Por que quando se trata de nossa dor, de nossos mortos e feridos, sempre pedem que falemos menos?
Não lhes repugnam tantas mortes bárbaras, tanta homofobia, mas apenas o nosso clamor por justiça!

domingo, 15 de fevereiro de 2009

ATIVISMO LÉSBICO DE LECI BRANDÃO

ATIVISMO LÉSBICO DE LECI BRANDÃO.
Nota transcrita da monografia Ação e reflexão de um ativismo homossexual na Baixada Fluminense. Rita Colaço, 2004. É livre a circulação. Citar a fonte.

“Leci Brandão foi o primeiro artista da Música Popular Brasileira a ousar falar com naturalidade a respeito de sua homoafetividade. Em entrevista ao Jornal Lampião da Esquina, nº 6, de novembro de 1978, págs. 10-11, perguntada sobre se “Seu relacionamento com o homossexual, entendido, povo guei, como se queira chamar, é platônico ou participante”, responde: “Platônico e participante”. “Em que sentido”, perguntam novamente. – Leci: “Quer ver? Por exemplo, o fato de eu ser homosssexual é uma coisa que não me incomoda, não me apavora, porque eu não devo nada a ninguém (…) A gente já é marginalizado, de cara, pela sociedade. Então a gente se une, se junta, dá às mãos. E um ama o outro, sem medo nem preconceito. É um negócio maravilhoso, que eu estou sentindo de cabeça, realmente. É o mais produtivo mergulho que eu já dei em mim mesma e na vida!” – Teve a ousadia inclusive de em diversas composições de sua autoria abordar o tema do amor “entendido”, entre as quais destacam-se “Deixa pra lá”, “Ombro Amigo”, “As pessoas e eles”, “Essa tal criatura” . Seu comprometimento político, porém, não deixaria de ser severamente sancionado. Em novembro de 1980, o número 6 do Lampião publica, na página 2, uma carta onde Leci afirma que não desfilará pela Mangueira. Denuncia que fora vítima de discriminação por parte de um dirigente “Primeiro Ministro” que estaria preparando um Ato visando a sua expulsão “logo após o carnaval”. Ela, que, segundo afirma, por sete anos teve participação intensiva, divulgando o nome da Escola. É a única lésbica de destaque nos meios artísticos a assumir publicamente sua orientação sexual e pautar-se por uma conduta sempre engajada politicamente, seja como mulher, lésbica, negra, de origem humilde: “Luto pelos ideais do meu povo através dos versos musicados. Meu trabalho é social. É político, graças a Deus. Afinal, tenho vergonha na cara e não vou aplaudir arbitrariedades. Não bajulo quem nos consome a cada dia. Sou brasileira. Consciente. Atual. E principalmente sincera nas atitudes. Realmente não dá mais pra segurar. Ficar observando um sistema em que um homem todo poderoso convence as pessoas através de facilidades, ofertas de emprego, caixas de uísque, etc., é demais pra minha cabeça. (…) Discursar durante um jantar para alertar jornalistas, sambistas e militares da posição esquerdista e subversiva de uma compositora são coisas da MANGUEIRA 80, a MANGUEIRA DA PETROBRÁS. Por isto, SAIO.” (Grifos meus, RC). No Lampião de junho de 1980, nº 25, há uma nota assinada por Antônio Carlos Moreira sobre os shows de Emílio Santiago na Sala Funarte, e o de Leci, no Teatro Opinião. Depois de registrar os discos da intérprete e compositora que abordam o tema – “Coisas do Meu Pessoal”, “Questão de Gosto”, “Essa Tal Criatura”, trata das músicas constantes no roteiro do show: “constavam músicas como: Margot de Edil Pacheco e Paulo Dinis, que conta a história de um travesti; Chantagem de Leci dirigida aos mau caráter que se aproveitam de situações onde assumir a homossexualidade é algo danoso, para assumir o papel do opressor; Me Acalmo Danando de Ângela RO RO e finalizando Essa Tal Criatura de Leci, que [e]voca a busca do prazer, seja como for e qual for, pelos seres humanos – Corra no campo/Leva um tombo/Rala o joelho/Mata essa sede/Durma na rede/sonha com a lua/Grita na Praça/Picha as paredes/Ama na maior liberdade… abra,/escancara esse peito. Recentemente, numa homenagem feita pela produção do Show Bifão Cabaré, Leci mais uma vez afirmou que seu trabalho tem sido feito com muito sacrifício, e que as barras e as batalhas ganhas foram estimuladas não só pela confiança em seu trabalho, que considera conseqüente, mas principalmente por acreditar nas pessoas iguais a ela e para as quais dedica todo seu esforço, os homossexuais, essas tais criaturas!” (Grifos do original..). Em sua página virtual, o texto de sua trajetória dá conta dos anos em que ficou sem gravar, conseqüência direta de suas músicas denunciando preconceitos diversos. Estranhamente, embora toda a relevância e pioneirismo de seu comprometimento político com a questão da homossexualidade e o dinamismo presente no movimento homossexual brasileiro, até o momento não foi possível localizar as mencionadas letras das músicas de Leci Brandão em páginas na Internet.”

