à Homofobia; ou Outubro, quando se realiza a Parada do Orgulho do Grupo Arco-Íris, na cidade do Rio de Janeiro. Este ano de 2013, em março, propus outra vez a idéia, agora dentro de uma movimentação de feministas lésbicas que trabalhavam pela organização de um núcleo de ativismo na Lapa. O coletivo não avançou, mas serviu para que eu iniciasse a operacionalização da antiga proposta, que recebeu os nomes de Ciclecine / Cinecicle. Algumas pessoas trouxeram o seu incentivo e a sua contribuição e segui em frente, assumindo o custeio de quase cem por cento do projeto.


Protótipo inicial
Em maio ele foi às ruas diversas vezes, ainda que em fase de ajustes técnicos (que não foram poucos). O vídeo do Dia Nacional de Visibilidade de Pessoas Trans, do PNUD, ONU, foi o primeiro a ser exibido - nos Arcos da Lapa, onde se realizou a maior parte das projeções. 

Solanas no Arco dos Arcos
Vieram outras: "A Hora de Los Hornos", de Pino Solanas (11/08/2013); "Sou Mulher, Sou Brasileira, Sou Lésbica", de Vagner de Almeida, em 28 de agosto, mês da Visibilidade Lésbica (apresentado pela primeira vez em 20 de julho, no Pedalembando + Ocupa Lapa, mas com problemas na saída do som). Em julho, retornando de férias, criei a página no Facebook (https://www.facebook.com/cinecicle.ciclecine), visando melhor divulgação da proposta. 

Foto: André Camilo
Fotos: André Camilo
O contato com o Coletivo Projetação viabilizou a parceria no Projetaço de 7 de setembro – projeções na Cinelândia, no Ocupa Câmara e na Praça São Salvador, RJ. Em 14 de setembro foi a vez de o Projetação apoiar a iniciativa do Cinecicle.Ciclecine e juntos exibimos o documentário "A Batalha do Chile III -  O Poder Popular", de Patrício Guzmán, nas escadarias da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, na Cinelândia, no Ocupa Câmara. 

Apoio aos professores, na ALERJ
No dia 21  levou o seu apoio à Ocupação realizada pelos Professores na ALERJ, exibindo material da categoria (vídeo documentário da anterior campanha do Sepe/RJ e da luta dos professores mexicanos).

O equipamento segue sendo ajustado, até que atinja o ideal de qualidade, funcionalidade e mobilidade. Várias pessoas espontanea e solidariamente já trouxeram a sua ajuda, na forma de conhecimentos técnicos, estímulo e divulgação – entre essas destaco os coletivos Projetação e Ocupa Câmara. 

Ainda são necessárias outras formas de colaboração para viabilizar o desenho final do equipamento – o desenho e a sua construção –, o que envolve a substituição da fonte de energia (de bateria automotiva para naval, trazendo maior eficiência na autonomia de uso) e da caixa amplificadora (de madeira para fibra de vidro, com ganhos fundamentais em redução do peso), a aquisição de microfone sem fio, além da construção de módulo para abrigar os equipamentos (amplificadores, fonte reversa, mesa de som, auto-rádio).

A idéia é que o seu desenho final permita sua mobilidade tanto através do triciclo, quando por meio de motocicleta e automóvel. 

Em breve será iniciada captação, através do portal www.benfeitoria.com/cinecicle.ciclecine, para viabilizar a finalização do projeto. Espero poder ter você entre as pessoas / entidades apoiadoras. 


Veja e curta mais informações, fotos e vídeos na página do projeto no Facebook: 
https://www.facebook.com/cinecicle.ciclecine

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vitória na Audiência Pública: A EBC se Compromete a Veicular Matéria Educativa Sobre Orientação Sexual e Identidade de Gênero

Como anunciado, hoje se realizou a I Audiência Pública promovida pelo Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação, responsável pelas emissoras públicas de rádio e televisão.

O histórico auditório da Rádio Nacional, no edifício A NOITE, igualmente emblemático na geografia arquitetônica e cultural da cidade do Rio de Janeiro estava lotado - isso mesmo, lotado, inclusive com pessoas de pé.

A presença não foi apenas expressiva, mas, também, representativa, ainda que se notasse um reduzido número de mulheres. Dentre as presentes, no entanto, muitas ocupavam funções significativas - Teresa Cruvinel, Diretora-Presidente da EBC, Taís Ladeira, Gerente Regional de Brasília, Sofia Hammoe, Gerente Regional da Amazônia, Ima Vieira, Presidente do Conselho e da mesa, além de diversas jornalistas, uma representante do movimento de moradores sem teto...

