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domingo, 4 de outubro de 2009

Condomínios residenciais geriátricos lgbtt - utópicos ou exequíveis?


O Brasil já conta com algo em torno de 1.930.000 idosxs lgbtts, sem que se saiba nada a respeito de sua realidade, sem programas em proteção social. Isto é, sem nenhuma política pública. A projeção, a partir de dados do IBGE, aponta para 2.830.000, em 2020 e 4.050.000 em 2030 o número da população de velhos e velhas lgbtts! - Dá para se continuar com "cara de paisagem"?, ou para se "dar a egípcia"?


Na postagem anterior divulguei o modelo organizativo de um condomínio residencial geriátrico, construído e planejado pelos próprios interessados, há trinta e quatro (34) anos atrás - 1975. Hoje, começam a colher os frutos de sua capacidade estratégica, de seu potencial aglutinador, da capacidade de trabalhar em conjunto, de pensar de forma cooperativa, solidária. Coisa nada fácil numa sociedade intensivamente individualista, imediatista e consumista.

No modelo desenvolvido pela AGERIP, o valor do título de sócio é R$ 5.000,00 e o da mensalidade, R$ 170,00. Foi planejada a construção de 120 apartamentos - todos seguem rigorosamente as normas de acessibilidade. Já existem, prontos, 30, que começam a ser ocupados. O custo mensal da moradia, nos apartamentos, é da ordem de R$ 1.700,00, incluídas quatro refeições, serviços de limpeza, lavanderia, segurança e todo o espaço de lazer. A idade mínima para se ter direito à moradia é de 60 anos. No entanto, caso o morador venha a necessitar, no futuro, de cuidados especiais, embora a associação conte com cuidadores treinados, esse serviço não está incluído nos R$ 1.700,00 da moradia: há que ser pago por fora.

Os chalés são construídos pelos próprios associados, a partir de algumas regras, notadamente de acessibilidade. O terreno é da associação, em comodato com o associado. As duas futuras gerações do associado construtor têm direito assegurado a residir no imóvel construído. O m² da construção na região está em torno de R$1.000,00, R$1.200,00. A idade mínima para residir nos chalés é 55 anos. Pode-se receber visitas livremente, não pode é caracterizar moradia de outras pessoas - exceção para o/a companheiro/a, lógico.

A pergunta é: este modelo "cabe no bolso" da maioria da população, seja lgbtt ou não? - Claro que não cabe.

Mas, não cabe, vírgula! E sabe por que? Porque existe um método construtivo que barateia em torno de 40% o custo da obra. É modelo do tijolo solocimento ou tijolo ecológico. Dependendo das condições específicas do projeto, dá até para construir em regime de mutirão, os associados ou cooperativados construindo não apenas as casas, mas os próprios tijolos. - Há construtores que comercializam as prensas, peneiras e formas da construção do tijolo e dão assessoria e treinamento.

- E por que não se pode desenvolver um projeto assim através, tanto da participação dos associados ("público-alvo") quanto do poder público, de instituições de fomento nacionais e internacionais, de convênios com universidades públicas? O custo de manutenção, igualmente pode ser pensado de forma criativa.

O que precisamos urgentemente, "para ontem" mesmo, é tomar a sério esta questão. Começar a pensá-la a fundo, envolvendo todxs, independentemente de partido político, concepção ideológica, faixa etária, poder aquisitivo, bagagem cultural.

É preciso que a gente se lembre o tempo inteiro de que já temos algo próximo a um milhão, novecentos e trinta mil (1.930.000) velhos e velhas lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. A projeção do IBGE dá, para 2020, ou seja, daqui há apenas dez (10) anos, em torno de dois milhões, oitocento e trinta mil (2.830.000) brasileiros lgbtt, ou seja, um incremento de novecentos mil (900.000) pessoas.

Para mais dez anos adiante, ou seja, daqui há vinte anos, portanto em 2030, os dados do IBGE projetam o número de 4.050.000 - quatro milhões e cinquenta mil - idosxs lgbtts. Isso representa o incremento de um milhão, duzentos e vinte mil (1.220.000) na população de idosos lgbtt entre 2020 e 2030 e de 2.120.000 (dois milhões, cento e vinte mil) entre 2010 e 2030!

Ou seja, já é mais do que a hora de se colocar também esta questão no centro da agenda política de discussões dos movimentos lgbtts!

http://www.youtube.com/watch?v=sBnITcurIuk">