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domingo, 9 de outubro de 2011

Por que, para que a "Parada Gay"?

Hoje é o dia da Parada do Orgulho LGBT do Rio de Janeiro, mais referida pelos veículos de mídia como Parada Gay. 

Embora alvo de críticas de parte de daquelas e daqueles que defendem sua maior politização - eu incluída -, vez que a realidade da homofobia é cada vez mais visível, ousada e ascendente, trata-se inequivocamente do maior evento de visibilidade de massa promovido por LGBTTs. 

Em apoio - porque ninguém consegue fazer nada sozinho - @s LGBTTs sempre puderam contar com aquelas pessoas capazes de entender que todas tem direito à dignidade e que não é por força da forma do desejo e afeto que alguem pode ser vilipendiado, alvo de ridículo, humilhações, troça, agressões físicas, assassinato (travestis são assassinadas nas noites e madrugadas brasileiras como se fossem bichos sendo exterminados. Aliás era essa precisamente a campanha disseminada por jornalistas de Salvador e de São Paulo, nos anos 80 e 90 e, apesar das tenazes denúncias do ativista Luis Mott, do GGB, jamais foi alvo de qualquer atitude de apuração por parte do Ministéiro Público).

Hoje, quando a cidade realiza a 16ª Parada da Dignidade - nome que eu pessoalmente prefiro, por entender que melhor representa a luta -, vale o apelo para, junto com a alegria, a festa, a celebração, não se perder de vista a realidade que nos marca:

É dentro de casa que gays sofrem mais homofobia

Levantamento no estado mostra que a maioria das vítimas de preconceito na capital já foi agredida por parentes e amigos

POR MAHOMED SAIGG
Rio - É em casa, onde deveriam se sentir seguros, que homossexuais mais sofrem violência no Rio. Levantamento feito pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, da Secretaria de Direitos Humanos do estado, revela  que a maioria das vítimas de homofobia na capital já foi agredida por parentes e amigos [Na verdade, apenas reconfirma, pois a revelação na verdade foi feita em 2001, com a pesquisa sobre a “experiência cotidiana de gays, lésbicas e travestis em relação a conflitos, discriminação e violência na região metropolitana do Rio de Janeiro”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião – ISER. Ou seja, passados DEZ ANOS, a violência além de não haver melhorado, encontra-se agudizada]. Hoje, a 16ª Parada Gay em Copacabana celebra conquistas e chama atenção para o preconceito que ainda existe.

Rejeitado pela mãe por ser gay, o ativista Felipe Gomes, 30 anos, conta que já foi mantido em cárcere privado e isolado da família dentro de casa. “Ela me manteve trancado por 20 dias num cômodo nos fundos da nossa casa. Não me deixava nem usar o mesmo banheiro que meus irmãos. Minhas roupas de cama, de banho, tudo era separado como se estivesse contaminado por alguma doença que ela não queria que fosse transmitida para a família”, lembra ele, salvo de seu martírio pelo pai.

“Quando ele soube, me levou para viver com ele. Hoje consigo ver que minha mãe foi tão vítima quanto eu, porque a homofobia foi embutida nela por essa nossa sociedade machista. Só espero que, assim como ela aprendeu a me aceitar, a sociedade também aprenda”, diz.

No levantamento feito pelo governo do estado, o local de trabalho aparece em segundo lugar nas estatísticas de atendimentos do Centro de Referência da Cidadania LGBT da capital.

Formas de violência

Agressões verbais e ameaças são as formas de violência mais recorrentes, com 44,3% e 32,2% das queixas, respectivamente. A cada seis casos denunciados, em pelo menos um a ameaça se concretiza.

Entre o público LGBT, as principais vítimas de agressões são os gays, vítimas em 48,3% dos casos denunciados. Eles superam lésbicas (19,7%) e travestis, com 13,9% das ocorrências registradas no município que, desde 2009, ostenta título de principal destino gay do mundo.

Apoio psicológico para conseguir voltar à rotina

Vítimas das manifestações mais violentas de preconceito contra homossexuais, travestis e lésbicas de todas as idades buscam apoio no Centro de Referência LGBT. Além de receber orientação sobre seus direitos, elas também contam com a ajuda de psicólogos para tentar refazer suas vidas. Isso inclui voltar ao trabalho e até mesmo à escola depois de sofrer agressões.

