terça-feira, 29 de setembro de 2009

Velhice entre LGBTTs - o que você tem a ver com isso?

A população brasileira vem envelhecendo a passos largos. As implicações que esse dado demográfico traz vem sendo objeto de discussão na sociedade.

No entanto, abordagens sobre a questão específica do envelhecimento de lésbicas, gays, travestis, transexuais apenas se esboçam.

Dia 24 último, o Reverendo Márcio Retamero publicou no sítio de A Capa o seu artigo Os Idosos Gays, onde problematiza as implicações sociais do envelhecimento sobre os homossexuais.

Como informa o reverendo, o ativista Ricardo Aguieiras ano passado abriu e coordena um grupo de discussão no yahoo chamado coroas glbt, a partir de discussões havidas na listagls. Nessa oportunidade, se tentava chamar atenção para o problema, para a a gravidade da questão, pensar iniciativas, aglutinar interessados e pesquisadores - era o contexto da preparação para as conferências estaduais de Políticas Públicas para lgbts.

Na mesma listagls, já em 2001 este assunto teve abordagem. Como se pode verificar a partir dos dados da realidade,lamentavelmente não se obteve avanços.

A Conferência Nacional para Políticas Públicas GLBT, também realizada em 2008, não pode portanto contar com um acúmulo em termos de pesquisas e experiências, como é o caso, por exemplo, da questão da homofobia nas escolas e da violência homofóbica fora dela (instituções do Estado, família, vizinhança, ambientes públicos).

Se tomarmos o que sabemos da realidade com que a população de idosos em geral tem que lidar, o quadro não é nada alentador.

Por exemplo, nem mesmo nas áreas das grandes capitais do país existem Instituições de Longa Permanência públicas. As que há, além de insuficientes para atender a demanda, são todas particulares e, caras! As de caráter filantrópico e/ou que disponham de vagas destinadas ao SUS, nossa!, é como procurar agulha no palheiro. Uma prática comum nas desse tipo é a retenção do valor da aposentadoria do idoso, sob o argumento de cobertura de alguns dos gastos com a sua manutenção.

É certo que temos algumas coisas com as quais contar e se alegrar: o Estatuto do Idoso, uma melhor e mais eficaz fiscalização das instituições existentes, a recente notícia da construção do prédio que abrigará definitivamente a 1ª Delegacia do Idoso na cidade do Rio de Janeiro, no bairro de maior densidade populacional de velhos, que é Copacabana - a existente, no mesmo bairro, foi instalada de forma precária.

Também é possível (nos grandes centros urbanos) se perceber um movimento de busca da profissionalização dos Cuidadores.

No entanto, discussões de fundo sobre as implicações do envelhecimento entre gays, lésbicas, travestis e transexuais não são ainda recorrentes, comparativamente aos idosos em geral. Muito menos institucionalizadas!

Via de consequência, iniciativas concretas também não se conhece - centros de convivência e lazer; programas de recreação, turismo e atividades físicas; hotéis, hospedagens e albergues de curta permanência - longa, então, ainda é sonho futurista! - Seja de qual área for - pública, privada (lucrativas ou filantrópicas), cooperativada, mutualista, parceria público-privada...

Como sintoma da questão cultural a ser enfrentada (e superada), a participação de delegados lgbt na Conferência Nacional da Pessoa Idosa foi recebida pelos demais delegados (profissionais e demais pessoas ligadas a questão do envelhecimento) de forma preconceituosa e segregacionista.

O curso de formação de Cuidadores de Idosos, ministrado pela Cruz Vermelha Brasileira em sua sede, no Centro do Rio de Janeiro, nenhuma menção fazia ao idoso lgbt, suas especificidades.

Nas parcas instituições de longa permanência existentes, nenhuma sensibilização humanitária para esta peculiaridade é percebida.

Os instrumentos normativos em vigor, como o próprio Estatuto do Idoso, são muito eficientes em estabelecer as responsabilidades (graves e sérias) da família no cuidado dos velhos, no entanto, não provê esta família dos mecanismos necessários para que ela cumpra com o seu papel.

Por outro lado, sabe-se que o segmento lgbtt tende a ser objeto de forte segregação por parte da família consanguínea.

Do mesmo modo, é de amplo conhecimento que, em razão da condição de pária sóciojurídico que lhe é destinada pela comunidade nacional, seus vínculos de conjugalidade tentem a ser frágeis, raramente conseguindo atravessar as décadas e prover os parceiros reciprocamente da segurança sócioafetiva, do cuidado, tão mais necessários nessa fase da vida.

Tais dados de realidade levam à hipótese de que, ao envelhecerem, os idos@s homossexuais são confrontados outra vez com a necessidade de ocultarem parte importante de suas identidades, como forma de se protegerem da segregação e violência - seus tão grandes conhecidos. E é aí então que surgem as perguntas:

Em que condições, em termos de acessibilidade a mecanismos de proteção social, esses idosos enfrentarão e estão enfrentando as naturais reduções da capacidade funcional? A osteoporose, a hipertensão, os problemas de origem circulatória e cardiológica, a redução da capacitade de locomoção e do vigor físico?

- Como atravessarão e atravessam desafios como as múltiplas formas de demência senil, inclusive (mas não apenas) o Alzheimer?

O desafio que está a nos exigir enfrentamento não é pequeno. Os dados estatísticos dão a sua magnitude.

O IBGE estima que a população com 60 anos ou mais em 2020 será de cerca de 28,3 milhões. Tomando a estimativa de Kinsey ainda vigente, que supõe a taxa de 10% para os homossexuais de ambos os sexos, temos a projeção de que a população de idosos homossexuais (lgbtt) será de dois milhões, oitocento e trinta mil (2.830.000) brasileiros.

Apenas 10 anos depois, isto é, em 2030, a previsão é de 40.500.000, com 4.050.000. Isso representa um incremento de um milhão, duzentos e vinte mil (1.220.000) na população de idosos lgbt em parcos dez anos!

Se para o ano 2000 a taxa foi de 13 milhões e 900 mil - correspondendo a um milhão, trezentos e noventa mil velhos gays, lésbicas, travestis e transexuaiis com 60 anos ou mais no Brasil, para o ano que vem (2010), isto é, daqui há dois meses, o índice projetado é de 19 milhões e 30 mil, dos quais um milhão, novecentos e trinta mil (1.930.000) seriam homossexuais.

Em termos percentuais, do total da população, representam: 2020 - 13,70% e 1,37%, respectivamente; 2030 - 18,70% e 1.87%; 2000 - 81% e 8,10%; 2010 - 10% e 1%.

Segundo ainda o IBGE,
"a discussão da nova realidade demográfica brasileira é cada vez mais urgente, no sentido destas questões serem levadas em consideração no planejamento e reformulação das políticas social, econômica e de saúde."


- E o que é que nós, hoje, podemos concretamente fazer a respeito?

- É impossível o desenvolvimento de ações solidárias, fruto de iniciativas da própria comunidade?

No início da pandemia da Aids, quando a doença era tratada como "peste" e "câncer gay", a comunidade glbtt foi capaz de iniciativas geradoras de grande orgulho cívico, como a Casa de Brenda Lee (ver o livro do Trevisan, Devassos no Paraíso).

O coletivo de gays, lésbicas, travestis e transexuais brasileiro foi capaz de enfrentar o HIV e todo o imaginário preconceituoso e estigmatizante, dar mostras de compromisso social e construir o melhor programa mundial de distribuição de medicamentos e diversos mecanismos de proteção social - de iniciativa e custeio individual e/ou comunitário; geridos pelas ongs lgbt e custeados com recursos públicos; geridos e financiados pelo poder público.

- Será quanto tempo vai levar para que se inicie uma igual demonstração de iniciativa, criatividade e sentido de solidariedade?

- Quanto tempo para que o segmento, tido como de alto poder aquisitivo, demonstre que pode, deve e sabe se comprometer com os destinos de seu coletivo como um todo?

Uma comunidade foi aberta no Orkut com o objetivo de reunir pessoas interessadas em pensar este importante problema social de forma proativa. Chama-se Velhice entre LGBTs. Se você entende que este é um assunto cujo enfrentamento também é da sua conta, apareça por lá.

Bibliografia de base:
Arquivos da listagls no yahoo, de propriedade de Roberto Warken.
Os Idosos Gays. Reverendo Márcio Retamero. A Capa, 24 09 09.http://www.acapa.com.br/site/noticia.asp?codigo=9332&titulo=Os+Idosos+Gays
A Dinâmica Demográfica Brasileira e os Impactos nas Políticas Públicas. IBGE. http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indic_sociosaude/2009/indicsaude.pdf
As informações sobre instituições de longa permanência foram obtidas em pesquisa realizada entre fins de 2008 e primeiros meses de 2009, em razão de necessidade familiar da autora.

sábado, 26 de setembro de 2009

"É PRECISO TER RESPEITO AO PRINCÍPIO DA DIGNIDADE”

Abre a primavera um sábado frio, úmido, cheio de vento e, até as nove, nublado - tudo que o povo do Rio não gosta. Após um café da manhã tranquilo, dou início a atualização dos acontecimentos, via internet.

A primeira notícia já de cara azeda o dia de uma primavera atípica. - Mais uma atitude discriminatória, mais um ato de indignidade contra expressões de afeto entre pessoas de mesmo sexo.

Tão sintomático do nível de enfermidade de uma sociedade, as frequentes demonstrações de desconforto e preconceito diante de qualquer gesto de ternura, de afetividade entre pessoas do mesmo sexo - principalmente se praticado entre homens - dão bem o relevo das bases violentas e opressivas que disputam a estruturação do convívio humano.

- O afeto, a amizade fraterna, cuidadosa e meiga, o amor, ao invés de sentimentos a serem estimulados e amparados socialmente para que vicejem, são, ao contrário, banidos, desqualificados, alvo de segregação.

Quem os manifeste publicamente sofre o cerceamento às liberdades individuais, agressões à dignidade pessoal e, mesmo, agressões à integridade física via brutais espancamentos e, pasme, a morte!

Certas religiões que se dizem cristãs, elegem como objetivo principal, não uma acirrada campanha contra a corrupção, a malversação do dinheiro público, o uso particular, privado, da coisa pública, a violência, o desamparo da infância e da velhice, a insuficiência na qualidade do ensino público, ou mesmo a precariedade da saúde pública. Não, nada disso é capaz de mobilizar-lhes a energia e o seu aparato logístico e humano. Nada disso lhes é importante, capaz de merecer-lhes atenção, ações interventivas. Para essa gente, a única questão realmente relevante, transcendente, fundamental aos destinos pátrios, é matar toda possibilidade de afeto, de amor entre pessoas de sexo igual.

Essa parcela da sociedade brasileira vive a dizer diariamente: - É preciso matar o amor! Morte à ternura! Abaixo o afeto! O compromisso e cuidado mútuos!

Ao mesmo tempo, silencia quanto ao também cotidiano abuso sexual de crianças e mulheres, tráfico de mulheres, violência contra filhos e esposas; à concentração de renda, injustiça social, desemprego, degradação do emprego, fome.

Mas essas vozes, para quem o amor é condicional e as normas constitucionais não são absolutas, não representam a maioria da nossa população. Embora façam tudo para parecerem.

Há muita gente neste país que acredita no amor, na fraternidade, na solidariedade, no cuidado recíproco, na importância de vínculos familiares - seja lá de que sexo for.

Há muita gente neste país que acredita e defende os preceitos constitucionais: Os direitos humanos universais, isto é, o princípio inviolável da dignidade humana; o Brasil como um país efetivamente fraterno, laico, respeitoso e feliz.

E luta diariamente para que tais valores sejam respeitados.

