Por que quando se trata de nossa dor, de nossos mortos e feridos, sempre pedem que falemos menos?
Não lhes repugnam tantas mortes bárbaras, tanta homofobia, mas apenas o nosso clamor por justiça!

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Dia da Visibilidade Lésbica

Ontem, dia 29 de agosto, foi comemorado o Dia nacional da Visibilidade Lésbica. A data comemora o 1º Seminário Nacional de Lésbicas, realizado no Rio de Janeiro em 1996.

Foto de Jefferson Moura http://twitpic.com/6d98wk
No Rio de Janeiro, o mandato da deputada estadual Janira Rocha, do PSOL, promoveu Sessão  Solene no Salão Nobre da ALERJ (Assembleia Legislativa do Estado do rio de janeiro) para homenagear a data.


Em Brasília, representantes do Executivo federal discutiram as demandas e políticas públicas para o segmento.




Em Manaus, AM, a Associação Amazonense de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais, realizou ontem pela manhã, 29 de agosto, no centro de Manaus, uma ação pública para conscientizar a população.

domingo, 28 de agosto de 2011

Enquanto o PLC 122/2006 não vem... Indenização por injúria (dano moral) contra Ratinho (Roberto Massa, SBT) custa R$ 150 mil

Não é porque ainda não temos a aprovação da lei antidiscriminação (PLC 122/2006) que somos obrigados a ficar inertes, assistindo e sofrendo toda a sorte de escárnio, humilhações.

Injúria moral cabe indenização! 

Como já mencionei aqui, o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso!

Portanto, não há porque não fazer com que tais práticas preconceituosas, escarnecedoras, fiquem impunes.

Veja mais um exemplo:

A intolerância e a baixaria renderam ao apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, e a Rede SBT, o pagamento de indenização no valor de R$ 150 mil. A condenação foi aplicada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo e deverá ser paga a Victor Ricardo Soto Orellana, pastor e fundador da Igreja Acalanto – Ministério Outras Ovelhas. A congregação é freqüentada, entre outras pessoas, por homossexuais e foi vítima de chacota e tratamento chulo e depreciativo pelo apresentador do programa do SBT. [...] O apresentador, ao divulgar imagens feitas com câmera escondida, mostrando o culto, nos dias 2 e 5 de maio de 2003, disse que a igreja era para gays, homossexuais e fez diversos comentários “jocosos” sobre os freqüentadores e o local. Ratinho disse que a igreja era de “viadinhos”, de “viados” e quando se referiu a outras sedes da congregação afirmou que não tinha filial, mas “viadal”.

Quem a homofobia assassinou hoje?

Em solidariedade à campanha que vem sendo conduzida através do blog Machismo Mata
Quem o Machismo matou hoje? · Um memorial às mulheres assassinadas pelo patriarcado 
e sua tenaz denúncia, memória e protesto, e, tambem, com tristeza diante dos constantes assassinatos de gays, travestis e transexuais.

Suspeito de ter matado cabeleireiro confessa que mutilou vítima

Garçom disse que matou porque era assediado pelo cabeleireiro

25/08/2011 - 15:50

O suspeito de ter matado um cabeleireiro nesta quinta-feira (25) em Alfenas, no Sul de Minas, confessou que mutilou o corpo da vítima. O garçon Fernando Alves, de 20 anos, disse que cometeu o crime por que Gilvan era homossexual e o assediava. Segundo ele, os dois se encontravam com frequência para fazer uso de drogas.
O cabeleireiro trabalhava em um salão da cidade. Ele foi morto e esquartejado dentro de casa, onde morava há quatro meses, no bairro Vila Formosa.
Durante a tarde, a polícia fez a reconstituição do crime na casa de Gilvan. Ativistas dos direitos dos homossexuais fizeram protestos contra a homofobia no local.

O crime
Segundo a Polícia Militar, uma vizinha que passava em frente à casa da vítima viu sangue escorrendo da garagem e acionou a PM. Ao chegar ao local, os policiais entraram na casa e viram o corpo de Gilvan Firmino Ferreira, de 25 anos, caído no chão com o crânio amassado, a genitália arrancada e a ponta do nariz cortada. A família não foi encontrada.
Segundo a Polícia Civil, o crime ocorreu aproximadamente às 4h, quando vizinhos disseram à polícia ter ouvido gritos. A polícia suspeita que o assassino era íntimo da vítima. Sua casa era pequena e quase sem móveis.
Segundo a polícia, Fernando Alves, de 20 anos, foi detido e teria confessado o crime. Ele está preso na delegacia de Alfenas, mas o motivo do crime ainda não foi esclarecido.

***

Como sempre, a alegação de suposto assédio. Como nos casos de estupro de antanho: "Ela me obrigou a isso. Quem mandou usar aquelas minissaias?"

Que assédio seria capaz de "justificar" amassar o crâneo, arrancar os órgãos genitais e cortar a ponta do nariz do suposto assediador?

Como disse alguém no Facebook, já imaginaram se todas as mulheres vítimas reais de assédio sexual resolvessem agir de forma algo semelhante?


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

15º Dia: - Quem matou a juíza Patrícia Acioli?

Ontem, dia 25 de agosto, completou-se o 14º dia da consumação do atentado a tanto anunciado contra a juíza Patrícia Acioli, do Tribunal do Juri de São Gonçalo, RJ.

E, até o dia de hoje, seguimos com a mesma indagação:

- Quem matou Patrícia Acioli?

Pelo direito à verdade.
Pela punição dos culpados.
Pela garantia da segurança dos agentes do estado, ameaçados em decorrência de suas funções.
Pelo fortalecimento das instituições republicanas e democráticas.

"A moral religiosa não é e não pode ser Direito num Estado laico!", diz Procuradora

Ontem, 25, foi o dia da Marcha pelo Estado Laico, aqui no Rio de Janeiro. A concentração, como noticiado aqui, foi no Largo da Carioca, em frente ao Convento Santo Antônio.

Após muito dialogar com os transeuntes sobre o que significava a manifestação, no que se obteve muitos apoios - inclusive um de uma manifestante cristã, que ali já se encontrava com seu "pirulito" tecnológico, em suporte de alumínio -, o grupo, embora reduzido em razão do horário de trabalho (a convocação foi para as 12 horas), rumou para a ALERJ, como informado previamente.