O evento contou com a tradução simultânea na linguagem brasileira de sinais (LIBRA) e foi transmitido ao vivo pela internet, além de ter sido organizado um bate papo igualmente em linha que contou com um grande número de participantes.


Muitas e significativas foram as sugestões apresentadas. Como cheguei já do
meio para o final da participação do público presente sobre o tema Televisão Brasil, não tive oportunidade de fazer uso da palavra, que reservei para o momento de discussão sobre as emissoras de rádio.

Chamada a falar, pontuei a dificuldade em ouvir a Nacional AM, tendo em vista os aparelhos receptores, atualmente, sairem de fábrica com recepção apenas para FM, sugerindo se considerasse a possibilidade de transmitir o conteúdo da Nacional AM também em FM.

Destaquei a necessidade de se desenvolver melhor o conteúdo de programação para o público da terceira idade - a geração que acompanhou os seus tempos áureos está viva e merece melhor carinho na montagem da grade da programação.


Atualmente a emissora dispõe de dois grandes programas dirigidos a esse público e a outros que gostam da música popular brasileira dos anos trinta aos anos sessenta do século passado, aproximadamente.

Trata-se dos programas Rádio Memória, do Gerdal dos Santos e o Histórias do Frasão, levados ao ar respectivamente sábado e domingo pela manhã (o último, com reprise na segunda-feira à noite). Há, ainda, o recém lançado programa Puxa o Fole, do Jorge Sergival, igualmente transmitido uma vez por semana. No entanto, ressente-se o público idoso de ser contemplado na grade de programação de qualquer emissora - seja de rádio, seja de televisão, apesar de sua cada vez maior participação na formação demográfica da sociedade nacional.

Outro aspecto que pontuei foi a necessidade de a emissora contemplar em sua grade de debates, os temas da orientação sexual e da identidade de gênero, contribuindo, assim, para o processo de inclusão social dessa população, por meio da desmistificação dos temas, com o que se estaria, enfim, cumprindo o Programa Brasil Sem Homofobia e as diretrizes emanadas da I Conferência Nacional de Políticas Públicas para Gays, Lésbicas, Transexuais, Travestis e Bissexuais.


Findas as participações dos presentes, o representante da EBC reconheceu a necessidade de a emissora dedicar maior atenção aos ouvintes mais idosos, criando uma maior e mais representativa grade a eles destinada.


Mas, sem dúvida, o que de melhor, em minha opinião, falou o Orlando Guilhon, Superintendente de Rádio da EBC, foi que, sim, a divisão de Rádio da EBC irá contemplar em sua programação as temáticas da orientação sexual e da identidade de gênero. Essa foi, sem dúvida nenhuma, uma grande vitória para todxs nós!


Outras notícias igualmente relevantes:

A divulgação de que haverá um intercâmbio entre as programações produzidas pelas diversas emissoras - Rio de Janeiro: Nacional AM , Rádio MEC AM, Rádio MEC FM; Brasília: Rádio Nacional AM (criada 2 anos antes da Capital, justamente para poder transmitir as notícias sobre a sua construção), Nacional FM, Rádio MEC AM; Amazônia: Rádio Nacional da Amazônia OC, Rádio Alto Solimões AM -, com o que se contribuirá para efetivamente integrar culturalmente as diversas regiões do país;

a transmissão, para muito em breve, do programa GARIMPO, com música de todo o Brasil, apresentado por Cláudio Jorge, do Conjunto Época de Ouro. É aberto à participação popular (no auditório da emissora, aqui no RJ) e de produção independente.
Também anunciou-se a transmissão de programa, na rádio MEC, sobre as Bandas de Música. Igualmente para breve foi anunciada a transmissão do programa ROLÉ COMUNITÁRIO, com conteúdo produzido pelas rádios comunitárias e por oficinas de capacitação.

Finalizando, foi informada a criação de um comitê para analisar todas as propostas apresentadas e que as mesmas serão compiladas e disponibilizadas no sítio da Empresa.

As contribuições por e-mail e através do bate papo em linha igualmente serão consideradas.

Como imaginasse não fosse conseguir chegar no horário, tive o cuidado de enviar, por e-mail, para o Ouvidor Assistente, Fernando, minhas sugestões. Além das aqui citadas, mencionei ainda a inclusão, no programa DOC TV, de documentários que contemplem a temática de orientação sexual e identidade de gênero, preferencialmente elaborados contemplando a nossa realidade.