Leia, a seguir, as matérias noticiando a agressão praticada em Brasília e a dignificante atitude dos rapazes agredidos.

Cada vez mais me convenço de que a responsabilização civil pelo dano moral praticado é a via estratégica mais adequada, na busca de ações transformadoras eficazes. Seu conteúdo pedagógico é elevado, comparativamente às vias criminais, pelo que temos visto de capacidade de sabotamento e impunidade em nosso país.

O sol está esplendoroso agora. O céu, espetacularmente azul. - É preciso que eu corrija aquela minha frase lá de cima: Nada há de estragar o nosso sábado, nem a alegria de nossas vidas!

Acima de tudo, acreditamos que tornar este país respeitoso e fraterno é possível. E, cada um à sua maneira, tentamos fazer de todos os nossos dias um exemplo de coerência com esta crença e construção - por mais que, às vezes, pareça tão difícil e desestimulante.

Parabens aos jovens de Brasília. Parabens às instituições que lhes deram e estão dando apoio. Parabens ao Delegado. Parabens ao representante da Comissão de Direitos Humanos OAB/DF. - Gente assim nos enche de orgulho!


Após trocar uma carícia no rosto, dois amigos homossexuais são convidados, pelo dono do bar onde estavam, a se comportar de "maneira adequada". O caso para na delegacia

Naira Trindade

Publicação: 26/09/2009 08:15 Atualização: 26/09/2009 08:44

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/09/26/cidades,i=144526/BEIJO+ENTRE+HOMOSSEXUAIS+VIRA+CASO+DE+POLICIA+NA+ASA+SUL.shtml

Cinco amigos atores — todos homossexuais — sentaram-se a uma mesa de bar. Um beijou a face do outro como demonstração de carinho. A atitude causou irritação no proprietário do estabelecimento, que pediu que os jovens se “comportassem” enquanto permanecessem no local. A intimidação constrangeu os rapazes e eles se retiraram do espaço. A noite que deveria ser de diversão terminou na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), com o registro de uma ocorrência sobre ofensa ao direito à personalidade, garantido pela Constituição Federal.

As vítimas não formam um casal homoafetivo. Jonathan Andrade, 27 anos, e Eduardo Dutra, 25, são amigos. Na última quarta-feira, eles escolheram o Bar Leblon, na 208 Sul, para uma conversa regada a chope. Chegaram às 23h e pediram as bebidas. Antes mesmo que elas fossem servidas, Eduardo abraçou o amigo Jonathan e afirma ter lhe dado um beijo no rosto. Em menos de 10 minutos de permanência do grupo no bar, o gerente José Geraldo Vieira aproximou-se educadamente e pediu que os dois não se abraçassem ou se beijassem enquanto estivessem no local.

A repressão causou indignação nos jovens. Eles se levantaram e acompanharam o gerente que se retirava após passar a mensagem. Queriam saber qual era o problema em manifestar afetividade em um espaço aberto ao público, como um bar. “Dava para perceber o constrangimento do gerente ao fazer o pedido. Parecia uma recomendação do superior dele”, observa Dutra. Durante a conversa, Pedro Diniz, 27, um dos três proprietários do estabelecimento, apareceu e convidou os jovens a continuar aquela conversa na calçada do lado de fora do bar, distante das mesas de clientes que assistiam a um jogo de futebol e ouviam música alta.

“Fomos levados para fora do local e lá o proprietário disse que não queria esse tipo de atitude (beijo entre pessoas de mesmo sexo) no bar dele, como se estivéssemos fazendo algo errado”, revolta-se Eduardo, que tem uma relação estável com um homem há cinco anos. Nem Jonathan nem Eduardo sentem vergonha em assumir a homossexualidade. O imbróglio envolvendo o grupo de amigos teria se iniciado na sexta-feira, dia 18, quando eles comemoravam um aniversário no mesmo bar. “Naquela noite, um dos nossos amigos deu um ‘selinho’ no namorado”, lembra Jonathan. Os jovens acreditam que o dono do bar lembrou-se do episódio e quis evitar que se repetisse.

Defesa
A versão é confirmada por Pedro Diniz, que alega que beijos excessivos — tanto entre heterossexuais quanto homossexuais — são reprimidos. “Se fosse um casal de heteros desrespeitando os outros clientes, a gente também pediria para parar. Nosso público é familiar.” Diniz garante que não expulsou o grupo: “Só pedi que eles se comportassem de maneira adequada. Não posso perder 10 mesas por causa de uma”.

A aversão a homossexuais — conhecida como homofobia — não é considerada crime no Brasil. No entanto, a discriminação contra raça, sexo ou gênero é crime de ofensa aos direitos da personalidade. “Todo e qualquer ato discriminatório deve ser terminantemente proibido. Se a atitude não foi nada que atentasse ao pudor de quem estava no local, ninguém tem o direito de recriminar. Eles são seres humanos e merecem respeito”, explica o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Jomar Alves Moreno. “A atitude cabe ação cível com direito a danos morais. Separar o local como ambiente familiar é outro erro. Homossexuais podem constituir uma família e adotar filhos”, completa.

Professora da Universidade de Brasília e doutoranda sobre relações homossexuais, Suzana Viegas complementa que existe uma proteção sobre a orientação sexual das pessoas. “O artigo 3º, inciso 4º da Constituição protege todas as pessoas de qualquer forma de discriminação, seja ela gorda, magra, negra, branca, hetero ou homossexual. E o fato de eles não formarem um casal só mostra que a ação foi arbitrária. É preciso ter respeito ao princípio da dignidade.”

O Núcleo de Atenção à Diversidade e Enfrentamento à Discriminação Etnorracial, Sexual e Religiosa (Nudim), da Secretaria Especial de Direitos Humanos do DF, acompanha há cinco meses episódios de preconceito na capital. “O órgão é novo e ainda não fizemos um levantamento da quantidade dos casos, mas estamos acompanhando e vamos verificar essa caso”, explica a chefe do núcleo, Carol Silvério.


PROJETO DE LEI
O artigo 2º do Projeto de Lei Federal 5003, de 2001, altera uma lei de 1989 que define como crime preconceitos de raça, cor ou sexo. No projeto, fica proibida a adoção de qualquer prática discriminatória e limitativa para efeito de acesso a emprego, ou sua manutenção, por motivo de sexo, orientação sexual e identidade de gênero, origem, raça, cor, estado civil, situação familiar ou idade, ressalvadas as hipóteses de proteção ao menor. O projeto prevê punição de dois a cinco anos de reclusão para quem discriminar outra pessoa pelas razões citadas. Àquele que impedir ou recusar o ingresso ou permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público, a pena será de um a três anos de prisão. No entanto, o projeto tramita no Senado, sem previsão para ser votado.


TELEFONES
Denúncias de discriminação sexual podem ser feitas para o Núcleo de Atenção à Diversidade e Enfrentamento à Discriminação Etnorracial, Sexual e Religiosa (Nudim) pelos telefones 0800 647 1407, 3322-9368 ou 3224-4898.

Para saber mais

Beijaço para protestar

O corte da cena de um beijo entre atores de mesmo sexo na novela América, da Rede Globo, em 2005, gerou comoção nacional. Várias cidades do país promoveram um beijaço como forma de protestar contra o preconceito. A ação se repetiu em Brasília, quando um casal de homossexuais sofreu represálias ao se beijar à beira das piscinas da Água Mineral. Anos antes, em outubro de 2003, dezenas de brasilienses se reuniram no Bar Beirute, na Asa Sul, para se manifestar contra garçons que constantemente pediam aos casais de homens ou de mulheres que parassem de se beijar. Os funcionários argumentavam que o ato desrespeitava o local."
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/09/26/cidades,i=144526/BEIJO+ENTRE+HOMOSSEXUAIS+VIRA+CASO+DE+POLICIA+NA+ASA+SUL.shtml



Mão na perna e beijo em
bar viram caso de homofobi
a

http://www.paroutudo.com/materias/redacao/090925.php

Publicado em 25.09.2009 Welton Trindade

Na madrugada da quinta-feira 24, os amigos Eduardo Dutra, 24 anos, ator, e Jonathan Andrade, 27 anos, ator e professor, estavam em um local e em um clima bem diferente daquele que imaginaram ao se reunir horas antes com outros dois conhecidos no Botequim Leblon, que fica na comercial da 208 Sul. O que era para ser um simples encontro de amigos se transformou em caso de polícia por conta da homofobia. Um caso que tem aparecido em muitos e-mails de LGBTs do DF encaminhados por gente revoltada com o episódio.

"Chegamos ao bar, nos cumprimentamos e fizemos o nosso pedido. Logo depois, o gerente do local se aproxima e diz para que ficássemos comedidos. Isso porque dei uma abraço, ou no máximo, um beijo no rosto do meu amigo", relata Dutra. A confusão foi tanta que o grupo foi para a calçada do local tentando obter explicações do gerente. Foi quando o dono do bar apareceu. "Segundo o proprietário, o bar não era local para esse tipo de coisa. Que já tínhamos o prejudicado muito na sexta-feira anterior, quando um dos meus amigos e um outro grupo tinham ido lá. E tudo isso de forma bem grosseira", explica. "Realmente, na sexta-feira, um amigo meu deu um selinho no namorado, que era aniversariante, mas foi isso, um selinho", afirma o ator.

Indignado com o tratamento, o grupo, orientado por uma advogada conhecida por um deles, foi à 1° Delegacia de Polícia fazer o boletim de ocorrência. Entretanto, o nervosismo continuava. "Tínhamos muito receio de irmos a uma delegacia. Medo de sermos discriminados de novo, mas o que aconteceu foi o contrário. O delegado foi super compreensivo e até lamentou o fato de não haver uma lei no Brasil que punia a homofobia, mas nos explicou os outros crimes que podem ser aplicados no caso, tais como danos morais e desrespeito às leis em defesa do consumidor", diz Dutra.

Agora, Dutra e Andrade estão recebendo assistência do Núcleo Jurídico do Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb) e registraram o caso também no Núcleo de Atenção à Diversidade e Intolerãncia Sexual, Religiosa e Racial, da Secretaria de Estado de Assistência Social e Transferência de Renda. Eles foram orientados pelo serviço Casa Roxa, da ONG Coturno de Vênus.

Dutra diz que está preparado para prosseguir com o caso na Justiça. "Que o que ocorreu com a gente sirva de exemplo para que não aceitemos a discriminação. E vamos mostrar que quem discrimina comete um crime ao fazer isso."

: : O outro lado

Geraldo Vieira, gerente do Bar Leblon, confirma que houve o pedido para que o grupo se "controlasse". "Eles se beijaram na boca e um estava com a mão na perna do outro. Cheguei e falei para eles que o estabelecimento era familiar e que o comportamento deles não era adequado. Que eles poderiam continuar na mesa, mas com essa condição." Vieira afirma que esse procedimento é comum no bar. "Dias antes, um casal de homem e mulher estavam em um amasso numa mesa no fundo. Fui lá e os adverti. A regra vale para todos."

A respeito do episódio da sexta-feira anterior ao dia do ocorrido, o gerente confirma-o e dá mais detalhes. "Esse grupo tinha vindo dias antes e feito o mesmo. Até tinha um major da Polícia Militar aqui, amigo do dono, que diz que tinha gostado do bar, mas que a clientela era diferente da que ele tinha imaginado. Ele pediu a conta e foi embora. E outras duas mesas fizeram isso também."