Em 23, terça-feira, a Procuradora do município de São Paulo em Brasília teve o seu artigo Escolha eleitoral deve considerar secularismo do Estado publicado no Consultor Jurídico. Ali, ela defende que, no regime republicano e secular, 
jamais o interesse público poderá ser aferido segundo sentimentos ou idéias religiosas, ainda que se trate de religião da grande maioria da população nele residente.
Num Estado laico, o interesse público é identificado exclusivamente segundo o seu Direito positivo, nunca segundo a moral religiosa, que não é e não pode ser Direito num Estado laico!

Confira a íntegra.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Por que não outdoors bíblicos...

Uma das táticas dos agentes da promoção do estado evangélico no Brasil é a divulgação de outdoors com trechos selecionados da Bíblia.

O problema é que os trechos selecionados por essa parcela intolerante, reativa e totalitária, que vem dedicando todos os seus esforços na promoção do ódio e inviabilização da isonomia de direitos aos LGBTs é, como ela mesma, parcial, tendenciosa, obscurantista.


Por que não promovem outdoors bíblicos com trechos como os de abaixo:
 "Abre a boca a favor do mundo, pelo direito de todos os que se acham desampadados." - Provérbios, 31:8.
 "Abre a boca, julga retamente e faze justiça aos pobres e aos necessitados." - Provérbios, 31:9.
“O proveito da terra é para todos.” - Eclesiastes, 5:9.
 "Eis que o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos e que por vós foi retido com fraude está clamando". - Tiago, 5:4.
 “Ó vós, todos os que tendes sede,
vinde às águas. E os que não tendes dinheiro,
vinde. Comprai e comei. Sim, vinde, pois.
Comprai sem dinheiro e sem preço
vinho e leite.” - Isaías, 55: 1.
 “Boa e bela coisa é comer e beber
e gozar cada um do bem de todo o seu
trabalho, com que se fatigou debaixo do sol.” - Eclesiastes, 5:18.
“Eis aqui o meu servo a quem sustenho.
Pus sobre ele o meu Espírito e ele promulgará
o Direito para os gentios. Não desanimará
nem se quebrará até que ponha na terra o Direito.” - Isaías, 42:1.
 “Foi do agrado do Senhor, por amor da sua própria justiça, engrandecer a lei e fazê-la gloriosa. Não obstante, é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas e escondidos em cárceres; são postos como presa, e ninguém há que os livre." - Isaías, 42:22.
 

Quem matou Patricia Acioli? Sete dias hoje do atentado fatal contra a Juíza - E o que temos?

foto oriunda do sítio de O Globo
Hoje é o sétimo dia do assassinato da magistrada Patrícia Acioli, do Tribunal do Juri (4ª Vara Criminal) da Comarca de São Gonçalo, RJ.

A Anistia Internacional, a Associação Juízes para a Democracia, o Conselho Nacional de Justiça, o Supremo Tribunal Federal, Comissões Parlamentaes de Direitos Humanos, a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, parlamentares estaduais e federais, organizações de defesa dos direitos humanos de LGBTs (a juíza era titular da vara competente para crimes de homicídio em São Gonçalo, daí ser a processante do crime tambem bárbaro que vitimou o menino Alexandre Ivo Tomé Rajão, em São Gonçalo, no ano passado), a Ordem dos Advogados do Brasil e outras entidades e cidadãos encontram-se mobilizados, acompanhando as investigações - seja de forma direta, seja indireta -, cobrando das autoridades competentes a rigorosa investigação, processamento e punição a esse intolerável atentado ao Estado democrático nacional.

Segundo notícias publicadas pelo jornal O São Gonçalo, o crime seria fruto de uma associação entre criminosos do tráfico e ex-pms. Segundo a reportagem, um suspeito já se encontra preso desde o dia seguinte ao atentado fatal.
O São Gonçalo afirma, ainda, que
Interceptações telefônicas, que estão sendo mantidas em sigilo pela Justiça, revelaram a intenção do acusado de 'eliminar' os responsáveis pela desarticulação da quadrilha e o deboche dos integrantes do grupo de extermínio, entre eles quatro policiais militares, ao referir-se à magistrada, chamando-a de ‘Patricinha’.
 Um dos magistrados designados para realizar as tarefas então a cargo da juíza Patrícia Acioli na 4ª Vara Criminal, o juiz Fábio Uchoa Pinto de Miranda Montenegro, percebeu um certo temor por parte dos servidores da repartição. Ele, que trabalhou com a juíza Patrícia na Defensoria Pública da Baixada Fluminense, declarou que assume a farefa que lhe foi designada com muito pesar, pois sabia da seriedade do trabalho da colega. 

Declarando que atuará com a mesma seriedade por ela emprestada às suas tarefas, o juiz  Uchoa Montenegro,  diante da pergunta do repórter se ele tinha algum recado para mandar aos criminosos que integram grupos paramilitares na região, disse, ainda que

O blog do juiz Walter Maierovitch noticia que, na Itália, quando o primeiro ministro Sílvio Berlusconi quis retirar a escolta e os carros blindados dos juízes que atuam em processos envolvendo mafiosos, alegando necessidade de reduzir custos, a população impediu. Leia aqui.

Veja mais notícias aqui.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Projetos Damas: Prefeitura não cumpre o prometido e vereador tripudia da violência às travestis e transexuais

A CEDS-Rio, no dia 18 de maio, anunciou publicamente suas ações. Reveja aqui.

Dentre elas estava o aumento no número de vagas para o projeto damas, das originais 20 para 40.

Agora, entretanto, a Secretaria Municipal de Assistência Social anuncia somente 20 vagas!!!

Veja no sítio da própria Prefeitura, aqui.

Ignorando e tripudiando sobre a violência homofóbica que todo dia ataca travestis e transexuais sobretudo, o vereador Carlos Bolsonaro, em seu twitter, tenta incitar a parcela heterossexual da população contra o segmento,


Carlos Bolsonaro
Prefeito do Rio, Eduardo Paes, decepciona e investe dinheiro público em estágio remunerado p/ travestis.
 Esquecido de que travestis, transexuais, gays, lésbicas pagam tributos como todos os cidadãos - inclusive os estipêndios dele, vereador, de seu irmão deputado e de seu pai, deputado federal, segue o vereador incitando a população à discriminação e ao preconceito aos LGBTs, ferindo preceito constitucional que proibe expressamente manifestações de discriminação e preconceito, seja por qual motivo for. Confira os seus TT abaixo.


Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro
Carlos Bolsonaro

Comissão de juízes do CNJ acompanha apuração do assassinato de juíza no Rio

Do portal do Conselho Nacional de Justiça - 16/08/2011 - 13h22

Já estão no Rio de Janeiro os três juízes designados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Cezar Peluso, para acompanhar as investigações do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli, ocorrido na madrugada da última sexta-feira (12/08), no Rio de Janeiro. Presidida pelo secretário-geral do CNJ, juiz Fernando Florido Marcondes, a comissão iniciou os trabalhos de acompanhamento do caso com uma reunião com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Manuel Alberto Rebêlo dos Santos. À tarde (14h30) os juízes do CNJ se reunirão com o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Benincá Beltrame. Ás 16h os juízes farão uma visita ao Fórum de São Gonçalo onde a juíza Patrícia Acioli trabalhava e às 16h30 se reunirão com juízes colegas da magistrada assassinada.

Amanhã os integrantes da Comissão visitarão o Tribunal Regional Federal da Segunda Região e a Divisão de Homicídios da Polícia do Rio de Janeiro. Além do juiz Fernando Marcondes, também integram a Comissão do CNJ os juízes auxiliares da presidência do Conselho, Tatiana Cardoso de Freitas e Márcio André Keppler Fraga.

Ao instituir a comissão, o ministro Peluso considerou o assassinato de Patrícia Acioli como sendo “de gravidade ímpar” e “atentatório ao Poder Judiciário e ao Estado Democrático de Direito”.

Gestões - A comissão terá 30 dias de prazo para apresentar seu relatório e as sugestões pertinentes. Para isso, portaria do ministro Peluso assegura aos juízes auxiliares acesso ao inquérito policial. Eles terão também poder para gestões junto aos governos estadual e federal e ao Tribunal de Justiça do Rio.

A juíza Patrícia Acioli vinha sendo ameaçada de morte há algum tempo, porque julgava processos referentes a casos que envolviam quadrilhas perigosas. Segundo a ministra Eliana Calmon, corregedora Nacional de Justiça, existem atualmente 100 magistrados brasileiros em situação de risco - 69 deles, ameaçados de morte.

Preocupada com a situação, a corregedora já havia recomendado a todos os tribunais reforço na segurança dos juízes em situação de risco. Embora a responsabilidade pela segurança dos magistrados seja dos tribunais, Eliana Calmon informou que o CNJ e a Corregedoria estão à disposição para ajudar na segurança dos magistrados. 

Fonte: STF, com informações da Agência de Notícias do CNJ
http://www.cnj.jus.br/index.php?option=com_content&view=article&id=15417:comissao-de-juizes-do-cnj-acompanha-apuracao-do-assassinato-de-juiza-no-rio&catid=223:cnj&Itemid=583 

domingo, 14 de agosto de 2011

Em defesa do Estado Laico, Democrático, Republicano - portanto, de Direito! Contra o projeto de Estado Evangélico em andamento!

Assim como as Forças Armadas devem obedecer ao Poder Civil, o Estado deve obedecer à regra fundamental de se manter S-E-P-A-R-A-D-O de religiões - quaisquer religiões.

Isso se chama estado secular ou laico. 

Um Estado democrático e republicano deve se orientar pela CONSTITUIÇÃO e não pela Bíblia ou pelo Corão, Torá, Talmud, Bardo Todhol, Evangelho Segundo o Espiritismo etc.

Nas instituições públicas, em todas elas, o símbolo máximo são as armas da República e não o crucifixo.

Não se trata de desrespeito a religião qualquer, apenas de respeito à Constituição.

A Bíblia, assim como todos os demais livros sagrados das demais religiões são expressão do culto particular das pessoas, não da Nação juridicamente organizada.

No entanto, o projeto de construção de um Estado Evangélico continua em processo.

E com a conivência de parlamentares fisiológicos, destituídos de seriedade e retidão cívica. Por temerem a perda de votos, compactuam com semelhante inconstitucionalidade.

Acompanhem, abaixo, a compilação de projetos de lei e leis já aprovadas que seguem dando curso a esse projeto político-religioso de implantação de um Estado Evangélico no Brasil.

A compilação é originária da convocatória para a Marcha pelo Estado Laico no Rio de Janeiro, a se realizar no próximo dia 25 de agosto, às 12h, saindo do Largo da Carioca e indo até a ALERJ - Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, "Palácio" Tiradentes, na Praça XV de Novembro. Ela é assinada por Jandirainbow Queeroz, Erik Chendo Tegon, Nubio Revoredo, Daniela Montper.

"Só um estado VERDADEIRAMENTE laico, que não se submete a dogmas e líderes religiosos, pode garantir a liberdade de professar ou não uma religião e garantir também a diversidade religiosa.

Alguns exemplos de afrontas à Constituição:

-- Projeto de Resolução que determinada obrigatoriedade de leitura de versículo bíblico antes de cada sessão na Câmara dos Deputados (PRC 4/1999) e no Senado Federal (PRS 10/2007)
http://www.camara.gov.br/p​roposicoesWeb/fichadetrami​tacao?idProposicao=21630
http://www.senado.gov.br/a​tividade/materia/detalhes.​asp?p_cod_mate=80322

-- Projeto de Lei (873/1999) que obriga leitura de versículos bíblicos antes de cada aula nas escolas públicas de SP
http://webspl1.al.sp.gov.b​r/internet/download?poFile​Ifs=2480350&%2F01_0873_199​9_2480350.tif%22

-- Projeto de Lei (256/2011) que obriga todos estabelecimentos de ensino (públicos e privados) do Estado de SP a fixar crufixos em local e em tamanho de fácil visualização, em área de circulação.
http://webspl1.al.sp.gov.b​r/internet/download?poFile​Ifs=22010914&%2Fpl256.doc%​22

-- Emenda ao projeto de lei acima obrigando também os estabelecimentos de ensino públicos e privados de SP a exporem uma Bíblia em cima da mesa de cada sala de aula.
http://webspl1.al.sp.gov.b​r/internet/download.do?poF​ileIfs=22041287&%2Fsl49.do​c

--- Projeto de Lei (PL 7924/2010) que determina que só terão validade legal os casamentos celebrados por instituições religiosas.
http://www.camara.gov.br/p​roposicoesWeb/fichadetrami​tacao?idProposicao=487034

-- Projeto de Lei (PL 1021/2011) que institui o "Programa Nacional PAPAI DO CÉU NA ESCOLA"
http://www.camara.gov.br/p​roposicoesWeb/fichadetrami​tacao?idProposicao=498262

-- Projeto de Lei (1118/99) que obriga os alunos das escolas estaduais de ensino fundamental do Rio de Janeiro a lerem versículos bíblicos antes do início de cada aula.
http://alerjln1.alerj.rj.g​ov.br/scpro99.nsf/7e242f7b​d3a467e0832567040007cc4c/a​f42e840d81975b703256827006​a8f09?OpenDocument