Espancada por colegas durante uma aula de educação física, a travesti Chaw Johnson, 18 anos, conta que abandonou os estudos por medo de voltar a sofrer violência. “Estava jogando futebol com os garotos quando perdi um gol. Irritados, eles começaram a me empurrar e a puxar meu cabelo, dizendo que eu devia ir brincar de boneca”, lembra Chaw.

“Em pouco tempo, me jogaram no chão e tiraram minha roupa, me deixando totalmente nua. Fiquei com tanta vergonha que comecei a chorar. Como ninguém foi punido, preferi ir embora antes que fizessem de novo”, contou Chaw, que só superou o trauma e concluiu os estudos após passar por sessões de apoio psicológico no Centro de Referência do Rio.

Vítima de preconceito por sua orientação sexual, a lésbica Gil Pires, 34, escapou por pouco de ser linchada na Praia de Copacabana: “Estava passeando com um amigo gay e tivemos que correr muito para escapar de um grupo de pitboys que tentou nos pegar”.

Parada Gay em Copacabana deve reunir 1,5 milhão hoje

A 16ª Parada do Orgulho LGBT do Rio, marcada para hoje, deverá reunir mais de 1,5 milhão de pessoas na orla de Copacabana. A festa começa às 13h, no Posto 6. O Metrô Rio montou esquema especial, com trens extras a cada meia hora, sem transferência na estação Estácio.

Segundo os organizadores da festa, três trios elétricos vão animar a multidão. Estilizados, os trios farão referência ao programa Rio Sem Homofobia, à Liberdade Religiosa e à regulamentação da União Civil entre casais do mesmo sexo. Nesse último, estarão 43 casais que tiveram suas uniões oficializadas recentemente.

Cinco mil doces bem-casados e 2 mil rosas vermelhas serão distribuídos para o público. As flores serão jogadas do alto do trio, cuja atração principal será a travesti Jane de Castro. Ela cantará canções de Roberto Carlos, que declarou ser favorável à união de casais homossexuais.

Do alto do trio Liberdade Religiosa, Mãe Beata e seus filhos de santo farão defumação do ambiente para espantar preconceito.

sábado, 11 de junho de 2011

Mensagem aos evangélicos e católicos contrários ao PL 122

Bruce Hilton é clérigo da Igreja Metodista Universal e diretor do National Center of Bioethics. Ele escreveu um livro chamado A homofobia (medo ou ódio a homossexuais) tem cura? - O papel das Igrejas na questão homoerótica. Foi publicado em 1992 na cidade de Nashville, capital do estado do Tennesse, nos Estados Unidos da América do Norte. A livraria e editora Ediouro S/A. publicou a tradução para o portugues em 1992.

O capítulo um é nomeado Fazer a pergunta certa. Começa na página 19. Logo nos primeiros parágrafos a gente encontra a profundidade das reflexões do autor:

Ao contrário da orientação sexual, a homofobia é contagiosa. As crianças podem pegá-la de um adulto; na verdade, este é o principal modo de transmissão.

Seus efeitos vão do leve desagrado à fúria homicida, de atitudes de julgamento à obsessão.

Em seus estágios mais virulentos, leva pelo menos cem pessoas a cometer assassinato nos Estados Unidos a cada ano, e talvez outras mil a atacar seres humanos como elas - apenas porque as vítimas são homossexuais - com gravidade suficiente para mandá-las para o hospital.

Apesar das repetidas solicitações de melhor proteção que a comunidade gay e lésbica lhe dirigia, o departamento de polícia de Houston não acreditava que esse tipo de coisa acontecesse. Por fim, em agosto de 1991, o departamento concordou em mandar chamarizes - oficiais homens em trajes civis, caminhando aos pares - às áreas onde se alegava haver perigo.

Na primeira semana, quatro foram atacados. Contra dois deles, lançaram gás lacrimogêneo; os outros dois foram espancados com um bastão de beisebol. Na mesma semana, doze pessoas foram presas por tentativa de agressão.

Numa clássica declaração cheia de eufemismos, um porta-voz da polícia disse à imprensa: "Nós certamente tomamos mais consciência dos problemas que a comunidade gay enfrenta.