Perguntado se a atitude dele e do dono do bar foi discriminatória, a resposta é negativa. "Não foi discriminação. Eles poderiam ficar no bar, mas só que sem chamar a atenção e respeitando os outros clientes"."
http://www.paroutudo.com/materias/redacao/090925.php

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

NOTA DA ABRAGAY SOBRE ATITUDE DO GOVERNADOR DO MS ANDRÉ PICCINELLI (PMDB)

A nota abaixo, segundo divulgado, foi elaborada em 23/09/09 pela manhã e distribuída à imprensa juntamente com o ofício da ABGLT. À comunidade das listas de discussões, contudo, somente foi tornada pública em 24/09/09, às 10:18 horas. Segue o texto divulgado:


"Abragay se pronuncia em relação ao governador do MS

Desrespeitosa e inoportuna a atitude do governador André Puccinelli (PMDB), do
Mato Grosso do Sul ao referir-se ao Ministro Carlos Minc como "viado".

O Ministro Minc é um fervoroso simpatizante da luta de LGBT por direitos e cidadanias. A utilização da referência pejorativa aos homossexuais com fins ofensivos somente coloca em dúvida as intenções de um estado que acaba de elaborar um Plano Estadual de Enfrentamento das DST-AIDS entre Gays, HSH e Travestis, onde se propõe, entre outras ações, a combater a homofobia e a transfobia, como fatores de vulnerabilidade dessa população à doença.

Um homem que declara publicamente que estupraria alguém em praça pública como forma de provar sua não homossexualidade - e a homossexualidade do outro - ou como manifestação de força para se conseguir o que quer não merece estar à frente de um estado tão carente de políticas públicas que o tirem da condição de subdesenvolvimento e ofereça melhores condições de vida à sua população.

Diretoria da Associação Brasileira de Gays.

Marcos Trajano

Presidente"

GOVERNADOR DE MS, ANDRÉ PUCCINELLI, DO PMDB, PEDE DESCULPAS AO MINISTRO MINC

Foto: Rachid Waqued, do portal do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul

"Campo Grande (MS) – Na tarde desta terça-feira (22), o governador André Puccinelli reuniu a imprensa em seu gabinete para esclarecer sobre as declarações que envolvem o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc.

O governador, acompanhado do presidente da Federação das Indústrias de MS, Sérgio Longen, e do superintendente do Sebrae/MS, Cláudio Mendonça, apresentou pedido pessoal de desculpas ao ministro e reiterou que sua fala foi proferida em ambiente diverso ao da repercussão.

“As críticas direcionadas ao ministro do Meio Ambiente restringem-se ao ambiente técnico e político dos assuntos de interesse do Mato Grosso do Sul e também do ministério”, afirmou André aos jornalistas na nota oficial distribuída.

De acordo com a nota, “quaisquer desdobramentos alheios devem ser entendidos como inapropriados e, se gerarem ofensa ao ministro Carlos Minc, o governador André Puccinelli ratifica suas desculpas”.

Veja abaixo o texto na íntegra da nota oficial:

Nota Oficial

O Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, tendo em vista a divulgação de declarações do governador André Puccinelli e que se referiam ao ministro Carlos Minc, do Meio Ambiente, lamenta a conotação de ofensa a elas atribuídas, pois foram feitas em ambiente diverso, e, antecipando-se a qualquer outra conotação, esclarece que as criticas restringem-se ao ambiente do debate técnico e político dos assuntos que dizem respeito aos interesses de Mato Grosso do Sul e ao Ministério do Meio Ambiente.

Quaisquer outros desdobramentos devem ser entendidos como inapropriados e, na hipótese de terem gerado ofensa ao Ministro, o Governador do Estado de Mato Grosso do Sul apresenta seu pedido de desculpas."

http://www.ms.gov.br/noticias/index.php?templat=vis&site=136&id_comp=1068&id_reg=81058&voltar=home&site_reg=136&id_comp_orig=1068

MOÇÃO DE REPÚDIO CONTRA O GOVERNADOR DO MS, DA COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS DA CÂMARA DOS DEPUTADOS

__________________________________________________________
CÂMARA DOS DEPUTADOS
Comissão de Direitos Humanos e Minorias



Brasília, 23 de setembro de 2009

MOÇÃO DE REPÚDIO A DECLARAÇÕES DO GOVERNADOR
ANDRÉ PUCCINELLI CONTRA O MINISTRO CARLOS MINC


A Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados manifesta veemente repudio às declarações ofensivas feitas ontem (22) pelo governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, contra o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc – a quem
ameaçou "estuprar em praça pública", em resposta a ações do ministro em defesa do meio ambiente do Pantanal.

A grosseria das afirmações de Puccinelli desrespeita a própria função pública eletiva de um governador, que agiu neste caso em absoluto descompasso com as características generosas do povo sul-matogrossense.

Além de revelar uma visão homofóbica e preconceituosa, incompatível com os preceitos básicos dos direitos humanos, Puccinelli incorreu na apologia ao crime de estupro, revelando insensibilidade às vítimas desse crime hediondo.

Ainda que tenha se “desculpado” por meio de ambígua nota oficial distribuída por sua assessoria, o governador André Puccinelli fica devedor à sociedade de ações concretas e condutas em defesa de valores e direitos humanos.

Aprovada por unanimidade em reunião ordinária de 23 de setembro de 2009.


Deputado Luiz Couto
Presidente

Câmara dos Deputados - anexo II - sala 185A - Pavimento Superior -CEP 70.160-900 - Brasília - DF - Brasil
Tel: (061) 3216-6570 - fax: (061) 3216-6580 e-mail: cdh@camara.gov.br
Home page: http://www.camara.gov.br/cdh

http://www2.camara.gov.br/comissoes/cdhm/CDHM-Mocao-Puccinelli-23-09-2009.pdf

MANIFESTO DE REPÚDIO AO GOVERNADOR DO MS E AO MINISTRO DO MEIO AMBIENTE, DO INSTITUTO ARCO ÍRIS DE FLORIANÓPOLIS

Prezadas Senhoras e Senhores,

O Instituto Arco-Íris, devidamente registrado conforme segue:

OSCIP MJ 08015.011557/2003-70 , CNPJ Nº 01.832.996/0001-64, Inscrição Municipal Nº 415.321-9, Registro Conselho Municipal de Assistência Social Nº 097/2.002, LEI DE UTILIDADE PUBLICA MUNICIPAL Nº 5.559 e LEI DE UTILIDADE PUBLICA ESTADUAL Nº 12.288. localizado a Travessa Ratcliff, 56 em Florianópolis, Estado de Santa Catarina, através de seu Membro do Conselho Fiscal, Sociólogo Roberto Luiz Warken,Msc, manifesta-se publicamente contra as declarações do Sr, Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc e o Sr. Governador do Estado do Mato Grosso do Sul, Sr. André Puccinelli (PMDB).

Os senhores Ministro e Governador acima citados vem se atacando publicamente utilizando a Orientação Sexual Homossexual em forma de adjetivação negativa, como pode ser visto em FONTE: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3991274-EI7896,00-Minc+diz+que+governador+que+o+atacou+e+homossexual+enrustido.html.

O conteúdo do link acima encontra-se abaixo deste texto.

Consideramos que além de ser fora do contexto de dois representantes de duas esferas importantes do Estado (Federal e Estadual) e, em nome das pessoas que os elegeram (nós, o povo) utilizam de linguagem metafórica com o intuito de degradar, humilhar, constranger,enfim, uma linguagem visivelmente homofóbica, como se a orientação sexual estivesse alinhada a condição moral ou ética, o que não é verdade.

PEDIDO

Desta forma, solicitamos ao Governo Brasileiro que providências sejam tomadas no sentido de pedir que ambos, no mínimo venham a público manifestar suas desculpas.

CONTEXTO EM SE CELEBRA TAL PEDIDO

O Brasil, admirado no exterior por conter as maiores riquezas da Terra, ou seja, o maior potencial energético e a maior selva (biosfera), também é considerado um dos países onde mais ocorrem crimes contra pessoas homossexuais. Exemplos como destas duas autoiridades podem incentivar tal comportamento e gerar violência, criar um efeito catastrófico em cascata. Talvez não estejam a par de quantas crianças homossexuais se suicidam, ou quantas destas sofrem assédio moral (bullying) ou quantas destas são vítimas de pedófilos?

Se pessoas que devem e são exemplos para a comunidade trocam agressões entre si ofendendo a uma categoria que representa mais ou menos 10% da população brasileira, ou seja: mais ou menos 19 milhões de habitantes, é porque chegamos ao limite.

Este clima gera insatisfação. Este é um governo que tem tudo para banir o preconceito, a homofobia, em especial. Aliás , onde estão as ações previstas no Brasil sem Homofobia? Onde estão os elementos da I Conferencia LGBT do mundo chamada por um presidente?

Se o Estado Brasileiro é laico, porque pessoas homossexuais não tem acesso a mais 250 Direitos previstos em nossa Constituição? Ou devemos pensar de forma lógica? Se não temos os mesmos Direitos, porque temos os mesmos Deveres?

Senhores, Ministro de Estado e Governador de Estado, é no diálogo, no bom senso e, principalmente, no Respeito Mútuo que as situações se resolvem.

Não aceitamos tal comportamento.

Atenciosamente e pela criminalização da homofobia

Roberto Luiz Warken

Sociólogo, Especialista em Educação Sexual
Mestre em Educação, Membro do Conselho do Instituto Arco-Íris (SC)
http://www.warken.floripa.com.br




Minc diz que governador que o atacou é homossexual enrustido
FONTE: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI3991274-EI7896,00-Minc+diz+que+governador+que+o+atacou+e+homossexual+enrustido.html


O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, voltou a ironizar o governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), e afirmou que o gestor é um "homossexual enrustido".

Na terça-feira, o governador classificou o ministro de "veado e fumador de maconha" e disse que o estupraria em praça pública caso voltasse ao Estado para participar de eventos ambientais.

"Ele deve fazer uma análise mais profunda da declaração dele sobre o estupro em praça pública e examinar e tratar com mais carinho o homossexualismo que existe dentro dele próprio e talvez aceitar isso com mais razoabilidade. O Freud (Sigmund Freud, psicanalista) explica que muitas pessoas que têm o homossexualismo enrustido tentam matar o homossexual que há dentro dele próprio", disse o ministro, descartando pretender processar Puccinelli pelas agressões. "Eu sou um defensor conhecido dos direitos dos homossexuais contra todos os preconceitos. Agora acho que o povo e os tribunais têm de julgar se ele está apto para exercer o governo do Estado."

Ainda na tarde de ontem, o próprio governador sul-matogrossense pediu desculpas pelas ofensas dirigidas ao ministro e, em nota, disse que se tratava de uma "brincadeira".

"É um ataque gratuito. Na verdade ele professou um estupro ao Pantanal e um estupro a ele próprio", afirmou Carlos Minc. "São os eleitores e naturalmente os tribunais que vão julgar se uma pessoa com esse nível de desequilíbrio está apta para exercer o governo do Estado. Esse nível para onde ele está levando o debate, mais para as páginas policiais ou para o divã de psicanalistas, deve ser julgado pelos eleitores ou pelos promotores que acharem que ele está incapacitado para exercer o governo do Estado."

Para o ministro, independentemente dos ataques feitos pelo governador, o governo continuará coibindo o plantio de cana-de-açúcar em regiões como o Pantanal e tentando evitar desequilíbrios ambientais promovidos pela agricultura sem controle.

"(O governador) É uma pessoa desequilibrada. Aliás, tem de um lado o desequilíbrio ambiental que ele provocaria se a gente deixasse destruir o Pantanal com cana-de-açúcar, e um desequilíbrio patológico também", ressaltou o ministro. "Estou acostumado a embate político com ruralistas, com governadores, mas em cima de ideias. Uma agressão como essa é difícil até imaginar como uma pessoa dessa pretende exercer o governo do Estado."