-- Lei 5.998/2001, sancionada pelo governador Sergio Cabral, que obriga todas as bibliotecas do Rio de Janeiro a manterem exemplares da Bíblia, sob pena de multa.
http://alerjln1.alerj.rj.g​ov.br/contlei.nsf/b24a2da5​a077847c032564f4005d4bf2/3​2a52ee9566e214b832578c3005​b1acf?OpenDocument

-- Projeto de Lei (279/1999) que obriga as concessionárias de serviços públicos no Estado do Rio de Janeiro a imprimirem a inscrição "DEUS SEJA LOUVADO" de forma clara e legível na parte frontal das contas mensais de serviços prestados.
http://alerjln1.alerj.rj.g​ov.br/scpro99.nsf/d61c4dc8​418f55d1832567040007cc4b/3​bd437f6301b674d0325674d007​34e6a?OpenDocument&Collaps​eView

-- Projeto de Lei (11.867/2011) inclui a Bíblia como material escolar fornecido pela prefeitura de Maringá/PR e institui a Semana Interdisciplinar de Estudos Bíblicos na Rede Municipal de Ensino.
http://sapl.cmm.pr.gov.br:​8080/sapl_site/sapl_skin/c​onsultas/materia/materia_m​ostrar_proc?cod_materia=61​69


Para todas as mães-pais

Nesse dia dos pais, trago minha homenagem a todas as mães e avós que, por contingências socioeconômicas, tiveram que ser mães e pais ao mesmo tempo.

Para tanto, trago minha versão (em parceria com Marcia Jacs) da música da venezuelana Gloria Martín, gravada no original pela inesquecível Mercedes Sosa, publicada (a versão brasileira) no meu livro Samdhyâ - A primavera do gerúndio e outras estações:

QUANTO TRABALHO
Música e letra: Gloria Martín
Gravação: Mercedes Sosa (A Arte de Mercedes Sosa, Polygran1977)
Versão*: Rita Colaço - Márcia Jacs

 
A vi lutar sozinha
guerreira desperta
A vi saber-se bela
A vi ficar sozinha
com quatro filhos nas costas

Quanto trabalho para
uma mulher saber
lutar sozinha e sobreviver

A vi dobrar espadas
com solidez perfeita
A vi cerrar o punho
sem baixar a cabeça
e construir História
com gestos diários

Quanto trabalho para
uma mulher saber
lutar sozinha e sobreviver

A vi curvar a água
e irrigar desertos
lhe vi crescer as mãos
velando os nossos sonhos
foi mãe e pai e abrigo
minha voz e alimento

Quanto trabalho para
uma mulher saber
lutar sozinha e sobreviver.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Idosos sem família tem residência em Condomínio do Estado do Rio

Há muito tempo postei vários textos tentando sensibilizar para a necessidade de atentarmos para o acelerado envelhecimento da população brasileira, em nosso caso específico, da parcela LGBT.

Ontem à noite, fui surpreendida com a notícia, divulgada em uma emissora de rádio que não me recordo, dando conta de uma extraordinária iniciativa do governo do Estado do Rio de Janeiro, que, infelizmente, não teve maiores repercussões - talvez a denotar o grau de importância que nossa sociedade outorga ao envelhecimento, aos velhos e ao seu bem-estar.

 Trata-se do programa de construção de condomínios residenciais para idosos destituídos de família - chamado de Vila da Melhor Idade. São casas totalmente adaptadas, utilizadas - segundo a notícia do rádio - sob a forma de mútuo. Os moradores dispõem de serviços médicos, nutricionista e fisioterapeuta.

Do fundo do meu coração desejo vida longa ao Secretário de Habitação do Estado do Rio de Janeiro, Leonardo Picciani!

Aguardo que ele não pare nessas três vilas iniciais - distribuídas sob a forma de sorteio. Desejo, solicito, aguardo que ele - se preciso for - solicite financiamento em organismos internacionais para construir tantas vilas quantas sejam necessárias aos idosos destituídos de laços familiares e com parcas condições financeiras. 

Em meio a tantas notícias terríveis, essa é sem dúvida alguma um enorme acontecimento. A inauguração de um novo paradigma na política pública para idosos destituídos de vínculos de parentela, de mecanismos sociais de proteção!

Veja a matéria divulgada no portal do Estado em 02/08/2011:
Foram escolhidos por meio de sorteio, na última terça-feira (26/07), os 60 idosos que irão ocupar os imóveis da primeira Vila da Melhor Idade do Estado do Rio de Janeiro. O empreendimento que contra com centro de convivência, serviços básicos aos cidadãos e casas adaptadas para pessoas da terceira idade, fica em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio.
Para o secretário estadual de Habitação, Leonardo Picciani, o evento desta tarde foi o primeiro passo para garantir a segurança social da população idosa. “Estamos trabalhando com seriedade para dar um tento e qualidade de vida para a população. No caso da Vila da Melhor Idade, queremos assegurar que os idosos que não contam com referencial de família passem a viver com qualidade de vida”, disse.O empreendimento de Santa Cruz é resultado de um investimento de mais de R$ 2,5 milhões. Além das obras de construção dos imóveis, foram realizadas intervenções de infraestrutura nas vias locais do condomínio e na reforma do centro social da Fundação Leão XVIII. Outras duas Vilas da Melhor Idade estão sendo construídas: uma em Volta Redonda e outra em Conceição de Macabu.





Mais atentados ao Estado Republicano, Democrático e de Direito do Brasil: Juízes e Oficiais de Justiça são mortos e ameaçados

Juíza Patrícia Acioli. Foto de O São Gonçalo
Nas primeiras horas da madrugada de hoje, dia 12 de agosto, correu a notícia de que Policiais do 12º BPM estavam seguindo para Piratininga, Região Oceânica de Niteroi, para atender a um chamado e confirmar a notícia do assassinato da Juíza Patrícia Lourival Acioli, titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, RJ.

Desafortunadamente, a notícia era verdadeira. A jovem juíza, de 44 anos de idade, foi barbaramente assassinada ainda no interior de seu veículo, que dirigia, na porta de entrada do condomínio em que morava havia três meses, na localidade conhecida como Timbau, em Piratininga ("entre a Ponte do Timbau e a rua dos Corais"). Deixou três filhos.

Em foto do Facebook
De acordo com o publicado pela imprensa, testemunhas afirmaram que homens encapuzados em duas motos e dois carros fizeram os disparos.