[...] O custo mais alto, porem, o dano mais grave feito pela homofobia foi contra - e pela - Igreja Metodista. [...]

Erguemos barreiras, tanto mentais como burocráticas, para ter a certeza de que essas pessoas entenderiam a mensagem: vocês não são bem-vindas.

Esta questão tornou-se uma obsessão quando os escritores dos Evangelhos aparentemente pensaram que sua importância era tão reduzida que não incluíram nenhuma frase de Jesus a respeito - se é que ele algum dia a pronunciou.

E, com essa obssessão, chafurdamos no farisaísmo - o pecado que Jesus parece ter considerado mais grave e que mencionou com mais frequencia.

O trágico resultado é que uma Família de pessoas reunidas pelo Soberano do Amor tornou-se uma instituição exclusivista, decidida a impedir a entrada das pessoas "erradas". Um Livro cuja mensagem central é "ame ao próximo" é usado como chave para trancar do lado de fora pessoas que nossa sociedade nos diz que devemos temer. [...]

Os Princípios Sociais da Igreja Metodista Unida declaram:

Os homossexuais, não menos que os heterossexuais, são pessoas com valor sagrado que precisam do ministério e da orientação da igreja em suas lutas pela realização humana, bem como dos cuidados espirituais e emocionais de uma fraternidade que lhes permita desfrutar de relações reconciliadoras com Deus, com os outros e consigo mesmos.

E nas Escrituras:

Se alguem disser: "Amo a Deus", mas odeia o seu irmão, é um mentiroso: pois quem não ama seu irmão, a quem vê, a Deus, que não vê, não poderá amar. E este é o mandamento que dele recebemos: aquele que ama a Deus ama tambem o seu irmão.
Ijo, 4: 20-21.

Gostaria por um instante, por um pequeno momento, que as pessoas que tanto tem se ocupado (obssessivamente) em impedir que aquelas outras pessoas, cuja orientação do desejo é homossexual tenham paz, vivenciem os mesmos direitos assegurados aos demais cidadãos; que trazem em seu coração um vivo ódio e desprezo por tais pessoas, se permitissem - no silêncio da íntima conversa com o seu Deus - indagar sobre os seus procedimentos, o seu "atirar a primeira pedra". E, depois, que refletissem sobre o amor que o Cristo nos ensinou.

Paz em Cristo.



















quinta-feira, 25 de novembro de 2010

RAPIDINHAS: AS MAIS RECENTES NOTÍCIAS

# Hoje se realizou em São Paulo ato de protesto em frente ao Makenze, contra as declarações de Augustus Nicodemus em desfavor do Projeto de Lei antidiscriminação (que visa contemplar a identidade de gênero e orientação sexual entre o elenco de valores a serem protegidos contra discriminação - raça/etnia, religião, sexo, origem, condição física etc -, na lei já existente.

Segundo informes socializados, foi um sucesso. De lá, partiram para a Paulista. O número de manifestantes ia aumentando na medida em que o grupo se deslocava.

# Religiosos intolerantes e anticristãos (a maior lição que Cristo pregava era justamente o amor, a solidariedade, a humildade; a separação entre Religião e Estado: "A César o que é de César e a Deus o que é de Deus") estão a se organizar para tentar impedir que parte da sociedade brasileira faça cumprir aquilo que já consta da Constituição da República (é vedada a prática de discriminação, seja por qualquer motivo). Veja em: http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=108404238

É preciso que a população LGBTTT se mantenha alerta contra as provocações que vem sendo orquestradas. Não fazer o jogo da provocação que está em andamento é o que importa. Tudo o que eles desejam é que se aceite esse jogo, para que eles se sintam justificados.

- Os cartazes expostos na Parada do RJ dia 14; na entrada/saída da Universidade Federal Fluminense, Campus do Gragoatá (onde se concentram os cursos de Humanas, os mais reflexivos) , em 16/11 e em outros locais pela região metropolitana, não são coincidência, mas fruto de uma ação estratégica que deliberadamente optou pela afronta, pela provocação, pelo desrespeito no mais elevado grau.