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

NOTA OFICIAL CONTRA FALA DO GOVERNADOR DO MS ANDRÉ PUCCINELLI (PMDB), DO GRUPO ARCO ÍRIS - RJ

*Nota Oficial*



O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT repudia veementemente as declarações do Governador do Estado de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB) que atacam de maneira pouco ética o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (PT).
Nossa organização entende que todo o tipo de divergência político-administrativa deve ser solucionada de forma pacífica e sem ofensas de baixo calão, como ocorrido na manhã do dia 22 de setembro deste ano.

Chamar o Ministro do Meio Ambiente de “viado e fumante de maconha” e declarar que “ o estupraria em praça pública”, no mínimo deve ser considerado como quebra de decoro. A conduta homofóbica do referido governador deve ser enquadrada pelo Ministério Público nos crimes de injúria, calúnia e difamação. Carlos Minc é um Ministro de Estado e deve ser respeitado como tal.

O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT rejeita as declarações e reivindica a retratação pública por parte do referido governador.


Gilza Rodrigues
Presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

PEDIDO DE EXPLICAÇÕES AO GOVERNADOR ANDRÉ PUCCINELLI, DO MS (PMDB), OFÍCIO DA ABGLT

"Ofício PR 478/2009 (TR/dh) Curitiba, 23 de setembro de 2009

Ao: Exmo. Sr. André Puccinelli

Governador do Mato Grosso do Sul

Senhor Governador,

Assunto: Explicações pede-se

A ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais - é uma entidade de abrangência nacional que congrega 220 organizações congêneres e tem como objetivo a defesa e promoção da cidadania desses segmentos da população. A ABGLT também é atuante internacionalmente e tem status consultivo junto ao Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas.

Atentos ao panorama político nacional, tomamos conhecimento dos relatos de sua fala ontem (22/08) quando o senhor teria se referido ao Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de "Viado fumador de maconha".

Ficamos surpreendidos com essa declaração, utilizando da homossexualidade para menosprezar uma pessoa, uma vez que o senhor foi um dos apenas três governadores que prestigiaram as Conferências Estaduais LGBT em 2008, e que seu governo apoia o Centro de Referência LGBT de Campo Grande, bem como a Associação das Travestis e Transexuais do Mato Grosso do Sul.

Sabemos que na hora do nervosismo às vezes queremos agredir, mas, se sua declaração foi reproduzida fielmente pelos meios de comunicação, o senhor foi infeliz, ao utilizar-se de um termo denotando a homossexualidade como forma de menosprezar outra pessoa. Desta forma, o senhor reforçou o preconceito à homossexualidade, atitude pouco condizente com o decoro de um político do naipe do senhor.

Neste sentido, seria importante que o senhor explicasse o acontecido e deixasse claro, publicamente, que não tem preconceito contra os homossexuais.

Afinal, cabe a todos nós, sobretudo aqueles que têm responsabilidades por gerir políticas públicas, combater toda e qualquer forma de preconceito e discriminação, conforme reza o Inciso III do Artigo 3º da Constituição Federal.

Salientamos que outros parlamentares e políticos que fizeram declarações desta natureza nos últimos anos tiveram se retratarem em seguida.

Na expectativa de sua manifestação pública neste sentido, colocamo-nos à disposição pelos telefones 41 9602 8906, e despedimo-nos

Cordialmente

Toni Reis

Presidente"
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Em 30 de setembro, o presidente da ABGLT divulgou a resposta recebida do governador do Mato Grosso do Sul. Veja o ofício digitalizado:

sábado, 19 de setembro de 2009

gosto de continuar a me sentir útil à minha luta: o reconhecimento dos direitos dos homossexuais

Este é o norte que orienta a existência de Adnan Ali, paquistanês de 37 anos, que mora no Rio de janeiro por conta das perseguições não raro fatais desferidas aos homossexuais em seu país.

No Brasil há menos de um ano, Ali pode contar com o apoio emocional de seu parceiro, integrante da Médicos sem Fronteiras.

Embora se permita desfrutar das belezas naturais e das facilidades de socialização existentes na cidade em relação ao seu país de origem, Adnan Ali se mantém consciente do compromisso com o coletivo e, através da internet, tem procurado dar apoio a outros homossexuais que, por força da estigmatização, sentem-se oprimidos, alguns chegando a pensar em suicídio.

Confira a matéria da Revista Época, na íntegra:

"'Gay e muçulmano? Como assim?'"

Fernando Scheller Com Juliano Machado
17/09/2009

Essa é a pergunta mais ouvida por Adnan Ali, um paquistanês que mora no Rio e luta por uma difícil causa: a aceitação de homossexuais pelo islã


Num colégio interno de Lahore, no Paquistão, o menino sunita Adnan Ali, então com 13 anos, mal podia esperar pelas orações do fim da tarde. Na mais importante prece do dia, estudantes das duas correntes do islã – sunitas e xiitas – se reuniam. Era a oportunidade que ele tinha de ver Jamal, um jovem xiita de 15 anos que estudava em outro pavilhão, destinado aos alunos mais velhos. Durante as preces, os dois cruzavam a linha que os separava para orar lado a lado – os sunitas, maioria, rezavam à frente da mesquita, e os xiitas ficavam na parte de trás. De vez em quando, enquanto faziam os movimentos em respeito a Alá, suas mãos se tocavam, em um ritual que se repetia todos os dias.

Jamal foi o primeiro namorado de Adnan Ali, hoje com 37 anos. Mas Adnan diz que sua homossexualidade aflorou quando ainda era criança. Mesmo sem entender direito, achava os homens dos filmes indianos de Bollywood mais interessantes que as mulheres. “Sabia que, de algum jeito, queria estar perto deles”, diz. Vivendo hoje no Rio de Janeiro com seu parceiro, um inglês da ONG Médicos Sem Fronteiras, Adnan é um dos principais ativistas no mundo de uma causa aparentemente impossível: a aceitação de homossexuais na comunidade islâmica.

O desafio de Adnan começou em casa. Quando era adolescente, seus pais abriram uma carta amorosa de um jovem endereçada a ele. Além de ter recebido uma surra, Adnan teve de prometer que jamais falaria com o remetente. Ele diz se lembrar de um vizinho arrastado por policiais para fora de casa depois de ser flagrado num ato sexual com outro homem. Adnan nunca mais o viu. “Geralmente não se sobrevive à punição”, afirma. No Paquistão, onde a lei islâmica tem forte influência sobre a legislação civil, a homossexualidade ainda pode ser punida com a pena capital.

A família de Adnan só tolerava sua condição porque era praticamente sustentada pelo dinheiro de seu trabalho, principalmente enquanto esteve empregado na área de reservas do hotel Marriott de Islamabad, capital paquistanesa. “Isso me dava um passe livre para fazer o que quisesse. De certa forma, comprei a aceitação de meus pais.” Em 1996, ele ganhou uma bolsa para estudar produção teatral na Inglaterra e foi embora. Três anos depois, já integrado à pequena comunidade de gays assumidos de origem muçulmana no Reino Unido, Adnan fundou a representação britânica da ONG americana Al-Fatiha, destinada a auxiliar essa minoria no mundo islâmico – Al-Fatiha, que significa “a abertura” em árabe, é o nome do primeiro capítulo do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. O trabalho de Adnan virou tema de um documentário da rede de TV britânica Channel 4, em 2006. A aparição no programa lhe rendeu uma fatwa (sentença) de líderes religiosos islâmicos, condenando-o à morte – a mesma decisão aplicada nos anos 90 ao escritor indiano Salman Rushdie por sua obra Versos satânicos. Mas Adnan diz não temer a sentença: “Não significa absolutamente nada para mim. Continuo a viver minha vida normal e a mostrar meu rosto”.

O Alcorão chama de “um povo de insensatos” os homens
que se aproximam de outros homens

Adnan reconhece a dificuldade de sua luta. Afirma que nem mesmo a comunidade gay sabe lidar muito bem com seus integrantes do islã. “A reação costuma ser: ‘Gay e muçulmano, como assim?’.” Dentro do islamismo, aceitar gays seria o mesmo que reescrever o Alcorão, na visão das autoridades religiosas. “Tudo o que Deus criou foi em forma de casal. Homem, animais e até plantas. Nada do mesmo sexo produz frutos”, afirma o xeque xiita Ali Abou Raya, imame (sacerdote) da Mesquita Mohammad Mensageiro de Deus, em São Paulo. “É preciso deixar claro que o homossexualismo nunca será liberado na jurisprudência islâmica. A orientação é direta e clara.”

Abou Raya cita duas passagens do Alcorão para justificar sua posição. Ambas descrevem o que teria acontecido aos habitantes de Sodoma e Gomorra. Na sura (capítulo) 27, versículo 55, o livro sagrado faz referência a homens que se aproximam de outros homens e os chama de “um povo de insensatos”. O outro trecho é a sura 11, versículo 78, no qual o profeta Lot pede a seu povo, “que desde antanho havia cometido obscenidades”, que tema a Deus. Para Abou Raya, é um recado aos gays. “O profeta os adverte a não cometer essas relações”, diz. Militantes gays como Adnan argumentam que as passagens referem-se a atos de sodomia e de estupro praticados entre pessoas do mesmo sexo, e não a relações homossexuais consensuais, entre dois adultos.

Para a religião islâmica, a homossexualidade é vista como algo reversível, ou seja, um pecado do qual é possível se redimir. “Se um muçulmano homossexual acredita que sua condição seja natural, ele deixa de fazer parte do islamismo. Mas se ele reconhece que está passando por uma dificuldade, um problema psicológico, então passa a ser um pecador que deve receber ajuda de sua comunidade religiosa”, afirma o xeque sunita Jihad Hassan Hammadeh, presidente do Conselho de Ética da União Nacional das Entidades Islâmicas. Hammadeh afirma que o islamismo condena o preconceito, mas reconhece que nem sempre “algumas pessoas” dentro do mundo islâmico agem de forma tolerante. Basta recordar uma declaração do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ao discursar em 2007 para alunos da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos. Respondendo à pergunta de um estudante sobre como gays eram tratados no Irã, disse: “Lá não há gays como em seu país; não temos esse fenômeno”.

No Rio de Janeiro, há pouco menos de um ano, Adnan ainda está conhecendo o universo GLS da cidade. Diz estar com vontade de ir a um bar gay na Gávea e conheceu alguns ativistas durante um seminário anti-homofobia. “Não vou muito à praia, embora goste de sentar na areia e ler um livro. Já fui ao Posto 9 (em Ipanema) muitas vezes, e é legal ver as bandeiras com o símbolo gay (arco-íris) tremulando”, afirma. Como no Brasil a comunidade muçulmana é pequena, ele dá apoio a gays brasileiros de qualquer credo, por meio de um círculo de amigos na internet. Assim conheceu um jovem baiano que, ao se descobrir gay, passou a pensar em suicídio. “Eu tenho conversado com ele para fazê-lo desistir da ideia. Gosto de pensar que continuo útil pela minha causa.”

FONTE: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI93936-15227,00-GAY+E+MUCULMANO+COMO+ASSIM.html

as perseguições e assassinatos no mundo muçulmano

A violência da perseguição sistemática desferida contra homossexuais por parte de determinadas religiões, a sua irracionalidade e barbarismo, fazem-nos lembrar o ódio que historicamente tem sido devotado aos judeus.
- Tanto um como o outro deve merecer o mais profundo e determinado repúdio de todos quanto sejam dotados de um mínimo de senso crítico. Aliás, como toda e qualquer forma de opressão.