Ainda segundo as matérias divulgadas, os policiais que estiveram no local teriam afirmado que os tiros foram de calibre 40 e 45. Falava-se em cerca de 16 tiros. 

Notícias divulgadas mais tarde, depois da entrevista coletiva dada pelo Delegado Felipe Ettore, titular da Delegacia de Homicídios da Barra da Tijuca, afirmam que ela teria sido alvejada por 21 tiros.

Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli logo pela manhã deram início à perícia no automóvel de Patrícia. Diversas pessoas já foram ouvidas, entre elas, familiares, testemunhas, o atual companheiro e o seu Secretário no Fórum.

Embora exista uma Delegacia de Homicídios em São Gonçalo, a Chefe da Polícia Civil, Delegada Marta Rocha, determinou que o caso ficasse sob investigação da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, situada na Barra da Tijuca, Zona Oeste.

Consta que a magistrada vinha sendo alvo de ameaças de morte há anos, a primeira ainda quando era Defensora Pública. Mas ela preferia acreditar que não morreria em decorrência de seu trabalho, segundo declarou em entrevista há dias atrás ao jornal O São Gonçalo.

Magistrada em Juízo Criminal com competência para processos por homicídio, as matérias jornalísticas vem dando destaque para o fato dela haver sentenciado "duramente" muitos réus em processos envolvendo milícias, autos de resistência, máfias várias. Segundo afirmam, a polícia teria como hipótese mais provável vingança por milicianos ou traficantes para tal atentado. Dentre as pessoas que condenou, estariam cerca de 60 policiais, um ex-Vereador por São Gonçalo e um Oficial da PMERJ.

Tambem noticiam que seu nome teria figurado em uma lista de pessoas a serem mortas, encontradas com um criminoso chamado Wanderson da Silva Tavares, conhecido como Gordinho. Wanderson seria líder de um grupo de extermínio com atuação em São Gonçalo e Niterói, com policiais militares entre os seu integrantes. Wanderson teria sido preso em Guarapari, no Espírito Santo.  Na lista constaria ainda nomes de um promotor público, de delegado e três inspetores da polícia civil

Matéria de Ana Carolina Torres, do Extra, afirma que, horas antes do atentado, a magistrada havia decretado prisão preventiva de dois policiais militares do 7º BPM, em Alcântara, Niteroi, acusados de forjar auto de resistência.

Juíza do Caso Alexandre Ivo Tomé Rajão
No dia nove (09), terça-feira, porém, a Coluna do Anselmo, de O Globo, noticiava que justamente ontem, dia em que foi vítimada, a magistrada ouviria os acusados do bárbaro martírio que levou o menino Alexandre Ivo Tomé Rajão à morte no ano passado, em junho, após ter assistido uma partida de futebol durante a Copa Mundial com amigos.
Homofobia
Quinta agora, darão depoimento na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, RJ, as testemunhas do caso de Alexandre Thomé Ivo Rajao, aquele rapaz de 16 anos morto em julho de 2010. Os acusados, Erick Boa Hora Debruim, Allan Siqueira de Freitas e André Luiz Marcoge da Cruz Souza, teriam cometido o crime por homofobia.
O sítio de A CAPA noticia que a audiência não se realizou. A Juíza transferira para setembro a oitiva dos acusados. Ainda segundo a mesma matéria, a mãe de Alexandre Ivo Tomé, a senhora Angélica Ivo, ouvida pela reportagem declarou que tinha conhecimento do adiamento e que ontem mesmo tinha estado com a magistrada, que havia se desculpado pelo adiamento.

Críticas à juíza
Blogs noticiaram que o Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, filho do deputado federal Jair Bolsonaro, havia publicado em seu twitter que a juíza humilhava os policiais nas audiências. 

Segundo um deles, o Blog Maria da Penha Neles, numa segunda postagem, às 14h25, comenta a fala do Deputado Estadual, em entrevista ao sítio Terra, diante da repercussão de seu comentário no twitter. O sítio afirma que o Deputado teria escrito que ela, a juíza assassinada, costumava humilhar os policiais, colocar "o dedo na cara deles". Ao que Rosângela Basso retruca e traz um vídeo onde o Deputado Federal Jair Bolsonaro, seu pai, é agressivo com uma deputada: 
Roberta Trindade, "Repórter Especial para Assuntos de Polícia e Segurança", lamenta a morte covarde que deixa três filhos órfãos, mas afirma que ela
Era linha dura com policiais, mas essa semana condenou a pena alternativa oficial que matou jovem em casa de shows SG.
Muito se fala do lado "linha dura" da juíza Patrícia Acioli para os "inimigos da lei", mas se esquece do lado que "afrouxava para os amigos"
Essa semana ela praticamente inocentou tenente da PM preso por matar jovem em SG. O condenou a pagar 1 ano de pena alternativa.
Há cerca de três meses, juíza Patrícia Acioli foi parar na 81ª DP por causa de briga do ex, PM, com o que era atual, da Seap.
O Deputado Estadual Flávio Bolsonaro escreveu em seu twitter:
FlavioBolsonaro Que Deus tenha essa juíza, mas a forma absurda e gratuita com q ela humilhava Policiais nas sessões contribuiu p ter mts inimigos.
FlavioBolsonaro A patrulha do politicamente correto e os "pré-conceituosos" começam a botar palavras na minha boca sobre a morte da juíza...
hace 11 horas
FlavioBolsonaro Repudio a morte da juíza, apenas disse que ela teria muitos inimigos, não pelo exercício da profissão, mas por humilhar gratuitamente réus.
hace 11 horas
FlavioBolsonaro Cansei de receber em meu gabinete policiais e familiares,incentados por ela, acusando-a de chamá-los de "vagabundo" e "marginal" nas oitivas - hace 11 horas
FlavioBolsonaro Orientava sempre que deveriam formalizar denúncia no CNJ contra ela, por abuso de autoridade, nunca para tomar atitude violenta contra ela.
hace 11 horas
FlavioBolsonaro RT Mto se fala do lado "linha dura" da juíza p os "inimigos da lei", mas se esquece do lado que "afrouxava para os amigos"
hace 10 horas
FlavioBolsonaro Chega a ser engraçado como distorcem o que eu falo! rs hace 3 horas
FlavioBolsonaro Só disse que o comportamento desrespeitoso e arbitrário dela nos interrogatórios contribuiu p aumentar seu rol de inimizades. E ponto.
hace 3 horas
 Ou seja, o deputado retransmitiu o comentário de Roberta Trindade. Mas teve quem noticiasse como sendo comentário feito pelo próprio Deputado. Foi o caso de Fernando Brito, do Tijolaço, no blog Observatório Online:
Triste, lamentável, desumano, abjeto, nojento e mais duas páginas de adjetivos deste tipo é o que merece o senhor Flávio Bolsonaro que, em entrevista ao Jornal do Brasil, não se constrange de acusar gravemente a juíza  Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, assassinada no Rio de Janeiro, possivelmente como vingança de algum criminoso – fardado ou não – a quem sentenciou.
Bolsonaro diz que ela “humilhava” policiais acusados e, ainda pior, diz que ela – que tinha fama de ser justa – era “com os inimigos, para os quais ela aplicava a lei”, mas “para os amigos era muito frouxa”.
Atacar a memória de uma mulher assassinada em razão de sua função pública, sem fatos, no momento em que sua família está descendo seu corpo ao chão é uma atitude covarde, de um profanador da memória de um ser humano morto.
No sítio de Roberta Trindade, postagem de 25 de janeiro de 2009  afirma que o advogado Pablo Azevedo, ex-diretor da Seccional da OAB de São Gonçalo teria denunciado arbítrio na decretação de prisão de policiais militares seus clientes.