Como disse um estudante na saída da UFF, semana passada,   nenhum Gay, Lésbica, Travesti, Transexual ou Transgênero vai até as portas dos templos religiosos para agredir,  provocar,  censurar, ameaçar seja quem seja que professe esse ou aquele credo.

É lamentável assistir essa onda de preconceito, beligerância, incentivo ao ódio, que vem sendo promovida por certas correntes religiosas - coisa que absolutamente não fazia parte da nossa cultura.

Ao cidadão postado na porta da UFF com o seu estandarte, indaguei se ele era capaz de conceber que existiam pessoas que não possuiam a mesma concepção de divindade que ele. - Não, ele simplesmente não conseguia admitir semelhante coisa. Para ele tudo o que não fosse A SUA maneira de compreender Deus não era verdadeira. A Verdade, única, absoluta, insofismável, era A DELE; de ninguem mais!

# Na terça-feira, dia 23, o Juízo da Infância e Juventude de São Paulo determinou o retorno  à Fundação Casa dos 4 menores envolvidos nos casos de agressões na Paulista, no último dia 14.

# Agora à noite, a CBN divulgou que a Polícia vai requerer ao Juiz da Vara Criminal a Prisão de Jonathan Domingues, de 19 anos, o 5º envolvido nas agressões da Paulista.

# Segundo o MixBrasil,  o estilista Carlos Tufvesson será o titular da Coordenadoria Especial de Assuntos da Diversidade Sexual, a ser criada no próximo ano pelo Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

Tufvesson, que encerrou as atividades de sua empresa de moda, disse que terá mais tempo para se dedicar ao ativismo.

Segundo informa a matéria, "as atividades já deverão começar a ser realizadas. Ele quer um contato mais direto com a comunidade e diz que 'o objetivo principal da Coordenadoria vai ser servir a população LGBT do Rio de Janeiro. O cidadão LGBT do Rio não vai mais achar que não existe poder público para ele. Ele vai saber das poucas leis de proteção que existem, pode até não usar, mas vai saber'."

Desejo de coração que ele seja eficiente e eficaz em seu novo desafio.

Sobretudo, Tufvesson, não se esqueça de viabilizar mecanismos protetivos ao segmento mais vulnerável - as travestis prestadoras de serviços sexuais.

E tambem de estabelecer e manter interlocução com a comunidade que você representa e continuará representando - algo como uma "prestação de contas" do quanto se anda fazendo, mensalmente, coisa que hoje não se tem acesso, nem das ações do colegiado estadual e muito menos do municipal. - Dos resultados das reuniões realizadas, ninguem (exceto xs que comparecem) sabe nada.

Você que sempre se posicionou contra o estilo secreto e incomunicável (descompromissado com a interlocução com o segmento que representa) que marca certa militância fluminense, não pode compactuar com o silêncio e o silenciamento.

A informação, numa sociedade republicana, TEM DE SER acessível UNIVERSALMENTE.

Aliás, nesse sentido temos o projeto de lei proposto por um deputado do PT que, ao que parece, após anos e anos de espera, tem agora chances concretas de vir a se tornar norma obrigatória. 

- Vá em frente e boa sorte! 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

48 Horas de Brasil: Cenas da Cotidiana e Intensa Batalha Contra a Homofobia

Domingo, dia 21 de fevereiro. No romper da madrugada, a Unidos da Tijuca, campeoníssima das Escolas de Samba do Grupo Especial, realiza o seu desfile de vitória, outra vez arrebatando a multidão que no Sambódromo acompanhava o espetáculo das Campeãs. O "horário de verão" já havia terminado, estávamos portanto, com uma hora há mais no domingo pra curtir como melhor achássemos.

Vem a noite e, com ela, a expectativa de véspera de trabalho e a mistura de angústia e alegria pela permanência do "sol escaldante".

Passeando pelo "Fantástico", da Rede Globo, topo com a notícia estapafúrdia: um cidadão de 50 anos, incomodado com o beijo entre duas moças durante o desfile de um bloco carnavalesco na Zona Sul carioca, resolve chamar a polícia. O argumento de que se utiliza é que estaria havendo "sedução de menor", pois, segundo ele, uma das moças parecia ser "menor de idade".