Rita

"Uma onda de homofobia varre o mundo muçulmano
Der Spiegel
Juliane von Mittelstaedt e
Daniel Steinvorth

Na maioria dos países islâmicos, homens e mulheres homossexuais sofrem ostracismo, perseguição e, em alguns casos, são assassinados. Regimes repressivos frequentemente atiçam as chamas do ódio em uma tentativa de superar os radicais islâmicos na disseminação do "pânico moral".

Homens barbados o sequestraram no centro de Bagdá, o jogaram em um buraco escuro, o acorrentaram, urinaram nele e bateram nele com um cano de ferro. Mas o pior momento para Hisham, 40 anos, ocorreu no quarto dia da provação, quando os sequestradores telefonaram para sua família. Ele ficou apavorado de que contariam para sua mãe que ele é gay e este ter sido o motivo de seu sequestro. Se o fizessem, ele nunca mais poderia ver sua família de novo. A vergonha seria insuportável para ela.

"Façam o que quiserem comigo, mas não contem para eles", ele gritou.

Em vez de humilhá-lo aos olhos de sua família, os sequestradores exigiram um resgate de US$ 50 mil, uma soma imensa para uma família comum iraquiana. Seus pais teriam que se endividar e vender todos as posses de seu filho para levantar o dinheiro necessário para assegurar sua liberdade. Logo após terem recebido o resgate, os sequestradores jogaram Hisham para fora do carro em algum ponto no norte de Bagdá. Eles decidiram não atirar nele e o deixaram partir. Mas eles lhe deram um recado: "Esta é sua última chance. Se virmos você de novo, nós o mataremos".

Isso foi há quatro meses. Hisham mudou-se para o Líbano. Ele disse para sua família que decidiu fugir da violência e terror em Bagdá e que encontrou trabalho em Beirute. Não é preciso dizer que ele não revelou o fato de que está impossibilitado de viver no Iraque devido aos esquadrões da morte que estão caçando homens de "aparência efeminada".

Em Bagdá, uma nova série de assassinatos teve início neste ano, perpetrados contra homens suspeitos de serem gays. Eles frequentemente são estuprados, sua genitália é cortada fora e seus ânus fechados com cola. Seus corpos são deixados em aterros sanitários ou jogados nas ruas. A organização sem fins lucrativos Human Rights Watch, que vem documentando muitos desses crimes, fala de uma campanha sistemática de violência envolvendo centenas de assassinatos.

Restaurando os 'valores morais religiosos'
Acredita-se que um videoclipe mostrando homens dançando uns com os outros em uma festa em Bagdá, em meados de 2008, tenha provocado esta série de sequestros, estupros e assassinatos. Milhares de pessoas o assistiram pela internet e celulares. Líderes religiosos islâmicos começaram a criticar a crescente presença de um "terceiro sexo", que supostamente os soldados americanos teriam trazido consigo. Os seguidores do líder radical xiita Muqtada al Sadr, em particular, sentiram que havia a necessidade de uma ação visando restaurar os "valores morais religiosos".

Em sua fortaleza, a área de Bagdá conhecida como Sadr City, milicianos vestidos de preto patrulham as ruas, à procura de qualquer um cuja "aparência não máscula" ou comportamento possibilite identificá-lo como sendo homossexual. Frequentemente cabelo comprido, camisetas e calças justas ou um certo modo de andar representam sentença de morte para as pessoas em questão. Mas não é apenas o exército Mahdi que está caçando e matando gays. Outros grupos como as milícias sunitas ligadas à Al Qaeda e os serviços de segurança iraquianos também estão envolvidos.

Os homossexuais no Iraque podem estar enfrentando uma situação excepcionalmente perigosa, mas eles sofrem ostracismo em quase toda parte no mundo muçulmano. As organizações de direitos dos gays estimam que mais de 100 mil homens e mulheres gays atualmente são discriminados e ameaçados nos países muçulmanos. Milhares deles cometem suicídio, vão para a prisão ou se escondem.

Os egípcios iniciaram a repressão
Mais de 30 países islâmicos possuem leis que proíbem a homossexualidade e a tornam um crime. Nas maioria dos casos, as punições variam de chicotadas até prisão perpétua. Na Mauritânia, Bangladesh, Iêmen, partes da Nigéria e Sudão, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Irã, homossexuais condenados também podem ser sentenciados à morte.

Nos países muçulmanos onde a homossexualidade não é contra a lei, homens e mulheres gays são ainda assim processados, presos e, em alguns casos, assassinados. Apesar de há muito conhecido por sua cena gay aberta, o Egito iniciou recentemente uma dura repressão. As vidas dos homossexuais são monitoradas por um tipo de esquadrão que recruta informantes e emprega escutas telefônicas. Tão logo a polícia acumula o tipo de evidência que precisa, ela acusa as vítimas de "devassidão".

Na Malásia, a homossexualidade é usada como arma política. Em 2000, o líder de oposição Anwar Ibrahim foi sentenciado a nove anos de prisão por supostamente cometer "sodomia" com o chofer de sua esposa, assim como com um ex-redator de discursos. Em 2004, a condenação foi derrubada na apelação e ele foi absolvido. Em meados de 2008, acusações foram feitas contra ele em um caso semelhante, quando um assessor o acusou de sodomia. O caso ainda está em andamento.

Por algum tempo, Anwar era o favorito do ex-primeiro-ministro Mahathir Mohamad e estava sendo preparado para sucedê-lo no cargo, até entrarem em atrito em 1998. Dez anos e algum tempo depois, em 28 de agosto de 2008, Anwar conseguiu ser empossado de novo como membro do Parlamento malasiano. Mas foi o mais longe que conseguiu em seu retorno à política.

Até mesmo no liberal Líbano, os homossexuais correm risco de serem sentenciados a um ano de prisão. Por outro lado, Beirute tem a única organização gay e lésbica no mundo árabe (Helem, que significa 'sonho' em árabe). Há cartazes nas paredes do escritório do Helem no centro de Beirute, fornecendo informação sobre Aids e dicas sobre como lidar com a homofobia. A existência do Helem está sendo tolerada por ora, mas o Ministério do Interior ainda não lhe concedeu uma permissão oficial. "E é difícil imaginar que algum dia receberemos uma", disse Georges Azzi, o diretor administrativo da organização.

Os islamitas são a força cultural dominante
Em Istambul, há uma cena gay livre, um dia da Parada Gay e até mesmo muçulmanos religiosos estão entre os fãs da diva pop transexual Bülent Ersoy e da falecida cantora gay Zeki Müren. Mas fora do mundo do show business é considerado tanto uma desgraça quanto uma doença ser uma götveren ou "rainha". No exército turco, a homossexualidade é causa de reprovação no exame médico. Para identificar qualquer um tentando usar a homossexualidade como desculpa para escapar do serviço militar, os médicos do exército pedem fotos ou vídeos dos recrutas praticando sexo com um homem. E precisam estar no papel "passivo". Na Turquia, estar no papel ativo é considerado másculo o bastante para não ser prova de homossexualidade.

Parece que uma onda de homofobia varreu o mundo islâmico, um local antes amplamente conhecido por sua mentalidade aberta, onde a literatura homoerótica era escrita e amplamente lida, onde os papéis dos gêneros não eram tão estreitamente definidos e, como nos tempos da Grécia antiga, onde os homens frequentemente buscavam a companhia de rapazes.

Os islamitas agora são força cultural dominante em muitos desses países. Eles incluem figuras como o popular pregador egípcio Yussuf al Qaradawi, que sataniza na televisão os gays como pervertidos. Há quatro anos, o grão-aiatolá xiita Ali al Sistani emitiu uma fatwa (trata-se de um pronunciamento legal no Islão emitido por um especialista em lei religiosa, sobre um assunto específico) dizendo que os gays devem ser assassinados da forma mais brutal possível. Esses líderes de opinião religiosa baseiam seu ódio por gays na história de Lot no Alcorão: "Cometeis abominações como ninguém no mundo jamais cometeu antes de vós, procurando sensualmente os homens, em vez das mulheres. Realmente, sois um povo transgressor". O povo de Lot sofreu a destruição das cidades de Sodoma e Gomorra por seus pecados. O Profeta Maomé diz várias vezes que condena esses atos do povo de Lot e até mesmo chega a pedir pena de morte.

Puritanismo europeu exportado às colônias
A história de Lot e os versos relacionados no Alcorão não foram interpretados como referências não ambíguas ao sexo homossexual até o século 20, disse Everett Rowson, professor de Estudos Islâmicos da Universidade de Nova York. Esta reinterpretação foi resultado de influências ocidentais - sua fonte o puritanismo dos colonialistas europeus que introduziram seu conceito de moralidade sexual nos países recém-conquistados.

O fato é que metade das leis em todo o mundo, que proíbem atualmente a homossexualidade, derivam de uma única lei, que os britânicos aprovaram na Índia em 1860. "Muitas posturas em relação à moralidade sexual, que são consideradas idênticas às do Islã, são culpa mais da rainha Vitória do que do Alcorão", disse Rowson.

Mais do que qualquer outra coisa, é a politização do Islã que tem levado à atual perseguição aos gays. A moralidade sexual deixou de ser um assunto privado. Ele é regulada e disposta pelos governos.

'Os regimes querem controlar a vida privada dos cidadãos'
"Os mais repressivos são regimes seculares como os do Egito ou Marrocos, que estão sob pressão dos radicais islâmicos e tentam superá-los em valores morais", disse Scott Long, do Human Rights Watch. "Além disso, a perseguição dos homossexuais mostra que um regime tem controle sobre a vida privada dos cidadãos - um sinal de poder e autoridade." Por vários anos, um senso de "pânico moral" foi fomentado sistematicamente em muitos países muçulmanos.

O Irã é um caso desses, onde os homossexuais são perseguidos de forma mais ou menos regular desde a Revolução Islâmica. Desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad assumiu o poder, houve certamente um aumento dessa perseguição, apesar de o fato de Ahmadinejad nunca se cansar de enfatizar que não há homossexuais em seu país.

A mera suspeita de que alguém possa ter cometido "atos não naturais" é suficiente para que a pessoa seja sentenciada a chicotadas no Irã. Se pega mais de uma vez, a pessoa pode ser sentenciada à morte. Segundo as estatísticas oficiais, 148 homossexuais foram sentenciados à morte e executados até o momento. O número verdadeiro é sem dúvida muito maior do que este. O último caso deste tipo a chamar atenção pública foi o de Makwan Moludsade, 21 anos, que foi enforcado em dezembro de 2007. Ele foi acusado de ter estuprado três garotos vários anos antes. Os homossexuais quase sempre são acusados de outros crimes como estupro, fraude ou roubo para melhor justificar sua execução.

'Se tivesse ficado, eles teriam me matado'
Como resultado desta situação, milhares de gays e lésbicas fugiram do Irã. Para a maioria deles, a primeira opção é a Turquia. "Eu não tive escolha a não ser fugir", disse Ali, um médico de 32 anos. "Se tivesse ficado, eles teriam me matado."

Ali foi cuidadoso. Ele raramente ia a festas, usava cafés de internet diferentes para sessões de bate-papo online e não contou seu segredo para ninguém, nem mesmo para os membros de sua família. Tudo ia bem até que um dia o pai de seu amigo os flagrou se beijando. Dois dias depois, Ali perdeu seu emprego no hospital e então foi atropelado por um carro, no que pareceu ser um ataque deliberado. Logo depois ele recebeu um telefonema dizendo: "Nós queremos ver você enforcado".

O que ele não sabia era que o pai do seu amigo era um alto oficial da Guarda Revolucionária Iraniana.