Reclamações arquivadas
Segundo matéria do jornal Tribuna do Norte, postada agora à noite, as representações formuladas perante o CNJ foram arquivadas:
Ainda segundo Eliana Calmon, quatro representações foram protocoladas no passado no CNJ, órgão de controle externo do Judiciário, contra Patrícia.
Nas representações, a juíza era acusada de abuso de poder. No entanto, as representações foram arquivadas porque eram "imotivadas".
"Essas representações são comuns a todos os juízes que agem de uma forma mais rigorosa", afirmou.


Outros Magistrados já foram assassinados no país

Matéria de O Globo divulgada às 11h43 recorda que a emboscada que matou a Juíza Patrícia ocorre oito anos depois do assassinato, em 2003, do magistrado Alexandre Martins Filho, de 32 anos, titular da Vara de Execuções Penais de Vitória, no Espírito Santo e integrante de Comissão Especial para Combate do Crime Organizado naquele Estado. 

A matéria de O Globo tambem traz à lembrança o assassinato do Juiz Corregedor  Antonio José Machado Dias,  em Presidente Prudente, São Paulo. Segundo a publicação, em comum aos três crimes estaria a semelhança com os assassinatos de magistrados praticados pela máfia siciliana, na Itália, entre os quais o mais notório o do juiz Giovanni Falconi.

Quando agridem um juiz, toda a sociedade é atingida
O juiz Walter Maierovitz, em entrevista à Boris Casoy, da rádio Band News FM agora ao final da tarde recorda que, quando um magistrado é assassinado, todo o Estado é atacado. O magistrado comenta ainda a distância entre o juiz que está na ponta, atuando em casos que envolvem criminosos organizados, poderosos, e a cúpula dos Tribunais.

Para Maierovitz, o Brasil ainda não decidiu criar uma legislação efetivamente capaz de combater esses tipos de crimes. Daí o país ser visto internacionalmente como um país da impunidade. A magistratura se furtando ao seu dever ético, ao participar de partidas de golfe patrocinadas por empresas que tem processos no judiciário, ao ter um integrante do STF faltando as sessões para participar do casamento na Itália de um advogado que tem feitos naquela instância.

Oficiais de Justiça tambem são ameaçados
Ontem, coincidentemente, durante o dia a mesma emissora de rádio noticiou por diversas vezes o caso da Oficial de Justiça que, acompanhada de um motorista, foi interceptada no morro da Coroa, em Santa Teresa, RJ, por 15 homens fortemente armados. Eles teriam obrigado o motorista a sair do carro, revistaram-no e perguntaram o seu nome e o que estava a fazer ali. O motorista, inventando um nome fictício, dissera que era Assistente Social. Por sorte os bandidos não o revistaram, nem a Oficial de Justiça que ele conduzia. 

- Detalhe: a região está sob a proteção de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).

Chega a 100 o número de juízes ameaçados
Matérias divulgadas na internet e no rádio ao final da tarde apontavam a existência, no Conselho Nacional de Justiça, de 87 nomes de juízes ameaçados de morte

Essa informação foi atualizada no início da noite pelo sítio do CNJ. Até o momento são cem o número de magistrados ameaçados. Este número não é o total, porem. Ainda há tribunais que não repassaram suas listagens ao CNJ:

No portal do CNJ, a Corregedora Eliana Calmon recomendou a diluição da responsabilidade, incluindo vários magistrados em uma mesma vara com competência em Execução Penal ou com processos de crimes organizados, como foi adotado na Itália, segundo o juiz Walter Maierovitz.

Dos Oficiais de Justiça, nenhuma menção
Eu não consegui localizar nenhuma listagem ou referência que fosse dos Oficiais de Justiça ameaçados de morte por traficantes e outros no cumprimento de sua função. 

Localizei, porém, algumas matérias de Associações de Oficiais de Justiça pelo país dando conta das ameaças recebidas por este profissional do Estado. 

Como por exemplo: AOJESP -  04/07/2011 - Mato Grosso do Sul: Oficial de Justiça e Juiz ameaçados de morte.

sábado, 6 de agosto de 2011

Gestão Duloren: gritos, murros e xingamentos - Onde o respeito à dignidade pessoal?

Na postagem anterior, procurei demonstrar como é apenas aparente a contradição no fato de Roni Argalji pretender usar a imagem de Bolsonaro como o novo garoto-propaganda de sua fábrica de calcinhas, sutiãs e sungas.
Comparei as peças publicitárias produzidas por Olivero Toscani para a Benetton e as que tem sido elaboradas pela agência de Agnelo Pacheco com a aprovação pessoal de Roni Argalji para a Duloren, pontuando os modos pelos quais a fábrica de peças íntimas opera validando os mesmos signos hegemônicos.

Por meio dessa comparação, explicitei como o único interesse por trás das supostas "mensagens sociais" contidas nas campanhas produzidas por Agnelo Pacheco era, ao contrário de Olivero Toscani e da Benetton, pura e simplesmente a maximização das vendas das peças fabricadas e comercializadas pela Duloren - ver, como exemplo, a vazia e inconsistente "Senhora D", criada no Facebook

Através desse percurso comparativo, pude demonstrar como Roni Argalji se utiliza da polêmica raza, oportunista - totalmente descompromissada com a realidade social e sua transformação - para alcançar o seu verdadeiro objetivo, que é apenas aumentar as vendas. 