Até que o delegado afirmasse o óbvio ululante inscrito na Constituição da República e introjetado no senso comum de pessoas razoáveis e nas regras de civilidade urbana do século XXI (beijo resultante de ato de livre vontade, sem coação ou violência, não é e não pode ser considerado tipo penal - não é crime; não consta do Código Penal, tampouco de qualquer legislação extravagante), muita confusão ocorreu: um policial foi atropelado e teve o pé fraturado; dois rapazes que defenderam o direito das moças, foram presos; e todo mundo ficou na delegacia até altas horas da noite/madrugada de sábado para domingo.

As moças, finalmente, conquistaram o direito de ter o seu direito reconhecido e puderam ir pra casa. Tambem o denunciante cinquentenário. A identidade deles, assim como a dos jovens detidos, foi preservada, a fim de evitar mais constrangimentos e discriminações.

Mais cedo no mesmo domingo, pela internet, descubro que no atual Big Brother Brasil, (que não assisto e sequer compreendo suas regras) tambem da Rede Globo, há um jovem, de nome Dourado, que afirmara, sobre uma integrante da casa: "se [ela] fosse homem ele tinha quebrado os dedos dela e mandado pro hospital"


Como se não fosse suficiente semelhante manifestação de ódio, consta que o mesmo Marcelo Dourado ostenta em seu ombro uma suástica tatuada - o que a Constituição formalmente proibe -, além de já haver se expressado de forma preconceituosa com relação aos homossexuais.

De forma sintomática, semelhantes atitudes desse rapaz, encarnando a persona (combatida por todas as pessoas comprometidas com os Direitos Humanos) do machão que espanca lésbicas e detesta homossexuais em geral (tem "nojo"), tem incentivado comportamentos igualmente violentos e estigmatizantes por parte de outros jovens que apresentam a mesma estrutura de personalidade e se autointitulam "esquadrão Dourado". Há mesmo uma catalisação da verve homofóbica sobre o Dourado. Veja os comentários que abarecem nesta postagem aqui.

Lésbicas, Gays, Travestis, Transexuais e Bissexuais que são assíduas telespectadoras do programa Big Brother Brasil e especialmente desta versão atual (BBB10) acusam a Rede Globo de televisão de, na edição do programa, haver suprimido da transmissão as partes nas quais o tal Dourado expressa com inteireza a sua verdadeira índole - preconceituosa, violenta, machista, homofóbica, nazista (ler os posts dos blogs lincados neste texto)*.

Ainda pela internet, porém nesta segunda-feira, leio a notícia de que a ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais) emitiu uma Nota Oficial contra o comportamento desse Dourado.

Tambem pela mesma internet e no mesmo dia, vem a notícia do posicionamento do Grupo Arco Íris do Rio de Janeiro (GAI), contrário às falas preconceituosas e agressivas do mesmo Big Brother.

E, ainda, a informação de que Representantes do movimento LGBT em São Paulo já noticiaram ao Ministério Público semelhantes práticas.

Enquanto o público que, independentemente de gostar/acompanhar ou não o tal BBB10 , possui senso de respeito aos Direitos Humanos e aguarda a pronta e eficaz ação do Ministério Público, por meio de sua Curadoria dos Direitos Individuais, Difusos e Coletivos, para fazer valer as normas jurídicas nacionais que proibem exaltação do nazismo (por palavras, manifestos ou uso de seus símbolos), práticas discriminatórias e incitação à violência, a mesma Globo em outras vias e empresas da Rede apresenta atitudes mais consentâneas com o respeito às normas vigentes e aos Direitos Humanos.

Hoje pela manhã, ouvindo a CBN, comentaristas Artur Xexeo, Viviane Mosé e Carlos Heitor Cony discutiram a ridícula atitude do cidadão que chamou a polícia para reprimir um beijo entre mulheres.


Tambem na mesma manhã desta segunda-feira, atraves da TVBrasil, vejo a novela educativa Tecendo o Saber que, sempre que posso, acompanho com prazer e que tem como uma das principais parceiras a Fundação Roberto Marinho, integrante das organizações Globo. E qual não foi o tema da aula exibida, senão o preconceito?

- Pois é. Até parece que foi uma resposta (pedagógica) a esse recrudescimento da mentalidade violenta, preconceituosa, desqualificadora, estigmatizante, autoritária, segregacionista.