Ali foi ao banco, sacou suas economias e tomou um trem para a Turquia, onde pediu asilo. De lá para cá ele vive em um minúsculo apartamento em Kayseri, Anatólia Central, um dos 35 exilados iranianos gays naquela cidade.

Arsham Parsi, 29 anos, de Shiraz, fugiu do Irã há quatro anos. Um homem pequeno com barba e óculos, ele já foi um dos mais procurados no Irã por vários anos, após criar a primeira rede gay do país em 2001. Seus membros se comunicavam uns com os outros apenas por e-mail e muito poucas pessoas sabiam seu nome real.
Mas, no final, sua identidade ainda assim foi revelada. Parsi conseguiu escapar, mas por muito pouco. Ele recebeu um visto para o Canadá, onde fundou a Organização Gay Iraniana, que atualmente conta com 6.000 membros no Irã. Entre eles, estão numerosos transexuais ou pessoas que se consideram transexuais. Parsi estima que "quase metade de todas as operações para mudança de sexo são requisitadas por homossexuais".

Boom de operação de mudança de sexo no Irã
A perseguição de gays levou a um boom da demanda por operações de mudança de sexo no Irã. Mais operações deste tipo são realizadas na República Islâmica do que em qualquer outro lugar no mundo, fora a Tailândia. Esses procedimentos foram aprovados pelo próprio aiatolá Khomeini em 1983. Khomeini definiu a transexualidade como doença que pode ser curada por meio de uma operação. De lá para cá, milhares de pessoas pediram este tipo de tratamento e o governo iraniano até mesmo cobre parte dos custos.

"Parentes e médicos pedem aos homossexuais que se submetam à operação para normalizar sua orientação sexual", disse Parsi. Desta forma, foi possível para um alto líder religioso xiita financiar a transformação física de seu secretário em uma mulher e então se casar com ele.

O ultraconservador Reino da Arábia Saudita é o único país árabe onde a sharia é o único código legal, segundo o qual os homossexuais são açoitados e executados. "Os homossexuais são mais livres aqui do que no Irã", disse Afdhere Jama, que viajou por sete anos pelo mundo islâmico realizando pesquisa para se livro "Cidadãos Ilegais".

Homens e mulheres gays desfrutam de um espaço surpreendente na sociedade saudita. Os jornais publicam histórias sobre sexo lésbico nos toaletes escolares, enquanto é um segredo aberto que certos shopping centers, restaurantes e bares em Jidda e Riad são pontos de encontro gays.

"Há vários homens sauditas que mantêm relacionamentos sexuais com rapazes antes de se casarem ou quando suas esposas estão grávidas", disse Jama. Nestes casos, praticar sexo com outro homem é frequentemente a única forma de ter sexo. Casos extraconjugais com mulheres são quase impossíveis. "No Ocidente, os homens em questão seriam considerados gays, mas em países como a Arábia Saudita é mais difícil de categorizá-los", notou Jama. A maioria dos muçulmanos tem dificuldade em entender o conceito ocidental de "identidade gay". Em seus países não há algo como um estilo de vida gay ou um movimento gay.

Fatores culturais e políticos
Daayiee Abdullah, 55 anos, é um imã. Ele usa turbante, tem barba e é gay. Ele é um dos únicos dois imãs no mundo que são assumidamente gays. Ele optou voluntariamente por seguir o caminho do Islã. Criado como batista em Detroit, Estados Unidos, ele fez amizade com muçulmanos chineses quando estudava em Pequim e então se converteu ao Islã. "Eles disseram que não seria um problema para mim, sendo gay, ser um bom muçulmano."

O imã Abdullah e muitos outros como ele têm uma interpretação um tanto diferente da história de Lot. Segundo eles, aqueles a quem Deus condenou não eram homossexuais, mas sim estupradores e ladrões. Não é a homossexualidade que o Alcorão proíbe, mas sim o estupro. "A rejeição dos gays é resultado de fatores culturais e políticos", ele disse. "Assim como assassinatos em nome da honra e casamentos arranjados. Eles também não estão no Alcorão."

Abdullah vive na capital americana, Washington, D.C., e faz as orações em funerais de gays, particularmente quando morrem de Aids, algo que nenhum outro imã está disposto a fazer. Ele realiza casamentos de mesmo sexo e, nos últimos 11 anos, fornece conselho religioso em um fórum online chamado "Homens Gays Muçulmanos".

Ele recebe regularmente ameaças de morte, mas agora ri delas, dizendo: "Como dois homens se amando representam uma ameaça às fundações estabelecidas por Deus?"

Tradução: George El Khouri Andolfato"

Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/derspiegel/2009/09/18/ult2682u1315.jhtm?action=print

(Agradeço o trabalho de socialização de informações realizado por diversas pessoas imbuídas do sentido de compromisso coletivo.)

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

MAIS UM RELIGIOSO INCITA AO ÓDIO E À VIOLÊNCIA: O Pastor José Alves de Carvalho, do Piauí, agride os hansenianos e incida à violência e ao ódio

Continuamos a assistir certos tipos de "religiosos" distorcerem os ensinamentos do Cristo que dizem crer e seguir, para justificar sua pessoal dificuldade em respeitar o semelhante, em conviver com as diferenças, colocando-se a serviço da disseminação do ódio, da violência, do crime, da barbárie, ao invés de se postarem na luta contra a iniquidade, a concentração de renda, as injustiças sociais, a corrupção, o mal uso dos recursos públicos - posicionamento que efetivamente os levaria à proximidade com a filosofia cristã.

Em agosto vimos um padre católico, investido na função parlamentar, utilizar seu cargo de representação coletiva para negar o reconhecimento dos direitos civis de cidadãos homossexuais. 

O padre José Linhares, relator do projeto de lei do Estatuto das Famílias, não apenas votou contra a retirada das famílias homoafetivas do lugar de párias, como declarou à imprensa que tais conjugalidades deveriam permanecer à margem, sem direito de usufruir em igualdade de condições dos direitos civis garantidos às demais modalidades de núcleos familiares - com o que demonstrou claramente não respeitar o ordenamento maior da nação, que é a Constituição Federal, que proibe terminantemente qualquer atitude discriminatória em nosso país. Com ele concordou - por omissão - todos os deputados integrantes da Comissão de Seguridade Social e Família, onde o projeto tramitava e onde foi aprovado por unanimidade (ver postagens neste blog).

Neste mês, no último dia 15, no Piauí, um certo João Batista Alves de Carvalho, que se apresenta publicamente como "PASTOR BATISTA. PROFESSOR, ESCRITOR E HISTORIADOR", entendeu de utilizar o espaço de um jornal local para destilar seu caráter violento, discriminatório e criminoso.

Distorcendo os ensinamentos bíblicos, vilipendiando os princípios norteadores do saber historiográfico e violando as normas constitucionais e penais do respeito à dignidade humana, da não discriminação e da não incitação à violência e ao ódio, destilou o senhor João Batista Alves de Carvalho toda a sua fúria para com os homossexuais. Por meio de um texto no qual endossa práticas criminosas verificadas no passado histórico, referenda inclusive o holocausto a que foram submetidos, junto com os homossexuais e os judeus, os comunistas, os testemunhas de jeová, os ciganos.

Ao pregar a violência contra gays e lésbicas por meio do endosso das práticas mais abjetas e crueis que a história registra (fogueira, esquartejamento, lapidação, câmara de gás), que jamais foram penas exclusivas às práticas homoeróticas, o indigitado pastor João Batista de Carvalho se esqueceu, junto com os princípios do saber Histórico, do cristianismo e de nossa Constituição, das suas próprias origens pessoais, familiares.

Esquece o senhor pastor e historiador Alves de Carvalho que as bárbaras perseguições e mortes praticadas pela Inquisição do Santo Ofício, mais do que aos homossexuais, atingiram sobretudo os não-católicos (judeus e muçulmanos).

A intolerância inquisitorial levou-os a se converterem forçadamente aos ritos da Igreja de Roma, adotando novos sobrenomes, como meio de fugir dos horrores dessas penas que o pastor batista João de Carvalho parece desejar sejam aplicadas hoje aos homoafetivos.

Surgiram, assim, tanto em Portugal quanto na Espanha e América Ibérica, os cristãos-novos, conversos à força, obrigados a abandonarem a própria fé para não serem assassinados. Seus sobreviventes podem ser identificados através dos nomes de família que instituíram para si quando da adoção forçada do catolicismo.

Não apenas os popularmente conhecidos patronímicos originários de plantas, como é o caso do seu "Carvalho" que, juntamente com "Moreira, Nogueira, Oliveira e Pinheiro", são, "notadamente, de cristãos-novos", segundo afirma "estudo do professor de antropologia José Nunes Cabral de Carvalho (1913 - 1979), fundador da Comunidade Israelita do Rio Grande do Norte" (www.riototal.com.br/comunidade-judaica/juda6c7.htm).

Também os de origem geográfica - Toledo, Évora; de alcunha - Moreno, Bueno; os originários de profissões - Ferreira, Barbeiro; de nomes de pessoas - Henriques, Fernandes...

Outros mais, como é o caso do seu "Alves", conforme estudo realizado por Flávio Mendes de Carvalho a partir dos arquivos da Torre do Tombo em Lisboa e publicado em "As raízes judaicas no Brasil", todos eles foram vítimas da intolerância, do ódio ao diferente.

Segundo estimativas de diversos historiadores, entre 10 e 35% de todo povo brasileiro teria em sua origem a marca da conversão forçada - a marca do ódio, da intolerância, da perseguição. Veja em http://hebreu.blogspot.com/2009/05/sobrenomes-usados-por-cristaos-novos.html.

Assim, esquecido do passado de sofrimento vivenciado por seus próprios ancestrais, por força da mesma intolerância que hoje pratica, o senhor pastor cristão (?) João Batista Alves de Carvalho comete ainda mais uma violência, mais um ato de desrespeito - agora contra os portadores de hanseníase, ao comparar a infecção dos tecidos nervosos, produzida por um bacilo, à uma das formas de orientação do desejo humano: a homoerótica.

Rogamos que o Cristo - todo amor e fraternidade - tenha pena de sua alma, ao mesmo tempo em que estranhamos um veículo com tendência democrática e republicana como parece ser O Dia do Piauí (http://www.sistemaodia.com), tenha aberto espaço em suas páginas para semelhantes práticas criminosas.

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Veja a íntegra do texto do senhor Alves de Carvalho:


"João Batista Alves de Carvalho

PASTOR BATISTA.
PROFESSOR, ESCRITOR E
HISTORIADOR

Todos nós sabemos que a bíblia é a carta de Deus revelada aos homens, é a carta magna, o livrosagrado divino-humano, é o testamento de Deus e do seu filho Jesus Cristo para os seus seguidores. É neste livro que encontram-se os preceitos divinos, normas, condutas, éticas, caráter, comportamentos, ensinos, exemplos.

A bíblia é a única regra de fé e prática, conduta e comportamento. O homossexualismo, tanto masculino como feminino, é um comportamento e uma prática anti-bíblica, condenada por Deus, desde o Antigo ao Novo Testamento, e diga-se de passagem, é uma inspiração diabólica. Porém, sabemos que o homossexualismo esteve presente desde a antiguidade.

Já nos tempos do Patriarca Abraão, o pecado do homossexualismo se agravou tanto que seu mau cheiro chegou às narinas e Deus, provocando assim a destruição de duas cidades, palco do homossexualismo, SODOMA e GOMORRA, com fogo e enxofre, as mesmas se tornaram em CINZAS.

A profundidade do fogo, segundo alguns historiadores e teólogos, foi tão grande que naquele local deu origem ao mar morto que recebe as águas do Rio Jordão. As suas águas são tão salgadas e imprestáveis que ali não há sobrevivência, nem no mar, nem nas suas margens. Suas águas para nada servem, devido a grande quantidade de sal ali existente (Gênesis Cap. 13, 18-19).