Examinando em conjunto as suas campanhas publicitárias é possível compreender que o dono da Duloren simplesmente se apropria um tema controvertido em destaque no momento para, polemizando ainda mais, alavancar seus lucros. 

Assim, tomando em consideração o seu real objetivo - o aumento das vendas - e o papel que a polêmica ocupa na busca da concretização desse objetivo, fica bastante claro que não importa se a "mensagem" veiculada em uma campanha hoje seja, amanhã, renegada.

Nesse sentido, é possível afirmar que a contradição apontada entre as campanhas veiculadas pela marca e o anúncio do uso da imagem de Bolsonaro na realidade não existe.

Como as supostas "mensagens sociais" inexistem - existindo somente temas empregados como insumos, ingredientes do bolo chamado aumento das vendas -, não há que se falar em contradição entre os temas que a marca se apropria em suas publicidades.

Como a proposta da Duloren - ao contrário da Benetton, recorde-se mais uma vez - não é a crítica dos moralismos e preconceitos, mas simplesmente o aproveitamento barato da polêmica e o apelo ao erótico, sensual, libertino, transgressor, há, sim, completa coerência. 
 

Hoje, porém, o que eu quero é demonstrar como a decisão de usar uma personagem como o Bolsonaro está em total coerência com o próprio perfil do dono da Duloren - Roni Argalji.

Por trás de calcinhas e sutiãs, o assédio moral

Foto do www.exame.abril.com.br/edicoes/0892/noticias

Segundo matéria de Samantha Lima para o Portal Exame, republicada no sítio Gestão Estratégica da Comunicação organizacional e Relações Públicas, o dono da Duloren, de 53 anos, embora seja graduado em economia e administração (pela Universidade Cândido Mendes), não dá a mínima para o conhecimento construído, testado e acumulado por esses campos do saber. Ao contrário.

Roni Argalji se ufana em "seguir sua própria cartilha", mandando às favas os protolocos de gestão empresarial, sobretudo os de gestão de pessoal.

Prefere muito mais gritar com seus empregados, dizer impropérios quando contrariado, e ofensas às modelos que participam das seleções para as campanhas publicitárias de sua marca:
Estilo informal e agressivo Veste sempre calça jeans e camiseta de malha. Um soco na mesa é sua forma de dizer não. Cobra aos brados mais desempenho e menos desperdício em reuniões periódicas com executivos e também com operários

Chamado de "trator" em duas matérias, Roni Argalji parece tambem fazer questão de ignorar os preceitos das boas maneiras, do respeito ao próximo, principalmente àqueles em posição vulnerável em relação a ele.

Sentindo-se todo-poderoso - "Não conheço a derrota, só a vitória" -, age como um feitor, não medindo palavras quando o assunto é humilhar e desrespeitar pessoas em posição social inferior à sua
 Tambem com os profissionais da área de marketing não costuma Argalji primar pelas boas maneiras:

O respeito e reconhecimento que destina aos empregados pode ser conferido no próprio sítio da empresa. O texto apresentado na seção "história" em nenhum momento faz referência aos seus empregados - apenas ao número de empregos gerados. 

Exalta suas "máquinas e equipamentos de última geração", a tonelagem de tecidos produzidos mensalmente, o número de peças produzidas e " orgulha-se de operar um dos mais avançados marketing estratégicos do mercado de lingerie", mas sobre a contribuição de seus operários para a consecução desses resultados, nada.

A matéria assinada por Samantha Lima para a Revista Exame não à toa é entitulada "Só a tirania resolve?"

Roni Argalji
Camisa da campanha de Bolsonaro
Percebe-se, portanto, o quão próximos são os estilos de comportamento de Bolsonaro e de Roni Argalji.

Mais uma vez, nenhuma incoerência!

Inconsistência foi tomar suas peças publicitárias meramente mercantis como propostas à reflexão crítica.

Não foi à toa que a empresa e seus departamentos se recusaram a conceder entrevista a Vanderlúcio Souza, do blog Ancoradouro, comentando sua campanha sobre pedofilia, que se utilizou da imagem de um padre a quem é exibido um crucifixo a modo de exorcismo, tendo ao fundo a Igreja de São Pedro, sede do Vaticano.

Em seu blog, Vanderlúcio encerra com uma pergunta:
Samantha Lima, do Portal Exame, adverte que esse seu estilo "enérgico", se auxiliou no processo de recuperação da empresa na crise em que estava mergulhada em 2000, "pode acabar atrapalhando no futuro".


Uma dessas atrapalhadas é, sem dúvida, apostar nesse seu hábito de impor a sua opinião à base de gritos e ofensas ("QI de ameba"; "idiota", "burra") e, mais do que se identificar pessoalmente com a imagem pública de Bolsonaro, promover uma associação publicitária de sua marca com essa persona e tudo o que ela representa.


Afinal, as mulheres heterossexuais (entre estas as transexuais), as travestis e as lésbicas - que tambem são mulheres, caso alguem se esqueça -, por mínima que seja a sua consciência da opressão androcêntrica e heteronormativa, não aprovam patrões que humilham e gritam com as suas empregadas - Elas sabem que isso é assédio moral, prática nociva  e proibida.

E, como consumidoras de peças íntimas femininas, não empregarão o seu rico dinheirinho a aumentar os lucros e perpetuar essa cultura do assédio moral empregada pelo dono da Duloren.

Como cidadãs conscientes da luta tenaz e ancestral contra a desqualificação, o desrespeito, a violência (dez mulheres são assassinadas todos os dias, fruto dessa mesma cultura) não aplicarão o seu dinheiro a alimentar essa prática gerencial opressiva e ilegal. 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Roni Argalji e a sua Duloren: Afinal, quem é mesmo idiota e tem QI de ameba?

Inicialmente pode parecer contraditória essa ideia do Roni Argalji, atual diretor e proprietário da Duloren, de tornar Bolsonaro garoto-propaganda de sua fábrica de peças íntimas.
 
Tendo em 2001, após o falecimento de seu pai, comprado de sua irmã e primos a marca que seu pai havia criado, Roni decidiu dar seguimento à linha publicitária polêmica iniciada na empresa em 1995.

Em julho de 1995 a Duloren teria lançado uma campanha com ninguem menos do que Dercy Gonçalves, para o slogan "Você não sabe do que uma Duloren é capaz".

Em julho de 1999, lançou campanha com a imagem de dois homens de terno se beijando, tendo ao lado o mesmo slogan.

O oposto de Olivero Toscani e Benneton
Não se pode, porém, dizer que a Duloren empregue  o recurso da publicidade polêmica  da mesma forma que a Benetton. Não, de jeito nenhum. De meu ponto de vista, aliás, poderia mesmo ser considerado em sentido diametralmente oposto.

