Desafortunadamente, a notícia era verdadeira. A jovem juíza, de 44 anos de idade, foi barbaramente assassinada ainda no interior de seu veículo, que dirigia, na porta de entrada do condomínio em que morava havia três meses, na localidade conhecida como Timbau, em Piratininga ("entre a Ponte do Timbau e a rua dos Corais"). Deixou três filhos.
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| Em foto do Facebook |
De acordo com o publicado pela imprensa, testemunhas afirmaram que homens encapuzados em duas motos e dois carros fizeram os disparos.
Ainda segundo as matérias divulgadas, os policiais que estiveram no local teriam afirmado que os tiros foram de calibre 40 e 45. Falava-se em cerca de 16 tiros.
Notícias divulgadas mais tarde, depois da entrevista coletiva dada pelo Delegado Felipe Ettore, titular da Delegacia de Homicídios da Barra da Tijuca, afirmam que ela teria sido alvejada por 21 tiros.
Peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli logo pela manhã deram início à perícia no automóvel de Patrícia. Diversas pessoas já foram ouvidas, entre elas, familiares, testemunhas, o atual companheiro e o seu Secretário no Fórum.
Embora exista uma Delegacia de Homicídios em São Gonçalo, a Chefe da Polícia Civil, Delegada Marta Rocha, determinou que o caso ficasse sob investigação da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, situada na Barra da Tijuca, Zona Oeste.
Magistrada em Juízo Criminal com competência para processos por homicídio, as matérias jornalísticas vem dando destaque para o fato dela haver sentenciado "duramente" muitos réus em processos envolvendo milícias, autos de resistência, máfias várias. Segundo afirmam, a polícia teria como
hipótese mais provável vingança por milicianos ou traficantes para tal atentado. Dentre as pessoas que condenou, estariam cerca de 60 policiais, um ex-Vereador por São Gonçalo e um Oficial da PMERJ.
Tambem noticiam que seu nome teria figurado em uma lista de pessoas a serem mortas, encontradas com um criminoso chamado Wanderson da Silva Tavares, conhecido como Gordinho. Wanderson seria líder de um grupo de extermínio com atuação em São Gonçalo e Niterói, com policiais militares entre os seu integrantes. Wanderson teria sido preso em Guarapari, no Espírito Santo. Na lista constaria ainda nomes de um promotor público, de delegado
e três inspetores da polícia civil.
Matéria
de Ana Carolina Torres, do Extra, afirma que, horas antes do atentado, a magistrada havia decretado prisão preventiva de dois policiais militares do 7º BPM, em Alcântara, Niteroi, acusados de forjar auto de resistência.
Juíza do Caso Alexandre Ivo Tomé Rajão
No dia nove (09), terça-feira, porém, a
Coluna do Anselmo, de O Globo, noticiava que justamente ontem, dia em que foi vítimada, a magistrada ouviria os acusados do bárbaro martírio que levou o menino Alexandre Ivo Tomé Rajão à morte no ano passado, em junho, após ter assistido uma partida de futebol durante a Copa Mundial com amigos.
Homofobia
Quinta agora, darão depoimento na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, RJ, as testemunhas do caso de Alexandre Thomé Ivo Rajao, aquele rapaz de 16 anos morto em julho de 2010. Os acusados, Erick Boa Hora Debruim, Allan Siqueira de Freitas e André Luiz Marcoge da Cruz Souza, teriam cometido o crime por homofobia.
O sítio de A CAPA noticia que a audiência não se realizou. A Juíza transferira para setembro a oitiva dos acusados. Ainda segundo a mesma matéria, a mãe de Alexandre Ivo Tomé, a senhora Angélica Ivo,
ouvida pela reportagem declarou que tinha conhecimento do adiamento e que ontem mesmo tinha estado com a magistrada, que havia se desculpado pelo adiamento.
Críticas à juíza
Blogs no
ticiaram
que o Deputado Estadual Flávio Bolsonaro, filho do deputado federal Jair Bolsonaro, havia publicado em seu twitter que a juíza humilhava os policiais nas audiências.
Segundo um deles, o
Blog Maria da Penha Neles, numa segunda postagem, às 14h25, comenta a fala do Deputado Estadual, em entrevista ao sítio Terra, diante da repercussão de seu comentário no twitter. O sítio afirma que o Deputado teria escrito que ela, a juíza assassinada, costumava humilhar os policiais, colocar "o dedo na cara deles". Ao que Rosângela Basso retruca e traz um vídeo onde o Deputado Federal Jair Bolsonaro, seu pai, é agressivo com uma deputada:
Roberta Trindade, "Repórter Especial para Assuntos de Polícia e Segurança", lamenta a morte covarde que deixa três filhos órfãos, mas afirma que ela
Era linha dura com policiais, mas essa semana condenou a pena alternativa oficial que matou jovem em casa de shows SG.
Muito se fala do lado "linha dura" da juíza Patrícia Acioli para os "inimigos da lei", mas se esquece do lado que "afrouxava para os amigos"
Essa semana ela praticamente inocentou tenente da PM preso por matar jovem em SG. O condenou a pagar 1 ano de pena alternativa.
Há cerca de três meses, juíza Patrícia Acioli foi parar na 81ª DP por causa de briga do ex, PM, com o que era atual, da Seap.