As práticas homossexuais eram comuns entre os egípcios, gregos e romanos. Já as autoridades Européias da Idade Média protestavam veementemente contra o homossexualismo. Desde a época renascentista, varias nações européias invocaram o castigo divino para os praticantes do homossexualismo, tal qual aconteceu com SODOMA e GOMORRA, de modo que alegavam ainda a destruição de POMPÉIA e HERCULANO, por uma erupção do Vesúvio em 79 d.C. Como manifestação da ira de Deus.

Em 1458, em Veneza, foram adotadas leis anti-sodomitas para tentar preservar a cidade da ira Divina. Na Espanha, os Reis Fernando de Aragão e Isabela de Castela mantiveram as leis no século XIII. A execução dos homossexuais consistia de castração, seguida de apedrejamento e queima do corpo em estaca, em plena praça pública.

Na Suíça, nos tempos da Reforma Protestante, as pessoas apanhadas no ato homossexual eram esquartejadas vivas, permanecendo por uma semana, quando então eram queimadas. O mesmo ocorria na França, Itália e em Portugal.

No Brasil, essas leis foram aplicadas pelos portugueses em 1521, estendendo-a também para os atos lésbicos em 1603. Milhares de homossexuais foram mortos durante a 2ª Guerra Mundial nos campos de concentração. Mas tal qual a lepra, o homossexualismo está sempre vivo, só que a lepra hoje tem cura, quando bem cuidada, o homossexualismo não teve cura e nem terá, a menos que seus adeptos e simpatizantes abram seu coração e permitam que o Espírito Santo os transformem.

No pensamento de muitos, o HOMOSSEXUALISMO pode ser causado por abalo familiar, conjugal, moral, social, financeiro e espiritual. Eu fico com o último. Enquanto não houver uma vida pautada nos moldes de Deus, enquanto não houver uma educação religiosa baseada na Bíblia, enquanto a família negligenciar a doutrina do evangelho e quando Jesus Cristo não for o alicerce do lar e nosso hospede permanente, o diabo sempre encontrará brechas e entrará facilmente e aí haverá tudo quanto satanás gosta: briga, separação, falta de vergonha, falta de moral, abalo financeiro, infidelidade,
prostituição, drogas, HOMOSSEXUALISMO, morte, etc.

E o final será o inferno se Cristo não for o centro de tudo, inclusive do desejo e ações sexuais. O que está acontecendo no Brasil e aconteceu na sexta-feira à tarde do dia 28/08 na Av. Frei Serafim, é pura falta de vergonha, falta de respeito, falta de moral, falta de autoridade das autoridades, abuso da lei, atentado violento ao pudor (art. 214 e art. 233 do código penal).

A palhaçada aconteceu exatamente no momento que jovens, adolescentes e crianças saiam dos colégios. Mas, onde está as autoridades, os representantes do povo, a igreja? Algumas presentes, dando apoio e cobertura como foi o caso de deputados, deputadas, secretários de governos, etc.
Tudo acontece próximo ao ano eleitoral de 2010, tudo por conta de votos vindoros. Que política e que políticos sujos, interesseiros e descompromissados com a ética, com a educação com a sociedade e com a moral! Que Piauí e que Brasil é este que vivemos? Isto é uma Vergonha!

Os HOMOSSEXUAIS e autoridades simpatizantes pelo movimento GAY exigem ética, respeito e punição a quem os descriminarem, mas onde foi parar o respeito por parte deles? Machos (e não homens), fêmeas (e não mulheres) se abraçando e se beijando em pleno dia e em plena avenida, outros desfilando com a bunda toda de fora e um até com um objeto enorme representando
um pênis. “Isto é uma vergonha”!

É isto que deve ser punido e exigido respeito por parte das autoridades. Mas, de que lado estão as autoridades? A resposta fica com você leitor! Digo de mulheres e de homens, com respeito àquelas e àqueles que são mulheres e homens de verdade portadores de caráter, respeito e um comportamento adequado.

Está estampado na capa do “Jornal O DIA”, edição do domingo dia 30 de agosto de 2009 o seguinte: “Prostituição – bastidores da noite em Teresina”. E nas páginas 4 e 5 a reportagem. O alvo são prostitutas e travestis de todos os estilos. É o comércio barato do sexo.

Verdadeira agressão ao pudor, imoralidade, falta de respeito, falta de caráter, falta de formação, falta de educação e um vazio enorme , tudo isto é uma verdadeira falta de Cristo no centro da vida. Onde está a Justiça, a segurança e as autoridades outras? Apoiando a diversidade. Outros ficam apoiando e admirando de longe, em cima do muro (nem todos é claro).

A bíblia nos diz: “com homem não te deitarás como se fosse mulher; é abominação”. (Levitico 18:22); “Por causa disso, os entregou Deus a paixões infames ; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outra, contrário a natureza” (Romanos 1: 26); “semelhante, aos homens também, deixando o contacto natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homem com homem, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro.” (Romanos 1:27).

Vejamos o que no diz o Apóstolo Paulo na sua Primeira Epístola a Timóteo: “Tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas (afeminados, homossexuais, lésbicas), raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe à sã doutrina (1 Timóteo 1; 9-10) fora (do céu) ficarão os cães, os feiticeiros (macumbeiros, cartomantes), os impuros (homossexuais, lésbicas, alguns políticos), os assassinos, os idólatras (que adoram imagens), e todo aquele que ama e pratica a mentira (alguns políticos) Apocalipse 22: 15”.

A palavra de Deus não volta atrás, ela é viva e eficaz. Pode passar o céu e a terra, mas a palavra de Deus não passará, ela permanece para sempre."

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Veja o que lhe respondeu o Rev. Márcio Retamero, Teólogo, Historiador (Mestre em História Moderna, UFF, Niterói/RJ) e pastor da igreja inclusiva Comunidade Betel do Rio de Janeiro

"FARISEUS, HIPÓCRITAS!

O artigo publicado no jornal "O Dia" de Teresina na terça-feira (15/09/2009), assinado por um pastor batista chamado João Batista Alves de Carvalho, talvez seja o maior ataque discriminatório contra a população LGBT brasileira, publicada num periódico neste ano. Causa espanto às mentes sãs, o breve currículo informado a respeito do pastor João: educador e historiador, além de pastor.


Estamos batendo o recorde este ano de ataques deste tipo à comunidade LGBT brasileira. Dia desses, a chacota contra esta população, do deputado padre José Linhares (PP – CE); agora, o artigo eivado de homofobia do tal pastor do Piauí. Interessante notar que em ambos os casos, trata-se de cristãos, pelo menos nominalmente! Causa-nos espanto, também, o fato de que tem se originado nesta fatia da sociedade brasileira, os mais frontais ataques às tentativas políticas de conceder real cidadania aos homossexuais. Os maiores exemplos disso é a ação direta de inconstitucionalidade (ADI) que o CIMEB (Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil) ajuizou no Supremo Tribunal Federal contra a Lei 10.948/01, do Estado de São Paulo, que penaliza administrativamente a discriminação contra pessoas LGBT e a luta ferrenha que a bancada parlamentar evangélica tem travado no Congresso Nacional contra a aprovação do Projeto de Lei 122/2006, em trâmite naquela Casa.


Tais ataques "cristãos" à comunidade LGBT visam à continuidade da homofobia no Brasil, pois tais "cristãos", como demonstram os exemplos acima, são os que mais atacam a comunidade LGBT, não apenas escrevendo artigos chamando-os de doentes, comparando-os com os "leprosos" bíblicos, como fez o pastor João, mas também em seus altares e púlpitos, comparando homossexuais com drogados, ladrões, prostitutas e o que tiver de pior na sociedade, como faz o pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus da Penha, RJ, dentre outros Brasil a fora.


Dizem os "cristãos" que estão no seu direito de livre expressão, garantido pela Constituição Cidadã de 1988, ao agirem covardemente contra a minoria LGBT brasileira. Dizem que lutam contra as leis que visam extinguir a homofobia social no Brasil, porque tais leis ferem a liberdade de expressão, deste modo, atacam implacavelmente toda e qualquer ação em prol da comunidade LGBT.


Os seguidores de Jesus Cristo foram chamados de cristãos, pela primeira vez na história, na cidade de Antioquia da Síria, onde também estava localizada, segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, a igreja mais missionária dos primórdios do cristianismo. Foram chamados assim, porque falavam, agiam, se comportavam como Jesus. Quanta diferença entre àqueles cristãos e os "cristãos" brasileiros de hoje, tão longe do ideal de Jesus Cristo que agiu, ensinou, falou, obrou pelo amor. Aliás, o mesmo Jesus, segundo os Evangelhos, declarou que a maior lei para aqueles que O seguiam, era a lei do amor, o maior mandamento. Por ser o exemplo maior de seguidor da lei do amor, Jesus não trabalhou contra os excluídos, os marginais sociais de sua época: prostitutas, leprosos, cobradores de impostos, pastores de ovelhas, samaritanos, ladrões, beberrões, glutões, e toda a gente categorizada como pária social! Na verdade, Jesus com tais andava, comia, celebrava e escolheu doze desses, além de mulheres como Maria Madalena, Joana, também consideradas "impuras" por serem simplesmente mulheres, para serem os seus mensageiros. Só sabe amar quem é alvo de muito ódio! Jesus sabia disso.


Não sabe disso os inquisidores de hoje como o pastor João, advogado de um cristianismo tão distante de Jesus como a terra é distante da Via Láctea. O pastor João do Piauí, o deputado padre José Linhares e Silas Malafaia, dentre outros, são representantes de uma gente que Jesus topou de frente e os confrontou enquanto aqui esteve: os fariseus. Josefo, historiador judeu do primeiro século, informa-nos a respeito dos fariseus: não era gente má; na verdade eram os mais fiéis dentre o povo à lei de Moisés e temiam muito a Deus, contudo, sua fidelidade a Deus e a lei mosaica, os cegava para o exercício do amor, da misericórdia, que a lei também ordenava. Na verdade, os fariseus fizeram da lei o seu "deus". Por isso Jesus, quando os encontrou, ensinava que de nada adianta ser o maior potencial, humanamente falando, de fiel a Deus, se o amor não for a diretriz de todos os seus atos. Por isso Jesus os chamava de hipócritas, sepulcros caiados, guias cegos, raça de víboras e outros apelidos nada elogiosos.

O pastor João, autor do artigo homofóbico e anticristão, bem como seus pares do CIMEB e seu irmão na fé, o deputado padre José Linhares, são hoje o que os fariseus da época de Cristo eram: pessoas que fazem da Bíblia o seu "deus", guias cegos que guiam outros tão cegos como eles, gente que não enxerga que sem amor, como disse o Apóstolo Paulo, nada vale, nem mesmo o que eles chamam bom. São também raça de víboras, pois agem na maldade contra uma minoria que luta tão somente pelo direito de existir e de ser respeitada. São sepulcros caiados, pois tal como aqueles, por fora, são bonitos e limpos, mas por dentro são sujos, cheios de podridão e seus atos persecutórios contra os LGBTs demonstram isso. São tão cheios de peçonha, que lêem a Bíblia com olhos cheios de maldade, usando-a, como fizeram os assassinos religiosos antes deles e que o pastor João cita em seu artigo, contra gente que Jesus, se aqui estivesse, andaria, comeria, celebraria e incluiria.