Pelo que foi informado pelo Superintendente de Rádio, é de se presumir também o setor de televisão da EBC tenha a mesma sensibilidade para a relevância social dos temas que tlevei àquela Audiência Pública.

Foi muito emocionante para quem, como eu, nasceu, passou a infância e a juventude sob um regime político e cultural extremamente autoritário e avesso à participação popular, participar desse processo de democratização, de controle democrático dos veículos públicos de comunicação. Também a minha mãe, com os seus 88 anso recém completados, se emocionou. E não apenas de estar ali presente, mas, sobretudo, por estar naquele espaço sagrado da memória e cultura popular - o Auditório da gloriosa Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

Sem dúvida nenhuma, alguma coisa acontece - o processo de democratização nacional vai, aos poucos, acontecendo, se ampliando, aprofundando. Ainda que não no ritmo, intensidade e em todos os setores que nossa sede por representatividade, participação, compromisso, inclusão almejam.

Mas estamos a caminho. Passo a passo. Com tenacidade e determinação.

Veja aqui quem integra o Conselho Curador da EBC.
Aqui, a Programação da Rádio Nacional RJ AM.

Vale a pena, também, conferir o Processo Seletivo para
os projetos audiovisuais que concorrem ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) para a produção de obras destinadas à televisão, cujas inscrições vão até o próximo dia 10 de junho.


segunda-feira, 31 de maio de 2010

Em 01/06/2010 Audiência Pública EBC na Rádio Nacional RJ

Nesta terça-feira, dia 01/06, as 13h30m acontecerá no Rio de Janeiro a AUDIÊNCIA PÚBLICA do Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) - empresa de economia mista criada em 2007 para gerir as emissoras públicas de rádio e TV, como a antiga TV Educativa, atual TV Brasil, as rádios MEC (AM e FM) e Nacional (RJ e Brasília).

Será no edifício sede da Rádio Nacional, situado na Praça Mauá, 7º, 21º, auditório.

Parte da compreensão de uma gestão democrática da coisa pública - aqui, no caso, dos veículos de comunicação públicos; busca "a democratização na formulação da sua programação, com a participação do público."

"Tem como objetivo coletar críticas e sugestões sobre a programação da TV Brasil e das emissoras de rádio da empresa, dando ao órgão subsídios para avaliar o conteúdo desses diferentes veículos e, assim, indicar à diretoria-executiva as mudanças necessárias para que a programação das emissoras cumpra de forma cada vez mais adequada a missão para a qual foi criada."

"A atividade será dividida em dois períodos: na primeira parte, serão colhidas contribuições sobre a programação da TV Brasil. A segunda parte ficará reservada para as contribuições do público sobre a programação das emissoras de rádio da EBC, como a Rádio Nacional e as rádios MEC AM e FM. Em ambos os momentos, as discussões serão precedidas por uma apresentação da Diretoria Executiva da EBC sobre as recentes mudanças na programação das emissoras, assim como os principais planos para o futuro."

Segundo o sítio da empresa, em 26/05/2010 a Ouvidoria já havia recebido 80 inscrições para participar da Audiência:

"A audiência pública do Conselho Curador da EBC, marcada para o dia 1º de junho, já recebeu mais de 80 inscrições de representantes de entidades da sociedade civil, telespectadores e ouvintes que desejam opinar sobre as programações da TV Brasil e das oito emissoras de rádio da Empresa Brasil de Comunicação.

A reunião será transmitida pela Internet através do site www.ebc.com.br. Haverá também espaço para a participação do público por uma sala de bate-papo no site especial. Entre os inscritos estão representantes da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social – e Conselho Federal de Psicologia (CFP).

Quem desejar participar da audiência poderá fazer sua inscrição até terça-feira através do e-mail conselho.curador@ebc.com.br, informando nome completo, RG e, caso haja, a entidade que o inscrito representará na audiência. Ao enviar o email, o interessado deve informar se pretende fazer uso da palavra no momento da audiência. Contribuições por escrito devem ser enviadas para o mesmo endereço eletrônico e serão remetidas a todos os membros do Conselho Curador."

Há alguns meses, a Ouvidoria apresentou um dos seus programas RÁDIO EM DEBATE com o tema MÍDIA E HOMOSSEXUALIDADE (Programa nº 49, anunciado aqui neste blog.). Participaram do mesmo o Prof. Dr. Luiz Mott, antropólogo, professor aposentado da UFBa e Marinalva Santana, do grupo Matizes e da Liga Brasileira de Lésbicas.