PROJETO SAÚDE NO CÁRCERE

PROJETO SAÚDE NO CÁRCERE
Um ano de cidadania

O que em princípio seria apenas uma oficina de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e à AIDS hoje é um programa que serve de referência para vários lugares do país.
Na 52ª DP de Nova Iguaçu, 400 detentos têm consultas médicas, verificação de pressão arterial, verificação de glicemia, distribuição de remédios, distribuição de preservativos acompanhada de muitas informações acerca da importância da saúde reprodutiva e da prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e AIDS, como também prevenção à tuberculose e outras doenças contagiosas.

O projeto existe deste outubro de 2007, foi criado através de uma importante parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu (Semus) e o Delegado titular de Policia Dr. Orlando Zaconne e acontecem semanalmente nas dependências da 52ª DP de Nova Iguaçu, contando com uma equipe multidisciplinar que inclui médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, educadores sociais, maqueiros e outros. Sempre procurando levar o trabalho da saúde da melhor maneira possível.

Pensando no artigo da Constituição que diz, “SAUDE É UM DIREITO DE TODOS” a Semus preocupa-se em garantir um tratamento preventivo e curativo das doenças a fim de quem não disponibiliza de acesso fácil aos recursos de saúde. Este projeto foi uma maneira encontrada para oferecer saúde à população carcerária. O projeto estava tendo dificuldades por conta dos transtornos causados pela locomoção dos presos até o hospital central do Desipe.

As oficinas de prevenção às doenças sexualmente transmissíveis e AIDS são realizadas dentro das celas, reunindo um grupo de quarenta detentos. Com este número é possível melhor interação dos internos com o educador social, para interagir e conhecer melhor realidade da população daquele estabelecimento prisional.

A parceria da Secretaria de saúde de Nova Iguaçu e do delegado titular da 52ª DP é de extrema relevância para a prevenção e controle das doenças contagiosas como tuberculose, doenças sexualmente transmissíveis e AIDS para que não se proliferem contaminando outros que estão cumprindo pena. Levando-se em consideração o último boletim epidemiológico do Ministério da saúde que mostra as mulheres casadas como os principais alvos da infecção do HIV, toda informação passada aos presos é importante, pois as informações acabam chegando as suas companheiras.
Sempre procuramos mostrar que a prevenção é sempre a melhor saída, não somente para os presos que evitam trazer mais um problema para o coletivo prisional como também para suas esposas que ficam livre das infecções das doenças sexualmente transmissíveis.

O projeto saúde no cárcere completa um ano e é uma demonstração clara de que uma medicina preventiva é indispensável para a população e imprescindível para o poder público que pode economizar dinheiro com a prevenção, oferecendo para a população uma saúde de qualidade.

Eugenio Ibiapino-Responsável pelo Projeto.
E-mail eventosaudeni@yahoo.com.br

sábado, 14 de fevereiro de 2009

dando a partida

Dar a partida, dizem os físicos, demanda um consumo de energia maior do que manter-se em movimento. Penso que têm razão. Por onde começar? O que recortar como relevante?

Não creio em onisciência: o conhecimento é fruto de ação coletiva. Do mesmo modo de ninguém "ensina", também ninguém "inventa", "cria" ou "descobre" coisa alguma de forma isolada, sem a participação de outras pessoas.

Desse modo, penso que a construção deste espaço apenas pode ser pensada em termos coletivos. Com a colaboração de outr@s.