Me explico.
 A Benetton, aderindo à concepção de Olivero Toscani, ousou utilizar-se da linguagem publicitária para, ademais de vender suas mercadorias, quebrar paradigmas e, por meio desse recurso, incitar a reflexão, o debate. Enfim, fazer com que as pessoas parem para pensar sobre si mesmas, em termos de suas concepções de mundo e nas formas de relação instituídas no mundo à sua volta.

  Já a Duloren, pelo que se observa de suas campanhas, embora traga certos traços em princípio lidos como progressistas, na realidade termina por reforçar os padrões estabelecidos. 

Digo de outra forma.

 É certo que ela emprega o humor, a irreverência, a provocação, o erotismo, a sensualidade.  

No entanto, ao fim e ao cabo, não dá ensejo ao surgimento de reflexões críticas. Não abala as estruturas de pensamento, de visão de mundo. 

Como diz o título de uma de suas campanhas, é uma polêmica em bases puramente libertinas.

E por que? Porque emprega uma linguagem que é apenas supostamente transgressora. Porque sua pseudo transgressão se realiza dentro dos mesmíssimos padrões estéticos legitimados pela parcela hegemônica - aquela tida como "cult", "inn", ou que se pensa enquanto tal. 

 As mulheres e os homens cujas imagens são utilizadas nas campanhas, com exceção da Dercy Gonçalves e de uma gordinha simpática, seguem rigorosamente o script hegemônico - brancos, magros, ele musculoso, viril, ela, delgada, delicada, sensual e jovens. 

Quando apareceram os velhos, era dentro da representação arcaica dos vovozinhos "inofensivos".


As lésbicas, por exemplo, são meras projeções idealizadas do imaginário masculino heterossexual, nada mais.
 
Dentro dessa concepção exibida ao longo das campanhas, resulta perfeitamente possível e coerente - do ponto de vista do proprietário da marca - inserir a imagem de uma pessoa como Bolsonaro.

É que, no fundo, no fundo, as campanhas da Duloren não estão aí para questionar coisa nenhuma - ao contrário da Benetton e as campanhas criadas por Olivero Toscani.

O dono da empresa Duloren apenas se aproveita de temas e personas tidos como polêmicos, quer dizer, como o próprio Roni definiu, controvertidos, para "surfar" em sua onda, para se colocar em evidência. Ou seja, para incrementar as vendas da sua mercadoria. 

Então, dentro desse contexto, do mesmo modo que pensa em usar a imagem do Bolsonaro, poderia ter escolhido a de Hitler. 

- Seria simplesmente o legítimo exercício ao sagrado direito de expressão, conforme a opinião de Roni.
A Duloren não tem nada nem a favor nem contra. Desde que não me atrapalhe, minha filha, fique à vontade. 
Dado que a liberdade de expressão - na concepção de Roni Argalji - não possui limites, é um direito absoluto, totalitário, e dado que ele, no fundo, no fundo, não está nem aí para valores, o que ele quer é só e somente utilizar-se da polêmica para vender,  então não há problema algum em utilizar-se seja da imagem de Bolsonaro, seja da imagem de Hitler - dá tudo no mesmo!

Um simples detalhe?
Não me parece, porém, que seja tão simples assim. 

Roni Argalji declarou ao sítio Terra Magazine que aquelas pessoas que pensam em boicotar os produtos de sua empresa por conta de sua decisão de utilizar a imagem de Bolsonaro seriam "idiota"s, "burra"s; teriam "QI de ameba"... Enfim, "gente ignorante que não tem o que fazer."
Isso é coisa de gente com QI de ameba, gente burra.  Uma pessoa, que tem sua opinião e sabe que o outro tem direito a seu pensamento, não vai entrar numa idiotice, numa infantilidade dessa.
Parece que ele deixou de considerar o fato de que, embora dentro dessa ótica puramente libertina e marcadológica, as campanhas que aprova para veicular o nome de sua fábrica de peças íntimas termina tendo como público-alvo mulheres emancipadas, autossuficientes, inteligentes.

Mulheres - e certamente alguns homens - que discordam veementemente de pessoas que desrespeitam e ofendem mulheres e outros seres humanos, inclusive homossexuais - gays, lésbicas, travestis, transexuais.

Embora trabalhe a divulgação de sua marca na linguagem do libertino e das sex shops (- nada contra, por favor!!!), muitas consumidoras e certos consumidores  dos produtos de sua marca (dado que tambem comercializa peças íntimas masculinas), certamente não aprovarão a associação da marca Duloren à imagem de uma pessoa que ridiculariza a noção de Direitos Humanos; que costuma agredir e ridicularizar mulheres e disseminar o desrespeito e o ódio aos homossexuais, travestis e transexuais.

Talvez, alem de refletir sobre os efeitos de associar sua marca a uma pessoa como Bolsonaro - que ademais de possuir eleitores suficientes para reelegê-lo, ocupa um nicho do eleitorado que se caracteriza pela intolerância, autoritarismo, violência e arbítrio -, valesse a pena Roni dedicar alguns minutos de seu dia a examinar a sua própria incoerência.

Incoerência do empresário
Ora ele afirma, na matéria do sítio terra Magazine, que "a Duloren se posiciona". Ora, na mesmíssima matéria, ele diz que "A Duloren não tem nada nem a favor nem contra. Desde que não me atrapalhe, minha filha, fique à vontade."

Parece que ele se esquece - ao que tudo indica - do conteúdo da campanha da coleção Atelier, que aprovou pessoalmente, datada 04/2010 e criação de Marcos Silveira. Ela traz uma mulher estilo vamp, de soutiã com ombreiras, biquini e a mão esquerda para cima, com o dedo médio em riste e, ao lado, o texto: abuso sexual, prostituição infantil, estupro, racismo, violência, humilhação, assédio sexual, corrupção, impunidade, preconceito e, bem mais embaixo, o slogan: você não imagina do que uma Duloren é capaz).

No meio de tanta mixórdia, fica difícil, muito difícil, saber ao certo afinal, a que diabos quer  Roni Argalji que o público consumidor associe à sua fábrica Duloren!

No meio de tanta contradição, cabe a pergunta:

- Afinal, quem é mesmo "idiota", "burro" e tem "QI de ameba"?

Uma coisa, porém, é mais do que certa: 

- Seja lá o que for que Roni tenha em sua cabeça promover em associação à sua marca, certamente não é o culto e a promoção de valores consagrados constitucionalmente!