O pastor João, bem como seus pares, são rápidos em citar versículos bíblicos que supostamente condenam a homossexualidade e as pessoas homossexuais, mas esquecem de tantos outros versículo da Bíblia que diz, por exemplo, que o filho mentiroso deve ser apedrejado fora da cidade, que a filha pode ser vendida como escrava para pagar dívidas, que comer camarão é pecado, bem como semear dois tipos de sementes no mesmo solo ou usar roupas que misturam dois tipos diferentes de fios como o algodão e o poliéster.

Os defensores da Bíblia e promovedores de ataques contra homossexuais esquecem que a Bíblia, no livro de Juízes, capítulo 19, narra um episódio bem parecido com Sodoma e Gomorra com algumas diferenças que não invalidam o paralelismo: em Gibeá, houve estupro e morte, em Sodoma e Gomorra não houve estupro, nem morte por estupro e os personagens alvos do ataque malogrado eram "anjos", não seres humanos. Contudo, o Senhor não destruiu Gibeá como fez com Sodoma e Gomorra! Será que para Deus a vida humana vale menos que a vida angelical? Claro que não! Acontece que, ao contrário do que os "doutos" teólogos fundamentalistas como o pastor João e seus pares encobrem é o fato de que Sodoma e Gomorra não foram destruídas por conta do "pecado" da homossexualidade (simplesmente porque homossexualidade não é pecado nem a heterossexualidade)! Quem declara isso é a própria Escritura, através do Profeta Ezequiel, que diz: "Eis que esta foi a iniqüidade de Sodoma, tua irmã: soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade teve ela e suas filhas; mas nunca amparou o pobre e o necessitado" (Ez 16.49).

Ou seja, o Profeta Ezequiel ensina (está escrito) que o que levou Deus a "destruir" Sodoma e Gomorra foi a imensa injustiça do povo que ali habitava para com os excluídos e párias sociais: pobres e necessitados. Entendido isso, fica a questão: quem são os sodomitas de hoje? São as lésbicas, os gays, os bissexuais, as travestis e as transexuais ou são os que usam a Bíblia, a religião, a política e o poder econômico para não amparar e dignificar com cidadania um grupo minoritário da sociedade brasileira?

O pastor João, destorce malvadamente, usando de sua peçonha as Escrituras e com ele, todos os fundamentalistas cristãos quando citam passagens como a da primeira carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios. Tal carta não foi escrita em português, mas em grego e o termo que o autor dela usa nesta passagem não pode ser traduzido como os ideólogos tradutores da Bíblia para o português fazem como "efeminados" e "sodomitas". Paulo usa dois neologismos (arsenokoitai e malakoi) que literalmente podemos traduzir: "homem de cama" e "macio", ora, homem de cama é prostituto e macio ou suave ao toque pode ser alguém que possui um caráter "mole", ou seja, alguém sem caráter! A Bíblia de Jerusalém traduz o termo como: "pessoas de costumes infames"... Onde a referência à homossexualidade como a entendemos hoje? Não existe!

Poderia analisar as outras passagens bíblicas, mas este artigo já tomou uma proporção que excede o limite. A questão central é: ainda que a Bíblia realmente condenasse a homossexualidade, o que ela em lugar algum faz, cristãos, seguidores de Cristo, deveriam lutar pela inclusão da comunidade LGBT, garantindo a cidadania desses, não, como fazem, excluindo-os mais, chamando-os de doentes, leprosos, pragas e outras coisas que tiram a dignidade humana. Pessoas como o pastor João, o deputado padre José Linhares e Silas Malafaia e toda esta laia fundamentalista, deveriam ser processados judicialmente e condenados, pois não promovem Direitos Humanos.

Pessoas como o pastor João Batista Alves de Carvalho e seus pares, ao agirem da maneira que agem, ao escreverem artigos como o publicado na última terça-feira, ao dizerem de seus púlpitos coisas horrendas que ferem a dignidade de um ser humano, contribui com cada assassinato, com cada agressão física e verbal, com cada expulsão de um filho ou filha homossexual do seu lar. São cúmplices do sangue homossexual derramado em nosso solo, que longe está de ser mãe gentil para os homossexuais brasileiros. São as bocas que lhes engolem o corpo sem vida, cada vez que uma cova é aberta para sepultar um homossexual.

Aprendam com Cristo, que ao invés de incitar o ódio e a violência, amou verdadeiramente. Somente então digam: sou um cristão, enquanto isso não acontecer vocês serão tão somente religiosos, fariseus e cúmplices de derramamento de sangue tanto quanto cúmplices foram, os fariseus antes de vocês,
ao consentirem na morte daquele que vocês dizem seguir: Jesus Cristo.

Rev. Márcio Retamero

Teólogo, Historiador (Mestre em História Moderna, UFF, Niterói/RJ) e
pastor da Comunidade Betel do Rio de Janeiro."

domingo, 13 de setembro de 2009

"O Congresso é muito homofóbico"

O jornal O Dia segue no seu importante trabalho de informação para a cidadania, para a superação dos modos intolerantes e violentos que, lamentavelmente, ainda marcam os nossos dias.

O jornal e o jornalista Mahomed Saigg vem produzindo um trabalho ímpar no processo de construção desse país que queremos ser: inclusivo, respeitoso, digno, ético, fraterno, laico.

Abaixo, a entrevista publicada hoje, com a deputada Fátima Cleide (PT-RO), Relatora do projeto de lei que altera a Lei Antirracismo.

Antes, porém, gostaria de esclarecer que a popularmente denominada lei antirracismo (LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989), com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.459, de 15/05/97, ampliou o elenco dos valores a serem protegidos contra as diversas formas de violência, lamentavelmente ainda existentes, resultantes de uma tradição cultural de intolerância, fruto de um passado colonialista, escravagista, autoritário e androcêntrico (uma visão hierárquica, sobrevalorizada, do homem em relação à mulher).

Mais apropriado, portanto, seria chamarmos a lei 7.716, em sua redação atual, de LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO, ou LEI ANTIINTOLERÂNCIA, pois é justamente disso que ela trata, quando, cumprindo a Constituição da República, regula aquilo que está escrito no artigo 5º e inclui, ao lado da raça/etnia/cor, a proteção à religião ou procedência nacional.

Diz o artigo 5º da Constituição da República: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza."

Diz também, no seu inciso III, que "ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante"

No seu preâmbulo, declara que o objetivo da Assembléia Nacional Constituinte (na realidade um Congresso Constituinte, posto que não teve atribuição exclusiva para a elaboração da Constituição, mas prosseguiu nos trabalhos decorrentes de uma legislatura ordinária) é "instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias."


No artigo 3º afirma como OBJETIVOS FUNDAMENTAIS desse estado democrático constituído sob a forma de república federativa (art. 1º)

"I - construir uma sociedade livre, justa e solidária;"

"IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação."

É possível, portanto, constatar e compreender que o projeto de Lei PL 122 (conhecido como lei antihomofobia), na realidade apenas busca suprir uma lacuna ainda existente, assim como fez a Lei nº 9.459, de 15/05/97.

Seu objetivo de fundo é aperfeiçoar o projeto de se dotar a sociedade brasileira do instrumento necessário para que seja possível cumprir integralmente o que diz a Constituição da República, ou seja, instituir mecanismo capaz de colaborar no projeto nacional de país se quer realizar como uma sociedade justa, fraterna, solidária, onde inexistam práticas preconceituosas ou discriminatórias.

Daí a necessidade de se inserir os termos "identidade de gênero" (a diversidade de estilos de masculinidade e de feminilidade) e "orientação sexual" (hetero, homo, bissexual) no conjunto de valores a ser protegido. Uma atualização e detalhamento, na realidade, do conteúdo que anteriormente se encontrava contido no conceito de "sexo", mas que, por não estar explicitado de forma detalhada, dava margem à discussões legais - o que não deve permitir a boa técnica legislativa penal.

Feitos estes esclarecimentos, segue, então, finalmente, a entrevista realizada pelo jornalista Mahomed Saigg com a Deputada Fátima Cleide. Boa leitura.

"'O Congresso é muito homofóbico'
POR MAHOMED SAIGG, RIO DE JANEIRO

Rio - Vítimas da intolerância sexual, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros são caçados diariamente nas comunidades do Rio. Conforme O DIA mostrou em série de reportagens esta semana, os homossexuais que moram nas favelas cariocas são alvo do preconceito e da ira de milicianos e traficantes. Muitos acabam assassinados por causa de sua orientação sexual.

O aumento dessa violência, que já invadiu até as salas de aula, chamou a atenção da senadora Fátima Cleide (PT-RO). Relatora do projeto de lei que criminaliza a homofobia, ela afirma que o Congresso Nacional é homofóbico. Inconformada com a dificuldade para aprovar a medida, na sexta-feira a senadora foi à tribuna mostrar as reportagens e cobrar atitude dos demais parlamentares.

O DIA: O que falta para a aprovação do projeto de lei que criminaliza a homofobia no Brasil?
Fátima: Relatei o projeto de lei em março de 2008. Mas até agora ele não pôde ser votado sequer na Comissão de Assuntos Sociais por causa de pedidos de vista e votos em separado feitos por alguns senadores. A verdade é que esta proposta tem enfrentado grande rejeição por parte de parlamentares que compõem a Frente Evangélica no Congresso, que são contra sua aprovação.

E o que esses políticos dizem sobre a violência gerada pela homofobia?
O Congresso Nacional é reflexo da sociedade. Como boa parte dos brasileiros tem preconceito, muitos têm receio político de se posicionar na defesa dos direitos humanos, sobretudo de homossexuais. O Congresso é muito homofóbico.

Por quê?
Por causa das próprias atitudes dos parlamentares. Aqui mesmo no Congresso é comum a gente ouvir piadas sobre a orientação sexual de deputados e senadores.

Quais as principais consequências da demora na aprovação desta lei?
Como não existe punição para quem age de maneira homofóbica no Brasil, o preconceito não para de aumentar. E está ficando cada vez mais violento. Uma das principais consequências dessa falta de punição é o isolamento de lésbicas, gays e travestis, que estão ficando cada vez mais limitados a guetos na sociedade.

Como a senhora vê a homofobia nas salas de aula?
Esse problema é gravíssimo porque aumenta a violência nas escolas e a evasão escolar. Hoje em dia, para um homossexual sobreviver na escola, é preciso que tenha muita determinação e força de vontade, porque o preconceito é muito grande. Mas nem sempre isso é suficiente. Se um aluno homossexual é perseguido no colégio, a tendência é que ele não volte nunca mais. Por isso é importante que os professores estejam preparados para lidar com situações como essa.

Muitos homossexuais dizem que não conseguem ingressar no mercado de trabalho. A senhora acredita que esta dificuldade está atrelada à homofobia?
Não há dúvidas de que sim. Se pessoas com alta preparação têm dificuldade para conseguir um emprego, imagina um homossexual que não consegue concluir sequer o Ensino Fundamental! Esse é o caso de muitos gays e lésbicas que abandonam a escola antes de concluir os estudos por causa da perseguição que sofrem.

A senhora acha que a homofobia é mais grave nas favelas e subúrbios?
O preconceito está em todo lugar. Mas nas favelas e periferias, a homofobia é ainda maior. É onde ela se apresenta da forma mais violenta. É também onde ela é mais consentida pela população, que finge não ver o que está acontecendo.

O que fazer para conseguir reverter este quadro?
A homofobia é uma questão cultural, que só será superada com educação. A escola tem um papel fundamental no processo de superação dessa questão. Mas nós já atingimos um patamar tão grande de violência que só a educação não resolve. Por isso insistimos na criminalização da homofobia."


http://odia.terra.com.br/portal/brasil/html/2009/9/entrevista_o_congresso_e_muito_homofobico_34764.html