O Deputado Estadual Flávio Bolsonaro escreveu em seu twitter:
Chega a ser engraçado como distorcem o que eu falo! rs
Ou seja, o deputado retransmitiu o comentário de Roberta Trindade. Mas teve quem noticiasse como sendo comentário feito pelo próprio Deputado. Foi o caso de Fernando Brito, do Tijolaço, no blog
Observatório Online:
Triste, lamentável, desumano, abjeto, nojento e mais duas páginas de adjetivos deste tipo é o que merece o senhor Flávio Bolsonaro que, em entrevista ao Jornal do Brasil, não se constrange de acusar gravemente a juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, assassinada no Rio de Janeiro, possivelmente como vingança de algum criminoso – fardado ou não – a quem sentenciou.
Bolsonaro diz que ela “humilhava” policiais acusados e, ainda pior, diz que ela – que tinha fama de ser justa – era “com os inimigos, para os quais ela aplicava a lei”, mas “para os amigos era muito frouxa”.
Atacar a memória de uma mulher assassinada em razão de sua função pública, sem fatos, no momento em que sua família está descendo seu corpo ao chão é uma atitude covarde, de um profanador da memória de um ser humano morto.
No sítio de Roberta Trindade,
postagem de 25 de janeiro de 2009 afirma que o advogado Pablo Azevedo, ex-diretor da Seccional da OAB de São Gonçalo teria denunciado arbítrio na decretação de prisão de policiais militares seus clientes.
Reclamações arquivadas
Segundo matéria do jornal Tribuna do Norte, postada agora à noite, as representações formuladas perante o CNJ foram arquivadas:
Ainda segundo Eliana Calmon, quatro representações foram protocoladas no passado no CNJ, órgão de controle externo do Judiciário, contra Patrícia.
Nas representações, a juíza era acusada de abuso de poder. No entanto, as representações foram arquivadas porque eram "imotivadas".
"Essas representações são comuns a todos os juízes que agem de uma forma mais rigorosa", afirmou.
Outros Magistrados já foram assassinados no país
Matéria de O Globo divulgada às 11h43 recorda que a emboscada que matou a Juíza Patrícia ocorre oito anos depois do assassinato, em 2003, do magistrado Alexandre Martins Filho, de 32 anos, titular da Vara de Execuções Penais de Vitória, no Espírito Santo e integrante de Comissão Especial para Combate do Crime Organizado naquele Estado.
A matéria de O Globo tambem traz à lembrança o assassinato do Juiz Corregedor Antonio José Machado Dias, em Presidente Prudente, São Paulo.
Segundo a publicação, em comum aos três crimes estaria a semelhança com os assassinatos de magistrados praticados pela máfia siciliana, na Itália, entre os quais o mais notório o do juiz Giovanni Falconi.
Quando agridem um juiz, toda a sociedade é atingida
O juiz Walter Maierovitz, em entrevista à Boris Casoy, da rádio Band News FM agora ao final da tarde recorda que, quando um magistrado é assassinado, todo o Estado é atacado. O magistrado comenta ainda a distância entre o juiz que está na ponta, atuando em casos que envolvem criminosos organizados, poderosos, e a cúpula dos Tribunais.
Para Maierovitz, o Brasil ainda não decidiu criar uma legislação efetivamente capaz de combater esses tipos de crimes. Daí o país ser visto internacionalmente como um país da impunidade. A magistratura se furtando ao seu dever ético, ao participar de partidas de golfe patrocinadas por empresas que tem processos no judiciário, ao ter um integrante do STF faltando as sessões para participar do casamento na Itália de um advogado que tem feitos naquela instância.
Oficiais de Justiça tambem são ameaçados
Ontem, coincidentemente, durante o dia a mesma emissora de rádio noticiou por diversas vezes o caso da
Oficial de Justiça que, acompanhada de um motorista, foi interceptada no morro da Coroa, em Santa Teresa, RJ, por 15 homens fortemente armados. Eles teriam obrigado o motorista a sair do carro, revistaram-no e perguntaram o seu nome e o que estava a fazer ali. O motorista, inventando um nome fictício, dissera que era Assistente Social. Por sorte os bandidos não o revistaram, nem a Oficial de Justiça que ele conduzia.
- Detalhe: a região está sob a proteção de uma UPP (Unidade de Polícia Pacificadora).
Chega a 100 o número de juízes ameaçados
Essa informação foi atualizada no início da noite pelo sítio do CNJ. Até o momento são cem o número de magistrados ameaçados.
Este número não é o total, porem. Ainda há tribunais que não repassaram suas listagens ao CNJ:
No portal do CNJ, a Corregedora Eliana Calmon
recomendou a diluição da responsabilidade, incluindo vários magistrados em uma mesma vara com competência em Execução Penal ou com processos de crimes organizados, como foi adotado na Itália, segundo o juiz Walter Maierovitz.
Dos Oficiais de Justiça, nenhuma menção
Eu não consegui localizar nenhuma listagem ou referência que fosse dos Oficiais de Justiça ameaçados de morte por traficantes e outros no cumprimento de sua função.
Localizei, porém, algumas matérias de Associações de Oficiais de Justiça pelo país dando conta das ameaças recebidas por este profissional do Estado.
Como por exemplo: AOJESP -
04/07/2011 - Mato Grosso do Sul: Oficial de Justiça e Juiz ameaçados de morte.