Dentre as diversas manifestações preconceituosas mostradas nesse capítulo hoje exibido pela TVBrasil (todas nossas cotidianamente bem conhecidas), foi enfocada preponderantemente a questão do preconceito por motivo da orientação sexual.

O filho do personagem interpretado por Benvindo Siqueira (Celestino, um pequeno comerciante nordestino emigrado para a grande cidade) vem visitar o pai, após muitos e muitos anos sem contato pessoal entre os dois. E, para surpresa de Celestino, seu filho, Celestino José (interpretado pelo ator Rodolfo Mesquita), é gay.




Agora à noite, outra vez na internet, outra notícia sobre o domingo (21/02): O Grupo de jovens LGBTs de Campinas (o E-Jovem) realizou uma caminhada pelas ruas principais de Campinas, culminando com um ato público na Praça Bento Quirino.

Protestavam, sem qualquer carro de som ou trio elétrico, contra a homofobia que os expulsa das escolas e, não raro, levam-nos ao suicídio.

Exigiam o seu direito ao respeito por parte de seus familiares consanguíneos, dos profissionais da educação e da população em geral.


"Um deles chamava para a família a responsabilidade pelos jovens gays que se suicidam. Muitos clamavam por direitos iguais para todos, por respeito, por liberdade", disse Deco Ribeiro, Diretor da Escola Jovem LGBT, em seu blog.

Como se pode ver, a luta entre as mentalidades contra e a favor dos Direitos Humanos está inteiramente em curso no Brasil, mostrando que a nossa Democracia ainda é uma jovem em formação, a depender do comprometimento e da ação de todos nós. Efetiva e cotidianamente.

Não podemos nos esquecer, um minuto sequer que, todos os dias, a homofobia, a estigmatização, o desrespeito para com as mulheres, as lésbicas, os gays, as travestis, as transexuais, enfim, para com o outro, AGRIDE, VIOLENTA, HUMILHA, SEGREGA, MATA.

Por isso, enquanto seus direitos (como os de qualquer outro cidadão) não forem respeitados; enquanto forem alvo de bulling nas escolas e na vizinhança; enquanto forem vítimas de espancamentos por parte de seus pais e parentes consanguíneos; enquanto forem postos pra fora de casa; enquanto forem vítimas de espancamentos, "boa noite cinderela", tiros, empalamento, "estupros corretivos"; enquanto não puderem ter reconhecida jurídica e socialmente sua forma de conjugalidade, ninguem verdadeiramente comprometido com a Democracia e com os Direitos Humanos poderá se manter indiferente, omisso. Pois a omissão é crime: ela alimenta a violência, a intolerância, os assassinatos.


Notas:
*Enquanto redigia este texto, sintonizei na TV Globo justamente no momento em que era exibida a fala do Dourado afirmando (e reafirmando) que quebraria os dedos da moça.

Os sítios referidos encontram-se linkados no próprio texto. Muitos deles tomei conhecimento atraves da comunidade lgbt no yahoo, a cujos partícipes agradeço a constante partilha da informação.

As fotos utilizadas são todas oriundas do blog http://decoribeiro.blogspot.com/2010/02/jovens-lgbt-saem-as-ruas-e-lutam-por.html.

Caso algum/a detentor/a de direitos autorais sobre qualquer fotografia constante do presente blog deseje que a mesma seja retirada, favor entrar em contato.

sábado, 7 de março de 2009

pra quem pensa que na CUFA só há machismo e homofobia...

O sítio do CLAM http://www.clam.org.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=%5FBR&infoid=5189&sid=7

traz uma matéria interessantíssima sobre o novo presidente da CUFA - Central Única de Favelas, o "Gay e militante político, Danillo tem levantado a bandeira da diversidade sexual à organização, desde que assumiu o posto, em outubro do ano passado. Nos últimos meses, vários foram os passos concretos tomados nessa direção: a CUFA se tornou parceira da campanha Não Homofobia, anunciou a realização de um censo gay nas favelas e vem debatendo, através de um fórum na Internet, a criação de um grupo de rap formado exclusivamente por homossexuais – o Gangsta G."

Imperdível!